2001 - Entrevista com Jon Schaffer
Iced
Earth – Personagens de Horror e o autêntico Heavy
Metal por Cláudio Vicentin.
Músicas descartáveis e modas surgem por um curto
espaço de tempo e depois apenas desaparecem das rádios
e da memória daqueles que foram fãs por alguns
dias de determinadas “bandas”. O Iced Earth é
justamente o contrário de tudo isso, uma banda que,
desde 1988 com o lançamento da Demo-Tape “Enter
The Realm”, vem mantendo-se firme no heavy metal
tradicional, passando por cima de modas que
apareceram durante esses anos como o Grunge, que
massacrou o mercado americano de onde a banda provém.
Mas o líder e guitarrista Jon Schaffer é uma
pessoa muito perseverante, como mostra essa
entrevista, e vem passando por cima de todas as
barreiras que aparecem em sua frente. O novo álbum
“Horror Show” é uma prova disso, pois mais uma
vez ele não deixou margem para que algo fosse
falado quanto à integridade da banda. “Horror
Show” já pode ser considerado um dos melhores lançamentos
deste ano, um álbum de Heavy Metal que tem uma
parte instrumental afiadíssima e um tema que remete
aos primórdios do Heavy Metal, ou seja, filmes de
horror. Batemos um longo papo com Jon Schaffer, que
já sabendo que nossa entrevista seria sobre a
carreira da banda, nos reservou um tempo especial.
Roadie Crew: Você acha muito difícil sobreviver na
cena Heavy Metal acreditando em seu próprio estilo
e fugindo das modas que infestam o cenário
norte-americano?
Jon Schaffer: Logicamente que nos Estados Unidos na
época em que comecei o Iced Earth, por volta de
1985 e 1986, o metal era muito forte para todos os
estilos. Bandas como Iron Maiden, Judas Priest, Dio
e tantas outras que realmente tocam o Heavy Metal
mais original lotavam arenas em todas as cidades.
Desde que montei o Iced Earth, quando tinha 16 anos
de idade, eu disse para mim mesmo que iria montar
uma banda para tentar ser um novo Iron Maiden, não
no sentido de estilo, mas sim de atitude. Saí de
casa para isso e comecei a batalhar muito e ainda
trabalho muito para isso. Tenho em mente o sonho de
ser uma banda realmente boa e a cada álbum acho que
estamos conseguindo mais fãs.
Roadie Crew: Acredito que o Iced Earth é uma das últimas
bandas a aparecer nos Estados Unidos fazendo o Metal
tradicional, sem frescuras.
Jon Schaffer: Bom, acho que despontamos mais para o
mundo e em nosso país de1995 para frente acredito
que realmente somo a última banda fazendo Heavy
Metal mesmo, mas eu sei que os fãs do metal ainda
estão lá e falta apenas mais apoio de todas as
pessoas ennvolvidas com o heavy metal para termos
aquela cena de volta. Eu já passei por tantas situações
difíceis com o Iced Earth, que me deixaram cada vez
mais forte, que hoje em dia quando algo de bom me
acontece, sei apreciar de uma maneira diferente,
especial. Essa banda não foi montada por dinheiro e
sim por amor ao metal.
Roadie Crew: O primeiro álbum, “Iced Earth”, é
de 1991 e tem algumas músicas que vocês tocam até
hoje, como a faixa “Colors”. Isso também mostra
que a banda, de uma maneira geral, mantém o estilo
intacto.
Jon Schaffer: Isso mesmo, de um modo geral estamos
fazendo o mesmo som há anos e é justamente isso
que buscamos. Acho que tenho uma maneira particular
de tocar guitarra e minha maior influência como músico,
compositor e pessoa sempre será Steve Harris do
Iron Maiden. Ele sempre esteve fiel ao estilo do
Iron Maiden e você pode ter certeza que já devem
ter oferecido muitas e muitas coisas para ele tornar
a banda mais acessível, mas ele nunca o fez. Ele é
um exemplo de pessoa no meio do heavy metal.
Roadie Crew: Você devia ter sido baixista...
Jon Schaffer: Sabe que eu cheguei a considerar essa
hipótese quando era ainda bem novo, mas não tinha
dinheiro para comprar um Rickenbaker novo e por isso
desisti da idéia (risos). Mas acho que acabei
acertando em ficar com a guitarra e com um baixo na
mão. Eu não toco guitarra para ser mais um dos
“guitar heroes” e sim para compor músicas, sou
um compositor e me orgulho de poder escrever da
maneira que quiser, sem gravadoras, empresários ou
amigos e fãs me dizendo o que devo fazer. Componho
primeiramente para mim mesmo e agindo dessa maneira
todos sabem que é um trabalho honesto.
Roadie Crew: No álbum “Iced Earth” temos a música
“When The Night Falls” que conta com um dos seus
riffs mais poderosos. Essa foi uma de suas primeiras
músicas?
Jon Schaffer: Não, se levarmos em conta o tempo que
a banda ainda se chamava Purgatory. Existiam muitas
músicas que eu havia composto. Voltando a 1986,
acho que nessa época eu já tinha umas dezesseis músicas
prontas para o lançamento de um álbum, mas ainda
estávamos na fase de Demo-Tapes. Resumindo, acho
que “When The Night Falls” é minha composição
preferida no primeiro álbum e por isso mesmo fechei
com ela. É uma música épica e se tornou um clássico
para os nossos fãs mais fiéis.
Roadie Crew: Você ainda tem contato com os músicos
da formação desse primeiro álbum, o vocalista
Gene Adam, o baixista Dave Abell ep baterista Mike
McGill?
Jon Schaffer: Mike eu vejo sempre e somos muito
amigos. Gene Adam eu não tenho visto há muito
tempo, mas acho que ele é hoje motorista de caminhão
pelas estradas americanas e vivem em Tampa, na Flórida.
Já o baixista Dave está vivendo com sua família e
trabalhando para uma empresa aérea, ou seja,
abandonou a música. Mas, na verdade, eu não
comecei a banda com essas pessoas, pois quando eu saí
de casa com 16 anos, existia apenas uma pessoa que
estava comigo desde o início que era um baterista
chamado Greg. Ele saiu antes mesmo de assinarmos
qualquer coisa e, desde então, venho controlando
totalmente a banda. Encontrei esses músicos quando
fiquei morando um tempo na Flórida e, obviamente,
que as mudanças que aconteceram sempre foram para
melhor.
Roadie Crew: O Segundo álbum “Night Of The
Stormrider” (1992), é um álbum conceitual sobre
religião. Você prefere escrever álbuns
conceituais?
Jon Schaffer: Sim, o “The Dark Saga” também é
um trabalho conceitual e eu gosto muito de criar álbuns
dessa maneira. Muita gente acha que o novo álbum,
“Horror Show”, também é conceitual, mas na
verdade é um trabalho que tem um tema central,
focado em contos de horror, mas as dez músicas tem
diferentes histórias.
Roadie Crew: “Night Of The Stormrider” contou
também com um novo baterista, Richey Secchiari, e
um novo vocalista, John Greely. Qual foi o motivo da
saída de Gene Adam e Mike McGill?
Jon Schaffer: Na verdade eu os despedi porque sabia
que Gene nunca iria cantar as músicas da maneira
que eu achava que seria o ideal para seguir as
melodias que eu criava. Ele nunca teve aulas de
canto e nem se cuidava durante uma turnê. Já Mike,
após a volta de uma turnê que fizemos na Europa,
começou a beber todos os dias e isso afetava os
ensaios e shows.
Roadie Crew: Quais as músicas que obtiveram
melhores resultados no álbum “Night Of The
Stormrider”?
Jon Schaffer: Acho que vindo dos fãs durante esse
anos, as músicas “Angel’s Holocaust” e
“Traven In Stygian” são as melhores e também
as mais populares.
Roadie Crew: O vocalista John Greely e o baterista
Richey apenas gravaram o “Night Of The Stormrider”,
sendo que para o terceiro álbum, “Burnt Offerings”,
você já estava com o vocalista Matthew Barlow e o
baterista Rodney Beasley. Você acha que é difícil
tocar no Iced Earth ou você não tem tido sorte em
achar as pessoas certas?
Jon Schaffer: Acho que é muito difícil achar os músicos
que realmente focam sua vida para a banda. Eles até
fariam isso se a banda já estivesse dando muito
dinheiro e com uma situação bem estabilizada, mas
isso requer sacrifícios e, então, quando percebem
que nada acontece da noite para o dia, desanimam e
automaticamente se desligam.
Roadie Crew: Mas nessa mudança você achou que o
vocalista Matthew Barlow, que é seu parceiro até
hoje em dia. Você pôde perceber isso já naquela
época?
Jon Schaffer: Sim! Ele tinha uma personalidade muito
boa e atitude. Mas devo ser honesto, pois no começo
não estava muito feliz com sua voz e sim com a sua
atitude. É só você ouvir o álbum “Burnt
Offerings” e depois o “The Dark Saga” para
notar a grande diferença de como Matthew canta.
Logo após seu primeiro álbum conosco ele começou
a ter aulas de canto e se dedicava muito. Em um ano
melhorou demais e no “The Dark Saga” realmente
começou a se tornar um vocalista de heavy metal.
Outra coisa muito importante é que Matthew não tem
problemas com as drogas, álcool ou mesmo pessoais e
isso já é meio caminho andado. Agindo dessa
maneira, hoje ele é peça importante na banda,
tanto que até deixei-o casar se com minha irmã
(risos). Hoje ele já faz parte da família e agora
é meu cunhado.
Roadie Crew: Agora também você não pode mais
despedi-lo.
Jon Schaffer: Não, mas isso nem passa pela minha
cabeça (risos). Ele não é problema dentro da
banda e sim solução, uma pessoa muito responsável.
Roadie Crew: O álbum “Burnt Offerings” foi lançado
em 1995. Por que levou três anos para esse trabalho
sair após a boa recepção do “Night Of The
Stormrider”?
Jon Schaffer: Por que eu acho que nessa época,
realmente descobri como funciona uma gravadora e
toda as merdas que elas fazem com uma banda. Estávamos
sendo muito explorados e aquilo tudo me incomodava
demais. Então disse que não iria mais gravar mais
nenhum álbum enquanto não acertássemos alguns
detalhes. Isso fez a gravadora montar um novo
contrato mas, até então, levou um bom tempo para
eles perceberem que eu não estava de brincadeira.
Pegamos os direitos de merchandising de volta e isso
foi importante na época porque, pelo menos, voltávamos
para casa após uma turnê com algum dinheiro no
bolso, entre outras coisas. Foi uma época bem difícil,
mas nada que me fizesse desistir.
Roadie Crew: A música “Dante’s Inferno” tem
16 minutos. Qual foi sua inspiração inicial para
cria-la?
Jon Schaffer: Foi apenas uma tentativa de descrever
algo totalmente épico sem soar chato. Uma música
com esse longo tempo de duração tem que ser
escutada de uma maneira que você nem perceba que se
passaram 16 minutos e acho que consegui fazer isso.
Fico ainda mais feliz porque a tocamos na Grécia a
pedido dos fãs.
Roadie Crew: E com as trocas de formação acaba
ficando mais difícil ainda incluí-la no set-list
de um show, concorda?
Jon Schaffer: Acho que não, pois com a formação
do “Alive In Athens” ela acabou ficando ainda
melhor do que com a formação que a gravou em estúdio.
O maior problema com essa música hoje é que você
faz um show de mais ou menos uma hora e meia e tocar
uma música com 16 minutos fica difícil porque
ainda temos que apresentar as músicas novas e
outras que os fãs também pedem.
Roadie Crew: O quarto álbum, “The Dark Saga”,
foi inspirado na série do Spawn. Você concorda que
a técnica foi deixada um pouco de lado para que você
criasse algo mais específico, mais melódico e
emocional para a história do álbum?
Jon Schaffer: Sim, porque estamos contando uma história.
Quando eu li o livro, deixei que as composições saíssem
da maneira como a história me inspirava, como eu
estava me sentindo no momento e isso é gravar um álbum
conceitual.
Roadie Crew: “The Dark Saga” foi o primeiro
album do Iced Earth a realmente chamar a atenção
no Brasil. Você acha que esse mesmo fato aconteceu
em muitos lugares ao redor do mundo?
Jon Schaffer: Sim, mas acho que muito mais pelo
marketing que foi feito na época. A gravadora
Century Media começou a ter melhores condições e
isso acabou refletindo na expansão do nome da
banda. Antes, eles praticamente se dedicavam apenas
ao mercado alemão e japonês, mas aquela época
começaram a perceber que existiam muitos lugares no
mundo onde poderiam vender cds e então, os Estados
Unidos e o restante da Europa começaram a ser
valorizados também.
Roadie Crew: Nessa época parece que vocês
preferiram trocar de baixista e Dave Abell deixou
sua vaga para Keith Mander, certo?
Jon Schaffer: Isso mesmo. Achávamos que para a turnê
teríamos que arrumar um baixista e, então, Keith
foi a pessoa escolhida. A gravadora queria uma turnê
mais abrangente e Dave não estaria apto para isso.
No final das contas, Keith acabou nos ferrando. Ele
teve cinco dias para tirar as músicas e achamos que
estava tudo certo. Quando chegamos da Europa, onde
havíamos feito algumas entrevistas, tínhamos
agendado entrevistas nos Estados Unidos, algumas
delas com “show cases”. De repente ele não
sabia as músicas e eu lhe perguntei se estava
pensando que eu iria ensiná-lo a tocar (risos). Em
um minuto ele estava fora da banda. Foi nessa época
que chamamos o baixista James MaDonough. Ele já
havia feito alguns testes e conhecia as músicas.
Disse-lhe que era sua grande chance.
Roadie Crew: No encarte do album “The Dark Saga”
podemos perceber que o guitarrista Randall Shawver,
que era o músico mais antigo da banda após você,
perdeu espaço para Matthew, que aparece com mais
destaque. Você já estava sentindo que Matthew
realmente se tornaria seu grande parceiro e que
Randall estava para deixar a banda?
Jon Schaffer: Acho que nessa época Randall estava
mudando de personalidade, estava ficando mais velho
e suas idéias já não eram como antigamente. Ele
era alguns anos mais velho que eu e já não sentia
o mesmo pique que antes. Estava de saco cheio de
viver no meio da música e todas as coisas burocráticas
que cercam essa vida. Matthew era bema o contrário
e, naquele momento, eu realmente percebia que ele
estava muito dedicado e que poderia vir a se tornar
um excelente vocalista. Talvez, por ter colocado
Matthew em melhores condições no encarte do album,
eu tenho apressado a saída de Randall por causa de
ciúmes, mas já sabia que seria algo inevitável.
Roadie Crew: Quais são suas músicas preferidas no
“The Dark Saga”?
Jon Schaffer: “A Question Of Heaven” foi a
primeira música que escrevi para esse álbum e é a
minha preferida. Sei que muitos fãs adoram a faixa
“I Died For You” que também é muito boa, mas
tenho uma admiração pela “A Question Of Heaven”,
acho que ela resume esse álbum e também é uma das
melhores músicas que eu criei até hoje.
Roadie Crew: Então vocês lançaram a coletânea
“Days Of Purgatory”, em 1997. Foi uma idéia da
gravadora ou da banda?
Jon Schaffer: Foi uma decisão de ambas as partes.
Eu comecei a ter idéia de lançar um EP com algumas
coisas inéditas e eles começaram a crescer com a
idéia até chegarmos ao consenso de lançarmos uma
coletânea dupla. Para melhorar a produção tivemos
até que regravar, em algumas músicas, as partes de
baixo e bateria para o material mais antigo, mas as
guitarras são originais. Os vocais de Matthew também
foram regravados para as músicas que foram
compostas antes dele entrar para a banda.
Roadie Crew: Parece que o nome “Days Of Purgatory”
tem um grande significado para você, porque
Purgatory foi o primeiro nome da banda e também
simboliza os tempos difíceis que você passou para
estabilizá-la no cenário.
Jon Schaffer: Isso mesmo, eu acho que a escolha do
nome foi bastante feliz. Na verdade quem teve a idéia
final foi um funcionário da Century Media. Ele veio
com o nome Purgatory por saber que ligava ao nosso
primeiro nome e eu acrescentei Days, por tratar-se
de uma coletânea que abrange os dias difíceis.
Roadie Crew: Para o álbum seguinte, “Something
Wicked This Way Comes” (1998), o guitarrista
Randall não estava mais com a banda. Sendo ele seu
parceiro de longa data, como foi tirá-lo do
esquema?
Jon Schaffer: Na verdade foi meio a meio. Ele estava
meio que a fim de sair e eu estava também pensando
em sua saída da banda.
Roadie Crew: Para esse álbum, como membros efetivos
da banda estavam você, Matthew e o baixista James
McDonough, já que o guitarrista Larry Tarnowski e o
baterista Mark Prator entraram como convidados.
Jon Schaffer: Isso porque Mark é um baterista de
estúdio, ele prefere trabalhar em estúdio e quanto
a Larry nós o chamamos para a gravação dos solos.
Mas vale lembrar que hoje Larry é integrante
permanente na banda, faz parte da formação do Iced
Earth. Ele tem apenas 21 anos de idade e desde novo
já escutava Iced Earth, além de ser um guitarrista
muito talentoso.
Roadie Crew: Desde o álbum “The Dark Saga” você
começou a gravar seus álbuns com o produtor Jim
Morris e antes era com Tom Morris. Eles são irmãos?
Jon Schaffer: Sim, eles começaram a trabalhar
juntos desde 1995 e, cada vez mais, o estúdio deles
vem sendo requisitado pelas bandas de metal em todo
o mundo.
Roadie Crew: Você algum dia já pensou em gravar um
álbum do Iced Earth em outro estúdio e com outro
produtor?
Jon Schaffer: Nunca! Não vejo nenhuma razão para
fazer essa mudança porque, antes de tudo, Tom e Jim
Morris são algumas das pessoas mais honestas nesse
mundo podre dos negócios e isso significa muito
para mim. Eu faço algumas coisas no estúdio em
minha casa, mas acho que sempre irei contar com a
ajuda deles.
Roadie Crew: “Something Wicked” tem músicas bem
pesadas, como “Burning Times” e “Stand Alone”
e, ao mesmo tempo, músicas mais lentas como
“Melancholy (Holy Martyr)”. Você concorda que
esse é o álbum mais diversificado da banda?
Jon Schaffer: Concordo, existem muitas atmosferas
diferentes nesse trabalho, provavelmente o álbum
com mais baladas e ao mesmo tempo mais melodias também.
Foi algo importantíssimo em nossa carreira porque
estávamos vindo de um “The Dark Saga” e precisávamos
provar que realmente tínhamos competência para
manter a banda em um patamar elevado. Acho que
conseguimos.
Roadie Crew: Música como “Stand Alone” e “My
Own Savior” acredito que mostrem exatamente sua
forma de tocar, com aquelas palhetadas rápidas,
certo?
Jon Schaffer: Sim, adoro essas músicas e elas
mostram minha maneira de tocar desde quando comecei
a realmente saber o que era criar um riff de
guitarra. Nada como um som de guitarra extremamente
heavy metal (risos). A música “My Own Savior”
é um de minhas preferidas.
Roadie Crew: A música “Prophecy” tem uma
entrada excelente e mostra que, na realidade, sua
irmã casou-se foi com Paul Stanley...
Jon Schaffer: (risos). Isso mesmo. Desde a primeira
vez que escutei a voz de Matthew percebei que ele me
lembrava alguém. Logo saquei que era o Paul Stanley
do Kiss. E não é algo forçado, porque ele nem é
influenciado pelo Kiss e só começou a ouvir
algumas músicas deles depois de entrar no Iced
Earth. Eu adorei isso porque sempre gostei de Kiss e
agora temos um vocalista com uma voz marcante como a
de Paul Stanley.
Roadie Crew: Recentemente foi lançado o EP
“Melancholy” e existe a música “Colors”,
gravada ao vivo e que faz parte da seção do
“Alive In Athens”. Você tem mais músicas ao
vivo guardadas?
Jon Schaffer: Não e na verdade, o fato da música
“Colors” não aparecer no “Alive In Athens”
foi um erro meu. Quando enviei a lista para o estúdio
Morrisound esqueci de incluir esta música e então
eles não colocaram na fita máster (risos). A única
vantagem foi que ela serviu para esse EP.
Roadie Crew: São poucas as bandas que têm a
capacidade e a oportunidade de lançar um álbum
triplo ao vivo. Você considera o “Alive In Athens”
um marco na carreira do Iced Earth?
Jon Schaffer: Com certeza temos muito orgulho desse
álbum, não só por ele ser triplo, mas por ter uma
energia verdadeira. Os fãs estavam lá e sabiam
cada nota que ecoava pelo PA. Os fãs mereciam algo
realmente especial para captar o que é um show do
Iced Earth, toda a atmosfera. Tivemos muito trabalho
para ensaiar para aqueles shows porque muitas bandas
quando lançam um álbum ao vivo precisam gravar vários
shows e pegam apenas as melhores performances, mas o
nosso foi resultado de apenas duas noites. Mudamos o
set-list de uma noite para outra, apenas mantendo as
músicas mais famosas como, por exemplo “Melancholy”,
“I Died For You” e “Watching Over Me”. Para
você ter uma idéia foram mais ou menos 14 horas de
ensaios diários em seus dias para gravarmos o
“Alive In Athens”, mas valeu a pena e a reação
dos fãs da Grécia foi demais.
Roadie Crew: Sabe que a reação de um show do Iced
Earth no Brasil deverá ser a mesma que a da Grécia?
Jon Schaffer: Se isso acontecer será demais porque
na Grécia foi algo que nunca havíamos sentido
antes em cima do palco. Em breve poderemos tirar a
prova (risos).
Roadie Crew: Como surgiu a idéia de citar contos de
terror, como Jack o Estripador, A Múmia, Drácula,
Frankesteim, entre outrosm para a temática central
do novo álbum, “Horror Show”?
Jon Schaffer: A segunda Demo-Tape do Iced Earth foi
batizada com o nome de “Horror Show”. Então
como se pode perceber faz tempo que eu tinha essa idéia
em mente, mas antes eu ainda estava com uma idéia
de colocar mais um álbum conceitual, baseado na
trilogia que existe dentro do álbum “Something
Wicked” na música “Something Wicked Trilogy”.
Mas, quando decidi que esse seria o último álbum
pela gravadora Century Media, resolvi mudar os
planos e colocar algo realmente diferente. Por isso
resolvi guardar a ie’dia da trilogia que deverei
lançar no próximo álbum e que virá acompanhado
de um livro. Foi aí que pensei sobre o tema de
horror e seus personagens para esse novo trabalho,
pois, além da história de nossa Demo, em 1997 eu
estava a fim de lançar um EP com umas cinco músicas
voltadas para o tema de horror, mas acabou não
acontecendo porque já havíamos lançado a coletânea
dupla. Basicamente foi isso.
Roadie Crew: O novo álbum inteiro está matador,
mas algumas músicas como “Damien”; “Jack” e
“Dragon’s Child” são acima da média. O que
você realmente espera em termos de resposta desse
álbum?
Jon Schaffer: Espero realmente que seja o início do
crescimento definitivo da banda. Acho que o Iced
Earth vem numa crescente constante e estamos naquela
fase que precisamos nos tornar uma banda de respeito
em todo o mundo e espero que possamos chegar a um nível
de banda grande, especialmente na Europa onde já
estamos batalhando há anos.
Roadie Crew: “Transylvania” do Iron Maiden foi
uma grande oportunidade para fazer uma cover, pois
se encaixa perfeitamente com o tema do álbum.
Jon Schaffer: Verdade, desde que comecei a colocar
as idéia e compor para o novo álbum, estava com a
idéia de tocar a “Transylvania”, uma música
que marcou e muito minha infância.
Roadie Crew: Lembro que eu estava no festival
“Gods of Metal de 2000” e conversei com você no
backstage do show. Você estava com o Demons &
Wizards e era a banda de abertura para o Iron Maiden.
Na ocasião, você disse que estava entusiasmado em
abrir para o Maiden, algo como um sonho sendo
realizado e que logo após seu show, você iria
correr para assisti-los.
Jon Schaffer: Isso mesmo. Lembro que até você me
deu algumas revistas Roadie Crew com o Iced Earth na
capa. Bom, todos sabem de minha admiração por
Steve Harris e eu estava ansioso naquela noite, não
só pelo show do Demons & Wizards, mas também
por poder assistir o Iron Maiden. Foi memorável
porque era a turnê do álbum novo e com o Bruce,
foi um show de arrepiar, o clima estava perfeito.
Roadie Crew: No “The Horror Show”, quem faz a
voz feminina na música “The Phantom Opera Ghost”?
Jon Schaffer: É uma cantora lírica que mora em
Minneapolis nos Estados Unidos. Quando eu estava
procurando por uma cantora feminina conversei com
Ritchie, o guitarrista que fez a turnê do Demons
& Wizards comigo, e ele acabou indicando essa
cantora. Ela não é conhecida e apenas faz poucos
shows pela região onde mora, mas dá para perceber
que tem um potencial incrível e canta muito bem.
Roadie Crew: Como você vê essa formação do Iced
Earth, com Richard Christy na bateria e Steve
DiGiorgio no baixo, apesar dele ter saído da banda?
Jon Schaffer: Richard havia tocado comigo na turnê
do Demons & Wizards e acabou sendo um processo
natural vir para o Iced Earth. Ele gravou o mais
recente álbum do Death e depois o Control Denied,
mas com o os problemas que Chuck vem atravessando
ele estava parado. Quem deu a idéia de gravarmos
com Steve DiGiorgio no baixo foi o produtor Jim
Morris. Liguei para ele e acertamos tudo, mas agora
ele já está fora da banda.
Roadie Crew: O que realmente aconteceu?
Jon Schaffer: Ele simplesmente mentiu pelas costas e
isso é uma coisa que não posso aceitar. Fizemos um
acordo de que ele iria gravar o álbum, fazer as
turnês promocionais e tocar na turnê do álbum e
ele disse que por ele estava tudo bem. Logo que
terminamos as gravações, marcamos as sessões de
fotos promocionais e estava tudo certo até aquele
momento. Após as fotos, eu e meu empresário começamos
a agendar a turnê da banda e então ligamos para
todos para explicar por onde iríamos começar e por
quais países iríamos passar, essas coisas todas.
Somente não achamos Steve e ficamos ainda umas
cinco semanas ligando para ele sem obter qualquer
resposta. Obviamente, percebi que algo estava errado
e então recebemos um fax de um empresário dele
dizendo que Steve teria que fazer outras gravações
e muitas outras mentiras. Confesso que se eu pudesse
voltar tudo não o teria colocado na banda, faria
isso sem dúvida.
Roadie Crew: Você acha que isso tem alguma ligação
com o Testament, banda na qual o Steve toca
atualmente?
Jon Schaffer: Não sei. Na verdade acho que não,
porque o Testament está parado no momento e nem as
Regravações de seus álbuns anteriores que estavam
previstas para acontecer não estão rolando. Chuck
Billy está com problemas de saúde. Bem, de
qualquer maneira eu não acredito mais no Steve,
mentiu uma vez para mim, está tudo acabado. E nem
com o Control Denied ele irá gravar porque Chuck
está doente de novo e está gastando todo o seu
dinheiro com as contas em hospitais, tanto que eles
pretendem terminar o álbum quando possível, no próprio
estúdio de Chuck.
Roadie Crew: A foto do álbum promocional ainda tem
Steve DiGiorgio, mas as fotos que recebemos da
gravadora estão sem Steve e dá para perceber que
ele foi tirado delas. Foi você quem ordenou?
Jon Schaffer: Isso mesmo. Ele está querendo apenas
usar a banda para promoção própria e eu não vou
ajudá-lo. Acho que até um dos motivos para ele
demorar tanto para responder meus telefonemas foi
para tentar manter suas fotos no álbum e seu nome
como integrante da banda, mas se essa era a intenção,
ele falhou porque seu nome estará como músico
convidado e não terá fotos com ele na formação.
Roadie Crew: Agora parece que o baixista James
McDonough será recrutado para a turnê.
Jon Schaffer: Exato. Quando James ficou sabendo do
ocorrido, me enviou um e-mail perguntando se havia
uma segunda chance para ele. Acho que ele está bem
preparado agora para encarar a banda a sério. Falei
que para a turnê ele estava dentro, mas o futuro
dele na banda iria depender de suas performances.
Ele gostou da idéia e fechamos assim. Na verdade,
apenas eu e o Matthew somos integrantes permanentes
na banda e o resto pode mesmo variar a cada álbum.
Roadie Crew: Voltando ao álbum, a capa está
sensacional.
Jon Schaffer: Obrigado. A arte interna também está
muito boa, a capa mesmo é apenas o começo e
estaremos também colocando uma versão dupla com
uma entrevista e mais algumas coisas, um lançamento
limitado para a Europa e para os Estados Unidos. Não
sei se vai sair assim no Brasil.
Roadie Crew: Como você analisa o trabalho da
Century Media com o Iced Earth? Eu tinha essa
pergunta na pauta e você já adiantou que estará
deixando a gravadora após esse álbum..
Jon Schaffer: Está muito melhor do que já foi, mas
não acho que eles são capazes de colocar a banda
onde ela deveria estar. Meu sonho é de colocar a
banda em todo o mundo de uma maneira bem forte e
acho que eles não são tão fortes o suficiente
pata isso acontecer e por isso é hora de mudanças.
Roadie Crew: Quando vocês começam a turnê?
Jon Schaffer: Provavelmente em agosto nos Estados
Unidos, depois Europa e, ainda esse ano, esperamos
ir à América do Sul.
Roadie Crew: Vocês estão planejando algo especial
para o cenário dos shows, usando os personagens
citados nas letras?
Jon Schaffer: Estamos planejando tudo isso e nem
posso contar ainda porque será uma surpresa. Na
Europa não teremos banda de abertura e faremos um
show de três horas de duração.
Roadie Crew: Vocês pretendem ter um set-list
diferente para a turnê no Brasil por tratar-se de
uma primeira visita?
Jon Schaffer: Sim, vai ser um set-list diferente,
mas também um show completo com as três horas de
duração. Na Europa teremos um set-list e para os
Estados Unidos e América do Sul outro.
Roadie Crew: E o Demons & Wizards? Você e Hansi
Kursch pretendem lançar outro álbum?
Jon Schaffer: Sim, a experiência foi muito satisfatória,
conseguimos uma repercussão muito forte na Europa
com os shows, bem como com a relação às vendagens
em todo o mundo. Iremos gravar outro álbum, mas
somente no ano que vem, porque tanto o Iced Earth
como o Blind Guardian estão ocupados no momento com
seus álbuns de estúdio.
Transcrito
por Alexandre X. Bongestab.