2005 - Entrevista com Hansi Kursch (Demons & Wizards)

Demons & Wizards é o projeto do vocalista Hansi Kursch (Blind Guardian) e do guitarrista John Scaffer (Iced Earth). Depois de diversos anos de silêncio, este projeto volta com seu segundo álbum, "Touched By The Crimson King". Sem hesitar, eu aceitei a proposta de entrevistar Hansi aqui em Atenas debaixo do sol escaldante (ah sim, Hansi sentiu isso, realmente!)...

Hansi vamos começar falando sobre quanto tempo o processo todo para esse disco levou...

Bem, nós temos que separar as coisas. A composição das canções não demorou muito. Eu trabalhei por 4 semanas nos vocais enquanto os arranjos básicos levaram aproximadamente quatro semanas. Demorou muito para lançarmos esse segundo disco por que nós nunca tínhamos o tempo de sentar e trabalhar nele. John e eu, nós temos muitos compromissos com nossas bandas. Depois do lançamento do primeiro disco, levou dois anos antes de considerarmos a possibilidade de fazer um seguindo!

John me mostrou alguns arranjos básicos no começo de 2003, mas eu não pude responder até o fim desse mesmo ano. É claro que nesse tempo eu pude ouvir o material e começar a criar algumas idéias na minha cabeça para os vocais. Eu acho que nesse sentido o novo disco é mais maduro que o primeiro. Quando comecei a trabalhar nesse disco, John estava totalmente sem tempo pra qualquer coisa. Quando John foi forçado a parar a turnê por causa do seu problema de saúde, usamos esse intervalo para nos juntarmos, finalizarmos as composições e fazer a produção. Posso dizer que a finalização das músicas levou quase duas semanas. Demos uma parada de quatro semanas e então fomos para o estúdio.

Nós usamos o estúdio do Jim Morris em Tampa, Florida, as gravações levaram quase duas semanas e nós também gastamos algo em torno de 12 dias para mixar o material novo.

Seu primeiro álbum foi muito elogiado pela imprensa e se não me engano ele realmente vendeu muito bem. Você esperava tanto sucesso e isso causou algum stress para o segundo álbum?

Primeiramente, realmente o disco vendeu muito bem. Quando fizemos o disco, nós sabíamos que tinhamos algo realmente bom nas mãos. As músicas pareciam realmente fortes e nós temos uma ótima química como compositores. Nós também sabíamos que nossas bandas estavam numa posição de sucesso no Heavy Metal, ou pelo menos na época. Então era meio óbvio que teríamos algum sucesso.

Porém, como você mesmo disse, foi um disco de estréia. E já que foi uma estréia de membros do Iced Earth e do Blind Guardian, sabíamos que as expectativasseriam muito altas, e até certo ponto, isso não era justo. As pessoas não entendem que leva tempo até haver química entre os compositores e isso não é algo que você pode mudar. Leva tempo. Esse foi o começo do projeto... no fim, porém, acho que fizemos bem [risos].

Você acredita que os dois álbuns têm muitas diferenças ou "Touched By The Crimson King" é a evolução natural do seu som?

Eu acho que qualquer um que ouvir canções como "Crimson King" ou "Gunslinger" vai perceber que elas são um desenvolvimento natural em nosso som. Acredito que qualquer um que ouvir o disco novo não vai ter dúvidas...é isso o que você tem se Hansi e John para trabalhar juntos. O primeiro disco foi uma fusão da música de duas bandas diferentes e o mesmo vale para o segundo disco, só que desta vez é algo mais maduro e elaborado.

É difícil para duas personalidades fortes como você e John sentarem e trabalharem juntos sem um matar o outro?

Posso te garantir que isso foi muito legal, nós somos pessoas bem pacíficas [risos]. Isso tem a ver com entendimento. John é muito sincero, ele oferece o melhor e pede o melhor. Nós nos respeitamos e entendemos que temos nossas diferenças. Enquanto respeitamos as diferenças alheias, não existem problemas. Nós temos a mesma opinião sobre muitas coisas. Claro que quando havia alguma decisão a ser feita a respeito dos arranjos, John tinha a palavra final, e eu tinha a palavra final nos detalhes sobre os vocais.

Ele deixou Tampa quando eu comecei a gravar meus vocais e voltou quando eu terminei. Então, isso pede muita fé e confiança de cada um. Damos um ao outro liberdade o suficiente...

Você vê o Demons & Wizards como um projeto ou existe a possibilidade de se tornar uma banda de tempo integral? Você vai começar a lançar álbuns com mais freqüência?

Bem, pessoalmente, estou acostumado a lançar discos a cada cinco ou dez anos [risos]. Além disso, de que adianta lançar um disco por ano se ele não é bom o suficiente? O Blind Guardian leva bastante tempo para lançar discos, então isso é normal pra mim. Se você se concentrar na sua música, não importa quanto tempo ela levará pra ser lançada. Sim, nós queremos lançar um disco novo logo, mas isso depende do tempo na agenda das duas bandas principais e no quão rápido nós poderemos ser.

Nós consideramos o Demons & Wizards como uma banda e não como um projeto. O problema é que nós somos os únicos membros realmente da banda. Jim Morris pode ser considerado um terceiro membro mas ele não pode nos seguir em turnê.

Sobre os assuntos técnicos. Vai haver edições limitadas para o novo disco, e vocês farão um videoclipe?

Vamos fazer um vídeo para "Terror Train", e isso vai ser no mês que vem. Vai haver a versão digipack com um segundo CD. O segundo CD vai ter duas músicas não incluídas no disco, uma chamada "Lunar Lament" e a outra "Special Architect" [Nota: OK, não tenho certeza sobre o segundo título, desculpem]. As duas são composições muito boas mas não ficamos muito satisfeitos com a produção nelas. Há também uma versão lenta de "Wicked Witch" que aconteceu por acidente... não me pergunte sobre isso [risos]. Há também uma versão editada de "Beneath These Waves". Era pra ser o vídeo para o disco, mas mudamos de idéia na última hora.

Além de colaborar com John você tem aparecido em alguns outros discos. Existem outros músicos com quem você gostaria de trabalhar?

Pra ser honesto com você, não. Estou muito feliz com as pessoas com quem estou trabalhando agora. Se alguém vier até mim com músicas que eu realmente gostar, vou considerar a possibilidade. É sempre legal trabalhar com gente nova, mas infelizmente não tenho luxo do tempo para fazer isso.

Sua canção favorita no novo álbum é...?

Eu diria "The Gunslinger" pois é a perfeita combinação do Iced Earth com o Blind Guardian.

Existe alguma chance de vermos uma turnê do Demons & Wizards?

No momento, não. Além de não termos uma formação completa, nós realmente não temos tempo para fazer uma turnê. As duas bandas consomem muito tempo e mesmo se tivéssemos uma pequena brecha na agenda, nós teríamos que sacrificar as férias de nossas bandas para entrar em turnê. Estou muito velho pra isso! [risos]

Você já teve sucesso em muitas coisas com o Blind Guardian e o Demons& Wizards. Existe ainda algum sonho não realizado?

Claro. Enquanto estivermos nisso sempre haverá novos objetivos a realizar. Eu gostaria de ver as duas bandas se tornarem maiores e mais fortes.

Obrigado pelo seu tempo. Termine a entrevista com uma mensagem para nossos leitores...

Para os leitores da Metal Temple eu diria para conferirem o novo álbum do Demons & Wizards, e contem com o novo álbum arregaçador do Blind Guardian, e continuem agitando.


Transcrito por Antônio Neto.