2004 - Entrevista com
o Tim Owens
Roadie
Crew: Durante o ano de 2003, você e Jon Schaffer
começaram a cogitar um projeto juntos. Certo dia,
ele e o manager do Iced Earth ligaram para você
dizendo que Matt Barlow havia deixado a banda e lhe
convidaram para que gravasse as linhas vocais do
novo álbum. Como as coisas aconteceram naquele
ponto?
Tim
Owens: Quando ele me ligou o álbum havia sido
finalizado, mas que o Matt não estava mais na banda
eu fiquei meio em duvida se deveria ou não
simplesmente gravar os vocais. Naquela época eu
ainda estava no Judas Priest. Eu queria saber como
aquelas novas musicas soavam e ele me mandou uma
copia dos “takes” do The Glorious Burden, e eu
fiquei realmente impressionado, pois era uma mistura
perfeita, com um som bem na linha clássica do Heavy
Metal. Achei que ficaria perfeito com a minha voz.
Então, era uma situação perfeita e assinamos um
contrato onde eu seria um musico convidado que não
tinha nenhum tipo de plano de se juntar ao Iced
Earth naquela época. Entrei em estúdio e gravei as
linhas vocais em apenas cinco dias e achei que o
resultado ficou maravilhoso!
Roadie
Crew: E como foram aqueles cinco dias de gravação?
Como as coisas aconteceram em estúdio?
Tim
Owens: Foi demais, muito legal! Nos divertimos
muito, sempre estávamos rindo, e foi algo muito
relaxante. Éramos apenas Jon, Jim Morris e eu... As
coisas funcionaram muito bem entre nós, apesar de
que na época era uma situação onde eu não fazia
realmente parte da banda.
Roadie
Crew: Você contribuiu com idéias paras as linhas
vocais e composição em geral?
Tim
Owens: A grande maioria das coisas já estava pronta
e Jon já havia criado as melodias.O que eu fiz na
maior parte foi apenas colocar o meu próprio estilo
quando comecei a cantar. Mas, mesmo assim, reescrevi
a musica Red Baron/Blue Max. Na verdade Jon me deu
oportunidade de refazer três musicas, Red
Baron/Blue Max, Attila e Waterloo, mas eu não tive
tempo para tanto e só trabalhei em uma.
Roadie
Crew: Quando você entrou em estúdio com o Iced
Earth, aprendeu as musicas através das versões
previamente gravadas com a voz do Matt Barlow. O que
você pensa a respeito da voz de Matt?
Tim
Owens: Eu gosto muito do estilo do Matt. Não é bem
o tipo que eu costumo ouvir muito, mas gosto muito
do material antigo do Iced Earth...Será muito legal
quando tocarmos essas musicas mais antigas, como
Melancholy (Holy Martyr) e Burning Times, que são
ótimas composições. Acho que agora as coisas
funcionarão ainda melhores para o Iced Earth,
pois Jon disse que há muito tempo ele procurava por
uma voz com ao minha para a banda. Mas Matt é um
excelente vocalista e eu lhe desejo toda a sorte do
mundo no que fará daqui para frente.
Roadie
Crew: No dia 11 de julho de 2003, o Judas priest
anuncio via “press release” oficial a reunião
com Rob Halford e a sua saída do Line-Up. Isto
apenas confirmou muitos rumores que já circulavam há,
pelo menos, seis meses.
Tim
Owens: Eu já sabia que o fim estava por vir, pois
era inevitável o fato que eles precisavam de Rob de
volta e Rob precisava deles, para que fizessem
novamente algo. Então conversei com eles e concluímos
que realmente era uma boa idéia.que trouxessem Rob
de volta para o Judas Priest. Os rumores eram apenas
rumores mesmo, e quando decidimos o que aconteceria
foi realmente decidido, uma coisa não tem muito a
ver com a outra. Eu já sabia que aconteceria algo
assim, tinha que acontecer! Mas, tudo bem, ainda
continuo amigo dos integrantes do Judas Priest e
isto é muito bom.
Roadie
Crew: Quando deixou de integrar o line-up do Judas
Priest, você recebeu muitas ofertas de outras
bandas e músicos. Que razões influenciaram na sua
opçãp de se juntar ao Iced Earth?
Tim
Owens: Acho que o estilo, aquele Heavy Metal clássico
bem direto, é algo onde a minha voz se encaixa
muito bem...Jon me ofereceu ser parte do time, um
membro ativo que compõe e realmente participa da
coisa. Acho que esta é a principal razão que me
convenceu a entrar no Iced Earth. Acho que esta foi
a melhor decisão que eu poderia tomar para o futuro
da minha carreira
Roadie
Crew: Você poderia fizer os nomes de algumas destas
banda e músicos que o convidaram?
Tim
Owens: Não posso falar! (risos) Mas digo que entre
os convites estava uma banda jovem, que integra o
“cast” de uma gravadora major e possui um grande
suporte para o trabalho, mas eu preferi a musica e o
estilo do Iced Earth. Acho que foi realmente o
melhor para mim.
Roadie
Crew: Antes de sua entrada no Iced Earth você disse
à impressa que estava trabalhando em alguma Demos
para um projeto solo ao lado de um musico conhecido
e que a sonoridade seria um mistura entre Godsmack,
Pantera e Judas Priest. O que aconteceu com este
projeto?
Tim
Owens: Continuo trabalhando nisso, mas é algo
basicamente meu. Eu disse que poderia contar com
alguns músicos conhecidos,mas agora é mais voltado
para um projeto solo. A única forma que posso
descrever a sonoridade atualmente é como puramente
Heavy Metal, com muitas influências de bandas como
Black Sabbath e Judas Priest. O bom e velho Heavy
Metal!
Roadie
Crew: O primeiro “aperitivo” da sua voz ao lado
do Iced Earth foi o single The Reckoning. Como foi a
repercussão dos fãs para o material?
Tim
Owens: Foi boa! Os fãs estão respondendo muito bem
a ele. O single vendeu cerca de 60 mil cópias e
isso é uma média muito boa para este tipo de
material, ainda mais em se tratando de uma banda de
Heavy Metal, como nós. Até agora já conseguimos
uma marca superior a qualquer dos antigos álbuns do
Iced Earth.
Roadie
Crew: Eu sei que Jon Schaffer é fã declarado do
Iron Maiden, ele sempre menciona isto em
entrevistas.
Tim
Owens: Sim, mas acho que foi uma coincidência. Se não
me engano, a ultimas vez que eu vi uma camiseta do
The Trooper aqui nos Estados Unidos foi em 1988 ou
algo assim...Foi uma coisa estranha. O fato é que
Jon pediu que o ilustrador colocasse a bandeira do
“Don’t Tread On Me” na mão esquerda do
personagem e que eles estivesse rodeado por soldados
mortos. Esta foi a idéia e a semelhança creio que
foi pura coincidência.
Roadie
Crew: O lançamento do The Glorious Burden foi
inicialmente planejado para Outubro de 2003, mas
acabou sendo adiado para Janeiro de 2004. Por que
isso aconteceu?
Tim
Owens: Cara, isso foi um saco! Eu realmente queria
que este álbum saísse em outubro, pois seria muito
legal para min, algo como: “aqui estou eu de
volta”. Estava tudo certo, eu estava muito
contente, mas o que aconteceu foi que a gravadora
quis atrasar o lançamento do álbum. Eles pensaram
que seria o melhor, pois poderiam trabalhar as foram
de anuncio para o lançamento e colocar primeiro o
single no mercado.Isso faria com que o álbum fosse
mais bem recebido. Foi algo muito bem planejado, mas
isso não foi decisão nossa...Jon e eu queríamos
que o álbum saísse em outubro, pois ele já estava
pronto e tinha que ser lançado.
Roadie
Crew: A temática do The Glorious Burden retrata
diferentes eventos relativos a guerra, ocorridos na
história mundial e este tipo de conceito é algo
bem pessoal para Jon Schaffer. Sei que a maioria das
coisas já estava finalizada quando você gravou,
mas eu gostaria de saber as suas impressões a
respeito do conceito em si e das letras das músicas.
Tim
Owens: Acho que é muito legal! Acho demais alguém
compor um álbum onde a temática seja a história.
Jon sempre gostou de fazer álbuns conceituais, como
o Horror Show, mas a grande paixão dele é história,
não apenas da América, mas de todo o mundo. Este
álbum é algo que significa muito para o Jon, e as
letras são demais...O álbum trata desde o ataque
terrorista do 11 de Setembro, com a Whe The Eagle
Cries, até figuras importantes como o Barão
Vermelho e Átila, e o ocorrido em Gettysburg. A
letra de Gettysburg é muito importante, pois fala
de um evento histórico, 50 mil pessoas que morreram
em três dias lutando por uma causa...Isso é
assustador! Acho que é muito legal porque muitos
garotos aprenderão muito com essas letras, pois
elas têm significado e não falam de motocicletas,
ex-namoradas ou um carro! (risos) São musicas que
possuem substância e significam muito para muitas
pessoas.
Roadie
Crew: Qual é o significado do titulo “The
Glorious Burden”?
Tim
Owens: Um presidente norte-americano, acho que foi
Thomas Jefferson, disse: “The Presidency of the
United States is a Glorious Burden” (N.R.: “ a
presidência dos Estados Unidos é uma tarefa
gloriosa”). É algo glorioso... Ser presidente,
rei, imperador ou qualquer outra coisa do gênero é
algo glorioso e ao mesmo tempo uma grande
responsabilidade, pois é uma tarefa árdua, repleta
de adversidades e pressões. Eu digo que ser um músico
ou “rockstar” também é uma tarefa gloriosa,
pois você consegue tantas coisas legais, mas você
perde completamente sua privacidade e as pessoas
falam de você o tempo todo, e muitas vezes dizem
coisas ruins. Acho que esse título é muito legal e
encaixou de forma perfeita no álbum.
Roadie
Crew: Todas as musicas são bem claras em relação
ao evento histórico a que se referem, exceto Hollow
Man. Por que ela não segue a mesma linha das
demais?
Tim
Owens: Hollow Man foi originalmente escrita para o
Horror Show, mas Jon a deixou de fora do álbum. Ela
fala sobre uma pessoa que luta contra um mal
interior.Mesmo sem fazer parte do contexto histórico,
Jon achou que ela é uma musica muito forte e que
deveria constar no novo álbum. Eu concordo, pois é
uma das minhas musicas favoritas em The Glorious
Burden.
Roadie
Crew: As letras do Judas Priest nos álbuns
Jugulator e Demolition são bem variadas e não se
referem a um conceito único, mas com o Wintersbane
você lançou o álbum Heart Of a Killer e agora,
com o Iced Earth, The Glorious Burden – ambos
conceituais. Você gosta deste tipo de álbum?
Tim
Owens: Eu gosto de álbuns conceituais. Não acho
que farei isso algum dia em minha carreira solo, mas
acho que é valido que alguém o faça quando sinta
que é a hora certa para isto. No caso do The
Glorious Burden, não acho que seja um álbum
puramente conceitual.A única coisa realmente assim
que temos é a Gettysburg (1863), que é um conjunto
de três musicas narrando a mesma história. No
mais, temos uma temática básica que prevalece no
trabalho e todas as musicas estão conectadas entre
si por ela.No caso do Wintersbane, acho o Heart Of A
Killer bem legal, pois retrata uma história muito
interessante e moderna, envolvendo o juiz Cohegan,
que recebe um transplante de coração do assassino
que ele condenou à morte. Está é uma história
bem legal, gosto disso algumas vezes!
Roadie
Crew: Você mora em Ohio (EUA) e passou os últimos
sete anos de sua vida viajando muito para a
Inglaterra, terra do Judas Priest. Mas agora a sua
banda fica localizada relativamente perto de casa,
em Indiana (EUA).
Tim
Owens: Sim, foi...Mas eu gostei muito do tempo que
passei com o Judas Priest e agíamos como se fôssemos
parte da mesma família. Porém é muito legal
entrar no meu carro, dirigir umas quatro ou cinco
horas e chegar na casa do Jon. É muito mais perto!
(risos) Agora posso passar mais tempo com a minha
família, é muito bom ficar em casa mais tempo,
ficar mais tempo em terra firme! (risos).
Roadie Crew: Como o Iced Earth é dos EUA é algo
bem patriótico a introdução com o Star-Spangled
Banner para o The Glorious Burden. Mas você não
acha que isto pode causar uma reação negativa fora
dos EUA, tendo em mente que a opinião internacional
não aprova muito a maioria das atitudes do
presidente George W. Bush, e desconsiderando o fato
que o Star Spangled-Banner ficou fora da versão
européia do álbum?
Tim Owens: Sim, pode ser...Mas ao mesmo tempo
temos uma musica sobre o Barão Vermelho – e
provavelmente muito americanos não tem uma boa
impressão sobre os alemães – uma sobre as
guerras Napoleônicas, e a mesma coisa pode ser dita
em relação aos franceses. Então, este álbum
retrata partes da história. Eu vivo na América. Nós
não colocamos o Star-Spangled Banner na versão
Européia, apenas no “deluxe” que também saiu lá,
e se alguém não gosta do hino dos EUA, sugiro que
compre a versão que saiu na Europa! (risos) Mas faz
parte da coisa, como, por exemplo, a música
Declaration Day. É legal que ela esteja lá. Como
eu disse, existe muito da história Européia no álbum
e existem muito americanos que não gostam dos
europeus! (risos) Nós, na banda, estamos orgulhosos
por este trabalho e a Europa tem um grande lugar em
nossos corações. É apenas um álbum sobre história
e não tem nenhuma intenção política. O intuito
dele pé narrar os fatos da história e nada mais.
Roadie
Crew: A épica Gettysburg (1863) é otima e contem
muita emoção nas linhas vocais, uma das suas
melhores performances em The Glorious Burden. Quais
são as suas impressões sobre esta musica e como
foi a oportunidade de ouvir a sua voz junto com a
Orquestra Filarmônica de Praga?
Tim
Owens: Foi maravilhoso! Esta musica foi um dos
grandes motivos que me convenceram a entrar no Iced
Earth...É inacreditável!Quando gravei o álbum e
comecei a ouvir o resultado, tive plena certeza que
o Iced Earth era uma banda que eu poderia integrar
um dia, pois existe muita paixão nas músicas.
Ouvir a Gettysburg (1863) é como assistir a um
filme. Ela é muito legal e espero que possamos
fazer faixas assim no futuro!
Roadie
Crew: De certa forma as linhas vocais da Red
Baron/Blue Max me fazem lembrar a faixa título do
Heart Of A Killer, do Wintersbane. O que você pensa
a respeito desta similaridade?
Tim
Owens: Eu nunca tinha pensado nisso! (risos) Não
sei. Faz muito tempo que eu não ouço o Heart Of A
Killer, mas eu acho que a faixa titulo deste álbum
e a Red Baron não se parecem, não vejo muita
similaridade. Mas essa coisa de similaridades faz
parte da interpretação pessoal de cada um. As
pessoas vêem as músicas de diferentes ângulos,
então fica um pouco difícil.
Roadie
Crew: Apesar de você não ter tomado aprte do
processo de composição do The Glorious Burden, à
exceção da música Red Baron/Blue Max, as suas
linhas vocais soam com muito mais liberdade do que
nos álbuns que gravou ao lado do Judsa Priest. Você
concorda?
Tim
Owens: Mas eu escrevi justamente a Red Baron!
(risos) Acho que as minhas linhas vocais estão mais
livres, sim, pois existe mais paixão – acho que
esta é a diferença.No Judas Priest, especialmente
no Demolition, tinha muito mais estilos vocais, onde
eu cantava de muitas maneiras diferentes dentro
daquele padrão e tinha que mostrar mais o que eu
podia fazer com a minha voz, cantando em altos tons.
Isto até aconteceu um pouco no The Glorious Burden,
em musicas como Red Baron e Declaration Day, mas no
Iced Earth acho que a tendência é diferente, o
estilo de composição do Jon tende mais para a
parte melodiosa. O mais engraçado é que acho o The
Glorious Burden uma das melhores performances da
minha carreira e ele foi gravado em apenas cinco
dias, ao contrário dos meses e meses que levavam
com o Judas Priest. Mas, no caso do Iced Earth, eu já
estava familiarizado com as musicas antes de entrar
em estúdio. As do Priest eu nunca sabia com o eram
de antemão. Glenn Tipton e Jon Schaffer são
compositores muito diferentes. O Priest nunca foi
uma banda muito melódica e sempre apostou mais em
refrãos grudentos. Eu adoro o que o Glenn compõe e
todo o material que participei no Priest, mas é um
estilo diferente. Acho que o meu estilo de composição
caminha entre o Iced Earth e o Judas Priest.
Roadie
Crew: Vocês estão planejando o lançamento de um
DVD contendo tudo o que envolveu a Gettysburg (1863)
e vídeos para outras faixas. Conte-nos alguns
detalhes sobre este material?
Tim
Owens: Será um material muito legal, provavelmente
com o formato sonoro convertido para “Surround”
e apresentará tudo sobre a Gettysburg, com a letra
legendada na tela e contendo cena e explanações
interessantes sobre o tópico.Com certeza será
diferente, fugirá dos padrões básicos dos DVDs
que costumamos ver de bandas de Heavy Metal. Acho
que nossos fãs não querem ter apenas um DVD com um
show do Iced Earth, eles querem ver algo atípico e
é justamente isso que tentaremos fazer...
Roadie
Crew:The Glorious Burden foi lançado em três versões
diferentes: uma para o mercado norte-americano,
outra para a Europa e ainda em formato “deluxe”
– CD duplo com todas as musicas. Por que?
Tim
Owens: Acho que a maior razão para isso foi que o
álbum é muito grande e todas as musicas não
caberiam em um CD simples. Quando concluímos isso,
percebemos que estávamos em uma grande enrascada.,
pois teríamos que ajudas aquelas musica de alguma
forma. Então surgiu a idéia de fazermos duas versões
diferentes para o material, uma em CD duplo e uma em
simples, para quem não quisesse parar mais caro,
uns cinco dólares a mais. Depois surgiu o fato de
que os europeus provavelmente não gostariam de
ouvir o Star-Spangled Banner e a música Greenface,
que fala sobre forças especiais da marinha
norte-americana. Também pensamos que talvez os
americanos não quisessem ouvir sobre Waterloo...
Então decidimos fazer isso e ainda lançar a versão
“deluxe”, que é a completa. Acho que a maior
parte das pessoas estão comprando esta versão
“deluxe”. É o melhor mesmo, pois apenas com
alguns dólares a mais o fã terá o álbum
completo.
Roadie
Crew O Álbum saiu em Janeiro e está obtendo uma
grande repercussão mundial, contando com boas
composições em charts de diferentes países,
inclusive na Billboard. Como vocês estão encarando
estes fatos?
Tim
Owens: Acho demais! O Iced Earth sempre foi uma
grande promessa em vários aspectos e cresceu muito
a cada álbum que lançou, vendendo mais e mais cópias.
Acho que este novo é apenas mais um que continua a
afirmar esta continuidade. Acho que o crédito do
crescimento está na evolução da banda e não no
fato do ex-vocalista do Judas Priest integrar o
line-up, isto apenas ajuda. O álbum é demais e
este é o principal fator dos bons resultados. Estou
entusiasmado e ansioso para ler diferentes reviews
publicados a respeito do álbum, e quando
excursionarmos pelo mundo acho que tudo será ainda
melhor. É necessário que façamos turnês, pois
isto também influência na vendagem dos álbuns.
Espero que logo possamos ir ao Brasil, hein!
Roadie
Crew: Com certeza, tomara que seja em breve! A turnê
estava prestes a começar, mas foi adiada. O que
aconteceu?
Tim
Owens: Jon teve um problema nas costas. Ele fez um
cirurgia e decidimos que seria melhor que a turnê
fosse adiada até que estivesse completamente
recuperado. Foi uma pena, pois estávamos muito
ansiosos, que tudo começasse logo. Mas foi apenas
adiada! Esta foi a melhor coisa a ser feita, pois a
situação de Jon poderia piorar se não resolvesse
logo este problema. Com certeza foi o melhor.
Roadie
Crew: Acho que os fãs estão muito curiosos para
ouvir musicas antigas do Iced Earth na sua voz.
Tim
Owens: Com certeza! Tocaremos várias musicas
antigas, os maiores clássicos da banda, e isto será
demais! Estou muito ansioso para que isto aconteça,
acho que vai ser muito legal. Tocaremos Melancholy (
Holy Martyr), Burning Times, muitas delas!
Roadie
Crew:The Glorious Burden possui muitas músicas que
funcionarão bem ao vivo, como é o caso de
Deaclaration Day, When The Eagles Cries, The
Reckoning e Waterloo. Quais você acha que se
destacarão mais nos shows?
Tim
Owens: Acho que um grande destaque será a
Gettysburg (1863), pois faremos uma versão ao vivo
para ela e certamente soará muito legal. Esta música
é maravilhosa e tem tudo para se destacar ao vivo.
Mas eu ainda não tenho completa certeza de quais
tocaremos, quando ensaiarmos decidiremos o que será
melhor para a turnê.
Roadie
Crew: No passado o Iced Earth regravou clássicos do
Judas Priest como Screaming For Vengeance e The
Ripper…Que coincidência! Existe algumas
possibilidade de algumas destas musicas serem
tocadas ao vivo na “The Glorious Burden Tour”?
Tim
Owens: (Risos) Não. Provavelmente não tocaremos
nada do Judas Priest e focalizaremos apenas o
material próprio do Iced Earth.
Roadie Crew: Os fãs brasileiros esperam há muito
tempo a oportunidade de ver o Iced Earth fazendo
show por aqui. Será que isto acontecerá ainda em
2004?
Tim Owens: Estamos tentando fazer com que isto
aconteça. Estamos muito ansiosos para poder tocar
no Brasil, queremos excursionar por todo o mundo. Os
fãs brasileiros podem ficar tranqüilos que faremos
o máximo que pudermos para visitar o Brasil ainda
este ano!
Roadie
Crew: Em 2001, você tocou no Brasil ao lado do
Judas Priest. Você tem boas memórias do país?
Tim
Owens: Claro! Aquela turnê foi demais! Nos
divertimos muito...Inclusive, comentei com o Jon que
assim que possível deveríamos ir ao Brasil, pois
os fãs são demais, amam o Heavy Metal e fazem com
que os shows sejam inesquecíveis!
Roadie
Crew: Ouvir dizer que alguns promotores estão
planejando para o exterior uma turnê do Iced Earth
ao lado do Judas Priest ou Iron Maiden para este
ano. Isto é verdade?
Tim
Owens: Ainda não é nada concreto, mas
definitivamente adoraríamos que isto acontecesse.
Se a oferta certa acontecer será demais excursionar
ao lado de uma dessas bandas, mas por enquanto ainda
não existe nada confirmado a este respeito.
Roadie
Crew: De volta à sua saída do Judas Priest, você
acha que Rob Halford novamente integrado o line-up
eles tentarão uma volta total às raízes neste
novo álbum?
Tim
Owens: Eu não sei. É difícil dizer, existe uma
grande expectativa que o façam, mas não dá para
saber ao certo. Espero que seja um grande álbum e
que tenham todo o apoio dos fãs. O negócio é
esperar e ver o que eles farão.
Roadie
Crew: Você acha que era algo necessário para os fãs
que Rob Halford voltasse ao Judas Priest neste ponto
da carreira da banda?
Tim
Owens: Não! (risos) Acho que a banda era tão boa
comigo cantando quanto é com Halford. Eu gosto
muito deles e desejo o melhor para a carreira do
Judas Priest daqui para frente. É um trabalho muito
árduo gravas álbuns e fazer shows, e eles já estão
quase com sessenta anos! Espero que sigam em frente
ao máximo que puderem. Fico feliz por não estar lá
agora, pois estou fazendo coisas melhores do que
simplesmente ficar sentado em casa no tempo livre
esperando que a banda volte ás atividades, coisa
que sempre acontecia.Quero que tudo de melhor aconteça
para eles, pois somo grandes amigos, mas quero que
aconteçam também para min.Acho que o posto de
vocalista do Judas Priest é o lugar onde Rob merece
estar, isto é bom. Você sabe, as pessoas sempre
gostam quando o ex-vocalista volta para a banda...É
uma relação mútua: O Judas Priest precisa
do Rob Halford e este precisa deles. Naquele ponto,
não havia como ambos prosseguirem sem estarem
juntos...As vendas dos últimos álbuns de ambos não
haviam sido muito boas. Os fãs queriam isso, eu
queria isso, mas não tenho muita certeza se todas a
banda queria. De qualquer forma, agora todo estamos
felizes. Acho que o ano deles será muito excitante,
torço para que isto aconteça!
Roadie
Crew: Foi algo frustrante para você a reação
negativa que rondou o álbum Demolition?
Tim
Owens: Bem... Realmente houve reviews falando mal do
álbum, mas também falaram bem, como foi o caso da
revista Rolling Stone. Algumas pessoas falavam que o
álbum não tinha melodia, mas tem sim! Eu gosto
muito daquele álbum e agora acho que isso é o que
realmente importa para mim.
Roadie
Crew: Qual foi o ponto mais alto e mais baixo da sua
carreira ao lado do Judas Priest?
Tim
Owens: Acho que o ponto mais alto foi provavelmente,
ser nomeado para um Grammy. Foi algo muito bom para
a minha carreira. Obviamente o ponto mais baixo foi
a saída da banda, pois quando você faz parte de
algo que gosta, quer continuar naquilo. Mas eu
continuo feliz e conformado com a decisão, acho que
foi a coisa certa a ser feita. Tudo acontece por uma
razão. Nada é por acaso.
Roadie
Crew: Finalizando, quais são suas expectativas para
o seu futuro como vocalista do Iced Earth?
Tim
Owens: Definitivamente é algo que me causa muita
empolgação, no próximo álbum terei uma participação
maior ao lado de Jon e isso me deixa muito excitado.
Tenho grandes anseios, quero que este novo álbum
venda mais que os anteriores, que façamos muitas
turnês e nos divertiremos muito juntos. Também
estou muito ansioso para lançar o meu álbum solo e
me divertir muito com ele.
Transcrita por Paulo Fornazza.