2005 - Entrevista com Jon Schaffer
"Antes mesmo de nossa entrevista iniciar, Jon e eu (Rich) falamos um pouco sobre
um livro que está comigo chamada “A Guerra Civil, Batalhas e Líderes”. Jon deu
uma olhada por cima no livro, que tem 94 páginas sobre a Guerra e comentou o
fato da maioria das ilustrações ele gostaria que estivesse no “The Glorious
Burden” Uma pintura em particular chamada “Limpar o Caminho” feita por Don
Troiani, ele gostou muito como uma capa alternativa para o disco. O Jon têm
algumas dessas pinturas em casa.
TSM: O que significa o título do novo disco do Demons and Wizards chamado
“Touched by the Crimson King”?
JON: Liricamente foi idéia do Hansi (cantor do Blind Guardian) se baseando na
série do Stephen King “Dark Tower”. Eu não posso comentar sobre isso porque
nunca fui muito chegado e não posso falar de forma inteligente sobre o assunto
porque eu nunca li a série.
TSM: O Hansi compõe a música com você?
JON: Não de fato, mas nós discutimos sobre os arranjos, tipo, conversamos sobre
refrões e melodias. Escrevemos quatro músicas cara a cara para o novo disco. Os
arranjos básicos eu escrevo e mando para ele. Hansi então trabalha na melodia e
na letra e depois finalizamos tudo. Ele desenvolve todas as letras.
TSM: Quando você compõe para o Demons, você escreve no estilo do Blind Guardian?
JON: Não, isso nunca me vem à mente. A única coisa que separa uma música do
Demons ou uma música do Iced Earth que eu co-escrevi com alguém é que eu não
criei as melodias vocais. A maioria do material do Iced Earth rápida ou furiosa,
especialmente se tenho um tema específico, tipo “Gettysburg”, então se eu tenho
um tema específico, é aí que eu escrevo só para o Iced Earth apenas. Se há
coisas como arranjos musicais e partes que eu acho legal, mas que não encontro
uma melodia, então guardo a idéia para alguém depois trazer algo bem legal e
talvez isso vá inspirar alguém. É assim que eu escrevo para o Demons e
co-escrevo para o Iced Earth.
Se uma pessoa escuta o Demons & Wizards e eles dizem: “Bem, isso soa muito como
o Iced Erth”, então elas não estão escutando direito. Se você se concentrar nos
vocais do Demons & Wizards, sim, talvez se pareça com o Iced Earth, mas quando
falamos nas melodias vocais, aí sim é o Demons. Hansi tem um estilo vocal
desafiador para a minha música, pois quando o guitarrista do Blind compõe, ele o
faz em tons diferentes dos meus. Quando o Hansi escreve melodias vocais para o
Demons, é muito mais obscuro do que você escutaria com o Blind. Sempre vai ter
aquela aura majestosa, mas bem mais obscura. O Hansi para mim é tipo o Freddie
Mercury do metal e ninguém soa ou faz como ele, muitas pessoas tentam, mas ele é
o mestre. Ele não escreve as passagens instrumentais do Blind Guardian também, o
André faz. O que ele faz vem depois, pois a música sempre dita o que as linhas
vocais irão fazer, a mesma coisa acontece com o solo de guitarra. Cria seu
próprio monstro e muitas pessoas não vão apontar que o Demons tem sua própria
sonoridade tipo que o novo disco tem um q de Blind Guardian, mas musicalmente
não tem nada a ver com eles. Sabe, muitas pessoas serão superficiais e irão
dizer: “Tem bumbo duplo e partes vocais do Blind Guardian” e isso está tão
errado... Acho que não é o tipo de coisa que você deve escutar se não consegue
perceber a diferença. Sim, há elementos similares, mas quando juntamos nossos
estilos, soa totalmente diferente. Ainda não fiz muita divulgação na mídia, mas
acho que você é a primeira pessoa que realmente escuta o projeto e realmente
consegue distinguir que não é nem Iced Earth e nem Blind Guardian.
TSM: Fale um pouco sobre o conceito por trás da capa. Tem um lado de revistinha
em quadrinhos ao oposto da arte do primeiro disco. Alguma razão por essa mudança
de direção?
JON: Nós não tínhamos conceito algum para a capa. Se você consegue olhar como um
todo para a obra de arte, a idéia foi de combinar todos os elementos das músicas
no padrão de ficção científica, meio de terror, coisas desse tipo. Tem algo do
“Senhor dos Anéis”, um alien, um lance da “Torre Negra”, o trem to terror, o
olho do Rei Crimson, o que é semelhante ao olho do Sauron da trilogia do “Senhor
dos Anéis”.
Eu queria fazer uma música sobre o “Senhor dos Anéis”, mas não cheguei a fazer.
“Seize the Day” do novo disco foi escrita durante o período do “Horror Show” e
seria um tema instrumental. Eu estava andando em minha moto e a música estava em
minha cabeça e um pedaço de uma melodia vocal que eu nunca utilizei. Enquanto
estava dirigindo minha Harley e pensando sobre essa música, eu sabia que não era
bem metal. Originalmente Hansi a chamou de “God Bless the Day”, a idéia dele foi
sobre uma família do oeste antigo, sob um grande céu e terras abertas e tinha
uma grande abertura na música. A gente iria escrever sobre os hobbits do “Senhor
dos Aneis” quando eles viajavam nas terras perdidas e nos pântanos. Então
fizemos “Seize the Day” que tinha esse lance todo e que não poderia fazer parte
do “Horror Show” e me sinto bem por ter a feito agora.
Até mesmo tem as pirâmides na capa também e “Spacial Architects”, que é um dos
bonus. “Lunar Lament”, onde a lua sente inveja do sol, toda essa baboseria
artística (risos), sendo essas minhas idéias. Tinha muitas coisas diferentes
nesse disco. Eu gosto muito da música do Led Zeppelin e acho que ficou bomo que
fizemos. Não tinhamos certeza se deveríamos fazer essa.
TSM: Musicalmente, quando você está compondo para o Demons, o que você faz de
diferente do Iced Earth?
JON: Como já disse, a única diferença é se eu tenho uma melodia vocal. Se eu
tenho, sera sempre uma música do Iced Earth, a menos que eu faça um disco solo.
TSM: O que o Demons & Wizards supre criativamente que o Iced Earth não faz?
JON: Eu não acho que há alguma coisa porque eu escrevo o tipo de música que eu
gusto e mambas bandas. A única coisa talvez é que com o Demons eu trabalho com o
Hansi e é muito bom. Ele não é apenas um parceiro musical, mas sim um irmão
também e tem sido por muitos anos. Eu posso então trabalhar com um grande amigo
e isso é muito importante e ele é o único parceiro musical que tive a vida toda.
Nós não nos desentendemos e colaboramos igualmente. Se há negócios a serem
resolvidos e eu não estou por perto, o Hansi toma conta disso também.
TSM: Aqui nos Estados Unidos as radios não tem dado suporte algum para esse tipo
de Heavy Metal. A comunidade do Heavy Metal reconhece bandas como Iced Earth e
Blind Guardian como os sucessores do trono de bandas como Iron Maiden, Judas
Priest e Dio. A minha questão é, qual é sua opinião sobre esse descaso da mídia,
se é ignorância pura da importância do Heavy Metal ou apenas um descaso?
JON: Bem, eu acho que também é isso, mas também acho que muitas pessoas não
sabem da nossa existência, mas alguém se importaria se a gente não recebermos
marketing de grandes empresas? Tem sido do mesmo jeito desde que comecei a fazer
isso. Nós sempre fomos a banda que nunca fez grandes turnês e suporte
financeiro, mas sempre tivemos uma massa de fãs fiéis e é isso o que mais
importa. Obviamente nós gostaríamos de ser maiores e vender mais discos, mas se
isso não acontece, estamos tranqüilos. Algum tempo isso me deixava para baixo,
mas hoje não mais. As coisas na indústria estão diferentes hoje de quando
assinamos nosso primeiro contrato em 1990. Nos anos 70, as gravadoras olhavam a
banda como uma carreira, como um investimento em longo prazo, investindo
dinheiro por anos a fio. Agora é um Mercado saturado com milhares de bandas em
vários gêneros. Se a formula funciona, então é nisso que as corporações irão
investor e eu nunca dei a mínima para isso. Iced Earth é meu veículo e é a única
coisa que sempre me preocupei. A banda sempre se manteve meio que no underground
e eu sempre mantive minha integridade e a integridade da banda. Se nós temos
10.000 fãs, então nos certificaremos que eles nunca escutarão um disco de
rap-metal. Mesmo se a banda ficasse muito gigante, eu manteria a nossa
sonoridade e a visão que eu criei.
TSM: Onde você enxerga o Iced Earth e o Blind Guardian na história do Heavy
Metal?
JON: Espero que nós tenhamos um lugar significativo, pois definitivamente
deixamos nossa marca. Temos o Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin, Kiss dos
anos 70 para o Maiden, Priest, Def Leppard e Dio nos anos 80 e daí você tem Iced
Earth e Blind Guardian nos anos 90. Iced Earth e Blind Guardian começaram na
metade dos anos oitenta e mantemos nossa integridade desde o início. Ambas
bandas sobreviveram quando a o Mercado estava bem baixo para o metal mais
melódico e o grunge estava em auta. Mesmo no underground muitas pessoas estavam
conhecendo o Death Metal. Vejo agora muitos jovens conhecendo mais do metal e
definitivamente nós deixamos nossa marca
TSM: O que está para acontecer com o Demons & Wizards e com o Iced Earth no
próximo ano?
JON: Demons irá graver o video para “Terror Train”. Eu não estou interessado em
sair em turnê agora mesmo recebendo algumas ofertas de vários festivais. Minha
filha acabou de nascer então não tenho planos de sair em turnê pelo menos nos
próximos seis meses. Hansi está pré-produzindo o novo disco do Blind Guardian e
estou começando a compor o novo disco do Iced Earth. A gente não tem certeza,
mas poderá ser a segunda parte da trilogia do “Something Wicked This Way Comes”
e estamos conversando isso com a nossa gravadora, a SPV. A trilogia foi apenas
um aperitivo para o que vai vir no próximo disco. Será um disco duplo e enquanto
estiver terminando o Segundo disco nós iremos lançar o primeiro. Eu usarei uma
orquestra completa e será uma grande produção.
O Iced Earth tem se escrito para abrir para bandas grandes nos Estados Unidos e
se isso acontecer e, por exemplo, o Metallica nos convidar, nós sairemos em
turnê Sair em turnê sozinhos no momento não seria muito esperto porque você
estaria batendo na mesma tecla e seria redundante da nossa parte. Eu não quero
que chegue o dia em que as pessoas não acharão mais interessante ver o Iced
Earth ao vivo.
TSM: Você está 100% satisfeito com o “Gettysburg” DVD e o que você tentou
alcançar com esse projeto?
JON: Não 100%, em alguns aspectos sim, os visuais. Talvez esteja 95% satisfeito.
O audio e o sistema surround 65%. Está bom, mas eu acho que perdemos um pouco da
direção. Essa é a primeira vez que eu e o Jim Morris fazemos uma mixagem em
surround e acho que poderia ter sido melhor. Acho que usamos demais as caixinhas
laterais. Eu não quero que as pessoas pensem que se parece com o concerto ao
vivo. É uma passeada nos campos de Gettysburg com comentários meu e de um guia.
Na música “gettysburg” vocês terão alguns gráficos na tela, fotos históricas e
tudo mais. Esse não é o tipo de produto que todo fã do Iced Earth irá comprar, é
muito diferente. Eu espero que inspire as pessoas a pesquisarem sobre a história
americana. Eu realmente quis muito fazer isso porque eu queria ter uma versão do
nosso épico em versão surround.
TSM: Como foi sua experiência indo para Gettysburg e você voltou lá tirando o
que pessoalmente?
JON: Eu nunca poderia ter escrito a música sem ter ido visitar os campos de
batalha. Eu sugiro que todos vão lá.
TSM: O que você aprendeu com toda a pesquisa que fez sobre a história Americana?
JON: Eu aprendi que a gente tem que ser gratos todos os dias por o que temos. As
pessoas são mimadas e não sabem o quão sortudas são.
TSM: Você consegue ver o Demons and Wizards tocando um show no Progpower
festival em Atlanta?
JON: Eu acho que qualquer coisa é possível. Tocamos algumas datas na Europa
promovendo o primeiro disco e aqueles shows foram incríveis. Se passarmos
problemas para fazer um show apenas, então faremos mais shows. Financeiramente
não faz sentido algum fazer apenas um show.
Se nós entramos em turnê, definitivamente tocaríamos nos Estados Unidos já que
tocamos na Europa com o Demons & Wizards. Nós queremos também fazer um disco ao
vivo e eu prefiro o gravar nos Estados Unidos. Eu amaria o gravar em Nova
Iorque. Eles são bem barulhentos e cantam tudo. Quando tocamos lá no ano passado
com o Iced Earth, eu estava tão doente como um cão. Eu estava vomitando e
cagando. Eu me lembro de no meio do show sair correndo do palco para vomitar.
(risos). Foi um show muito bom e queria não ter passado mal. Nova Iorque se
tornou um lugar muito especial para mim quando estávamos lá na turnê do “Horror
Show” e não foi muito depois do onze de setembro e o poder das pessoas cantando
o hino nacional me emocionou. Foi uma experiência poderosa tocar para 30.000
pessoas.
TSM: Há alguma possibilidade do Blind Guardian e do Iced Earth fazerem outra
turnê juntos?
JON: Eu e o Hansi amariamos. Ficaria bem mais fácil se o Iced e o Blind lançarem
novos discos quase que ao mesmo tempo. Eu sei que os fãs iriam adorar e seria
ótimo para o metal. É apenas uma questão de agenda.
TSM: A essa altura, você consegue saber por quanto tempo o Iced Earth estará em
ativa?
JON: Eu não consigo ver isso agora, não é questão de tempo. Se continuar
inspirado, continuarei com o Iced Earth. Eu sei que tenho uma vida nova na banda
com o Tim fazendo parte do Iced Earth. Ele tem a voz que eu escuto quando estou
compondo para a banda e estou definitivamente inspirado para compor mais
material. Eu não quero ser uma daquelas bandas que lançam merda atrás de merda e
todos continuam dizendo que sua música é boa por quem você é e não pela música
em si. Como um artista pode não saber o que fez e o que está fazendo no momento?
Eu não acho que as coisas são assim com o Iced Earth e quando eu estiver
gravando merdas, eu irei saber com certeza.
As pessoas irão gostar mais de mim ou mais do Matt Barlow. Eu já escutei de
tudo. Aos fãs se apaixonam por suas ilusões. Não há como eles saberem da
realidade porque eles não nos conhecem Eles conhecem as fotografias e os discos,
mas ninguém conhece o Matt Barlow como eu conhecia. Ele era uma pessoa muito
boa, mas era hora dele sair da banda. Isso acontece. Eu não posso fazer nada se
uma pessoa se apaixonou pelo tempo em que o Matt esteve na banda. O Matt se foi
e agora o Tim está conosco e ele é muito foda.
Todas as pessoas com quem trabalhei ao longo da minha carreira tem qualidades
especiais que eles incorporaram na música do Iced Earth. Hansi é o melhor
arranjador de vocais, o Tim tem o melhor alcance e poder e o Matt criava uma
atmosfera muito boa. Eu acho que o Tim é o melhor vocalista de metal, você pode
gostar mais de outro vocalista, mas tecnicamente você não pode exigir nada
melhor. Eu acho que as coisas que fizemos no “Something Wicked This Way Comes”
foram as melhores já feitas não porque o Matt estava no disco mas sim pelas
composições.
TSM: Há alguma versão do Matt no “Glorious Burden” que poderia ser lançada?
JON: Sim, mas eu não lançaria. Não é bom o suficiente. Seria apenas como caça
níquel, um produto de qualidade inferior. O disco é maravilhoso do jeito que
saiu. É meu disco preferido. “Something Wicked This Way Comes” chega bem perto
dele e o terceiro é o “Night Of The Stormrider”. “Dark Saga” é muito bom e a
época também, depois de tantas merdas que passamos durante o periodo do “Burnt
Offerings”. Eu gostaria de regravar “Dante’s Inferno” com o Tim cantando e uma
orquestra completa. Essa música definitivamente é o ponto alto daquele disco. Se
eu tiver uma chance de o regravar, eu o farei. Depois disso, o “Dark Saga” foi
um marco para mim como compositor. Eu estava muito inspirado pela história. O
disco é mais simples musicalmente e não tem nada de errado com isso, pois tudo
se resume a compor uma boa música. Algumas de minhas músicas preferidas são do
ACDC, sim, são músicas simples, mas maduras. É o que distingue os garotos dos
homens. Já vi pessoas tentando tocar no bumbo duplo 250 batidas por minuto, mas
quando você pede para eles tocarem músicas regulares, mais antigas, eles não
sabem porra nenhuma. John Bonham e estes caras todos tocavam de forma simples e
não há nada de errado nisso. Tudo se resume a sentimento e não o quo rápido você
consegue tocar. Tente tocar com ritmo e no tempo certo. Vários guitarristas
fizeram audições comigo e ainda não encontrei ainda alguém que toque a parte
rítmica e os solos.
Traduzido por Alexandre X. Bongestab.