2003 - Entrevista com Jon Schaffer

Jon, antes de falarmos sobre o novo disco (“The Glorious Burden”), por favor nos diga porque você demitiu o Matthew Barlow. Apesar de tudo, você eram bons amigos e ele é casado com sua irmã.

Matt percebeu em seu coração que ele não nasceu para ser um vocalista de heavy metal. Isso atrapalhava o Iced Earth. Eu sempre tive que estar por trás de suas motivações quando ele tinha que fazer algo para o Iced Earth. Eu mesmo estava por trás de suas coisas pessoais, como ter aulas de canto e motivações gerais. Matt é um bom amigo e uma pessoa muito leal, mas aparentemente ele nunca se sentiu muito confortável quanto seu papel no Iced Earth. Eu preciso de alguém ao meu lado que saiba quem realmente é, o que esse alguém quer e tristemente esse não é o caso do Matt. Por causa do onze de setembro, ele percebeu que não estava feliz com sua vida. Dezembro do ano passado (Dezembro de 2002) ele conversou comigo sobre isso e me disse que queria fazer algo diferente na vida.

O que ele está fazendo no momento então?

Como faz pouco tempo que ele saiu, ele voltou a estudar.. Mais tarde ele provavelmente vai exercer funções administrativas no que toca a lei.

Você deu suporte a ele em seus planos?

Não, Eu disse a ele que estava cometendo um erro. Nós tínhamos um novo contrato e eu tinha escrito as melhores músicas em minha carreira e que grandes coisas estavam por vir. Eu disse exatamente isso a ele e por pura lealdade ele decidiu continuar cantando por mais dois ou três discos e decidiria depois o que fazer com seu futuro. Isso aconteceria em um ano ou em cinco anos, que poderiam ser decisivos na carreira da banda, alcançando novos horizontes. Se até lá a gente não tivesse chegado a lugar algum, ele poderia então voltar a estudar e seguir seu plano, mas em seu coração ele já tinha decidido contra a banda e isso nós percebemos claramente da forma que ele cantou. Eu e o produtor Jim Morris já tínhamos terminado de gravar o disco com os vocais do Matt, que foram gravados em 17 dias, que foram muito frustrantes. Matt não cantava nada desde o final da turnê do “Horror Show” e sua voz teve que ser parcialmente trabalhada no estúdio por um computador, algo que não desce muito bem para mim. O que ele tinha cantado não tinha autenticidade alguma. Matt cantava uma parte e não soava forte, boa. Naquele momento eu e o Jim achávamos que de alguma forma a gente poderia salvar tudo durante o processo de mixagem, mas após dois ou três dias além dos da produção se tornou claro que a gente não poderia continuar dessa forma. Eu disse ao Jim que eu simplesmente não poderia lançar o disco daquela forma. Seria o fim da banda. Essas canções significam tanto para mim que eu não poderia viver sabendo que elas estavam daquela forma. Eu já cometi erros no passado que eu não posso mudar e que ainda me incomodam. “Burnt Offerings” foi o momento mais baixo de nossa carreira e o “Glorious Burden” significa infinitamente mais do que o “Burnt Offerings”. Eventualmente no futuro eu me culparia pelo resultado do disco porque os vocais do Matt não estavam bons o suficiente. Eu teria me tornado uma pessoa amarga, insatisfeita e teria arruinado o futuro da banda dessa forma.



Qual foi a reação do Matt quando você disse tudo isso a ele?

No início ele ficou muito puto, mas no fundo do coração dele ele sabia que eu estava certo. A raiva dele durou por apenas meia hora e depois ele concordou comigo que as coisas seriam melhores o tirando da banda. Nesse momento o Matt trabalhou na minha loja (Spirit of 76) e nós concordamos que ele poderia trabalhar lá até o fim da semana e que depois iriamos nos separar. Nós conversamos, nos abraçamos e três dias depois separamos nossos caminhos. Matt nunca colocou seu peso todo no Iced Earth. Isso é uma coisa que os fãs não sabem e não entendem. Eles apenas viram o Matt no palco e em fotos e formaram uma opinião sobre ele. Na vida real as coisas eram bem diferentes.

Jon, sua honestidade brutal me surpreende, mesmo depois de ainda considerar Matt como seu amigo. Ele sabe de tudo o que você diz para a imprensa sobre a separação? Você conversou com ele sobre isso antes de tudo?

O Matt me conhece. Ele sabe que eu não posso fazer nada além de dizer a verdade.

Mas como ele vai reagir lendo tudo isso? Apesar de tudo, ele ainda é casado com a sua irmã..

Eu não digo nada além da verdade, sem exagerar as coisas. Por anos o Matt não fez nada pelo Iced Earth, mesmo sempre o motivando para tal. Ele percebeu então que ele não estava fazendo nada além de desempenhar um papel que ele realmente não desejava. Quem sabe ele teria saído do Iced Earth sozinho? Um dia após nossa separação ele cortou seu cabelo e começou uma vida completamente nova.

Vocês ainda mantém contato?

Eu o vi apenas uma vez desde que ele saiu da banda. Ele veio aqui para buscar seu equipamento da sala de ensaio. Eu desejei o melhor para ele naquele momento e realmente espero que ele se encontre. Eu não estou bravo com o Matt. Se você não sente aquele desejo ardente de compor música ou ser um cantor a todo custo, então nada importa. Matt escrevia algumas letras de música ali e aqui, mas todas as melodies vocais eram escritas por mim. Eu me sentia sozinho, mesmo nos apresentando ao mundo como um time. Com o Tim tudo é diferente, que com certeza deixa suas influências serem notadas no Iced Earth. Ele sabem que ele é e é 100% satisfeito com isso. Eu já percebi isso em nosso primeiro encontro.

Antes de continuarmos falando sobre o Tim, eu gostaria de te perguntar algo sobre o onze de setembro. O que os atentados terroristas fizeram ao Matt está bem claro, mas o que eles fizeram a você?

Em essência o mesmo que fez ao Matt. Logo após os atentados eu queria acabar com a banda e fazer algo que teria mais significado em minha vida. Eu duvidei de tudo inclusive de mim mesmo, então se tornou mais claro para mim que eu não me tornei um músico para ser uma estrela do rock, mas para compor músicas. Eu converso muito com os fãs e sei o que nossa música significa para eles. Eu sei que não estou fazendo nada vazio ou sem significado quando escrevo minhas músicas. Elas significam muito para muitas pessoas e não tem nada a ver com aquela baboseira toda de estrela do rock. É sobre ter uma visão como músico e querer realizar essa visão. É exatamente isso o que faltava no Matt, algo que ele tentou tapar apenas agindo como. Claro que ele era um cantor muito talentoso, mas ele também poderia ter sido um ótimo ator. Apenas dessa forma ele conseguiu cantar minhas canções ao longo dos anos. Quando ficou claro para ele que tudo não passava de uma atuação, uma ilusão, ele não conseguiu mais continuar.

Como você tentou salvar a produção do novo disco?

Eu tive que agir rapidamente, claro, pois eu não poderia lançar o disco com os vocais do Matt. Mas como acontece na vida, as coisas foram acontecendo. Dois dias depois que eu e o Matt nos separamos, eu recebi um recado do Tim dizendo que ele poderia cantar no disco novo todo.

Você ligou para o Tim enquanto ele ainda era membro do Priest?

Sim. Eu o queria como um vocalista convidado. Eu sou um grande fã do Tim desde que escutei sua voz pela primeira vez. Ela soa incrível, mas quando eu estou escrevendo músicas, eu tenho em mente exatamente o tipo de voz dele e quando escutei o Tim pela primeira vez, eu soube que definitivamente teria que trabalhar com ele em algum momento. Nós tínhamos contato desde 1998 e quando a situação com o Matt acabou, eu liguei para ele e perguntei se ele gostaria de cantar no disco para mim. Eu já tinha planejado fazer um projeto paralelo com ele.

O Priest não tinha nada contra isso?

Não. Apesar de tudo, o Tim estaria sempre presente se eles precisassem entrar em estúdio ou em turnê. No meio disso tudo ele poderia fazer seus projetos. Não seria justo então deixar ele sem receber por um longo período de tempo.

Então você o questionou se ele poderia cantar no novo disco do Iced Earth?

Sim, sem qualquer comprometimento futuro. Ele cantaria no disco e eu procuraria outro cantor. Claro que eu poderia imaginar o excelente trabalho ele faria e eu tenho que admitir que em segredo eu tinha esperanças de “roubar” o Tim do Priest. No início eu tive que manter isso em segredo da gravadora e da imprensa. Eu não queria que as pessoas especulassem abertamente sobre esse assunto. Aparte disso, a esposa de Tim estava grávida e ele queria esperar pelo nascimento da criança. No final de julho finalmente nos encontramos para gravar os vocais do Tim e em cinco dias tudo estava terminado. Quando o Tim começou, o Jim não acreditava no que estava acontecendo e a gente só ria. Tim achou que a gente estava rindo dele, mas a gente não poderia estar mais feliz com tudo isso. “Tim, você não sabe pelo o que passamos. Você é classe pura”. – nós dissemos isso a ele rindo e depois disso as coisas aconteceram quase que automaticamente. Nós tivemos cinco dias muito relaxantes, enquanto o Tim na maioria da vezes conseguia levar a música em apenas um take. Claro que ele estava bem preparado já que tinha as músicas cantadas pelo Matt como um guia. Ele apenas teve de adaptar tudo a sua maneira de cantar e mudou algumas letra aqui e lá. Em “Red Baron/Blue Max” ele mudou a letra toda e veio com uma nova melodia vocal.

E quando ficou claro que o Priest se reuniria com o Halford?

Esse foi o próximo milagre. Dois ou três dias depois que produzimos o disco, o Tim recebeu a mensagem de que o Halford estava de volta. Claro que naquela época ele já tinha suspeitas sobre isso, mas ele nunca teria deixado o Priest por desejo próprio.

Então você perguntou se ele queria entrar no Iced Earth permanentemente? Ele esperou um poucou até tomar uma decisão, não esperou?

Sim. Tantas coisas aconteceram em um curto período de tempo, na minha vida e na vida do Tim ao mesmo tempo que a gente não queria apressar as coisas. Tim levou cinco ou seis semanas para pensar em tudo o que aconteceu e estava acontecendo, o que era bom para mim e depois concordou. O disco que gravamos o convenceu de que ele se encaixaria perfeitamente na banda e além disso, ele tem toda a liberdade de fazer o que quiser fora do Iced Earth. Alem disso, eu tenho meu projeto paralelo, que é o Demons & Wizards e nunca negaria ao Tim o fato dele querer fazer outra coisa musicalmente falando. Muito pelo contrário, eu achei isso muito interessante, pois aprendemos muito.

O que você acha dos discos do Priest com o Tim cantando? Você gosta do “Jugulator e do “Demolition”?

Não, na verdade não gusto. A voz do Tim é realmente a melhor coisa desses discos. Você pode juntar os músicos mais maravilhosos no mundo, mas nada sairá disso se você não tiver com você um bom compositor que escreva alguns sucessos. Eu não sou o único que acha que isso se refletiu nas baixas vendagens do “Jugulator” e do “Demolition” e eu fico muito bravo quando as pessoas culpam o Tim por isso, pois apesar de tudo, ele não escreveu aquelas músicas.

Quando você encontrou o Tim pela primeira vez?

Na turnê do “Jugulator” em Indianapolis. Eu achei que ele foi muito melhor ao vivo do que no próprio disco e disse a ele que ele tinha exatamente o tipo de voz que eu tinha em mente quando estou compondo músicas e que definitivamente deveríamos fazer algo juntos algum dia. Posteriormente eu liguei para ele por anos e o incomodei com isso, porque eu senti que a gente se pertencia. Curiosamente, ele já tinha me ligado em 1992, quando ele queria que a banda dele naquela época, o Winters Bane, abrisse para o Iced Earth. Eu nunca escutei o Winters Bane. Quando você ve eu e o Tim juntos atualmente entretanto, você pode facilmente sentir a energia entre nós. A gente ri muito, nos entendemos cegamente, nós nascemos um para o outro simplesmente. Eu nunca tinha sentido essa energia tão intensamente em toda minha vida.



Rapidamente vamos voltar ao “Horror Show”. Você não estava 100% satisfeito com o disco, não estava?

É um bom disco, mas eu já sabia desde a pré-produção do disco que uma parte dos fãs reagiriam com muito criticismo. Eu me recordo quando, durante a mixagem do “Horror Show”, eu disse ao Jim Morris – “As músicas são boas, a produção é de classe – mas você verá Jim, o disco estará nos topos das paradas por dois ou três meses e posteriormente não chegará a lugar algum”. Eu sabia disso e foi falha minha. Todo o conceito de monstros não segurava a minha atenção, então eu não conseguiria me dedicar inteiramente as composições. Eu tinha recentemente operado meu pescoço, estava passando por um divórcio e o contrato com a Century Media estava acabando, os primeiros problemas com o Matt estavam surgindo e eu não consegui me concentrar 100% na composição das músicas. Algumas músicas tipo “Damien”, “Dracula” e “The Phnatom Opera Ghost” são excelentes, mas havia algumas coisas faltando no final, aqueles pequenos detalhes que fazem um verdadeiro clássico. No final, essa foi uma das razões de me certificar que o “The Glorious Burden” seria um dos melhores discos do Iced Earth que eu poderia escrever. Eu queria escrever um disco matador que me satisfaria por toda minha vida que deixaria o “Horror Show” comendo poeira, mesmo não achando que o “Horror Show” tão fraco quanto o “Burnt Offerings”. Eu sei que só posso criar com qualidade quando posso me concentrar 100% no meu trabalho, até nos pequenos detalhes. Para isso teria que escrever temas que me tocassem profundamente e para isso, fantasias osbcuras e ódio contra religiões organizadas, como já escrevi a respeito no passado, não me tocavam tanto mais. O novo disco ainda é pesado e raivoso, mas eu fui um passo a frente com esse. Temas com os quais lidei um pouco em músicas como “1776” e “Ghost of Freedom” permaneceram em foco muito mais nesse disco. No começo queríamos fazer algumas músicas com conceito histórico, mas durante o processo de composição meu interesse pelo lado histórico das coisas (que eu sempre tive de qualquer maneira) foi se tornando muito mais forte dia após dia.

Sobre o que é concretamente?

Sobre história. Não é verdadeiramente um disco conceitual, mas a maior parte dele lida com fatos históricos, menos em “Hollow Man”, que é sobre mim pessoalmente. Uma música fala sobre Attila, que atacou o império romano, outra sobre Waterloo, o fim do reinado de Napoleão. O Barão Vermelho da Primeira Guerra Mundial e a Declaração da Independência em “Declaration Day”. “When the Eagle Cries” é uma balada muito triste sobre o onze de setembro. A parte principal do disco é a “Gettysburg (1863)” de 32 minutos sobre a Guerra Civil Americana e até onde sei, o épico mais forte que já escrevi. Quando estava compondo essa música, um novo leque de temas se abriram, que sempre me interessaram, mas que nunca esteve presente no Iced Earth diretamente. Quando você me visita em casa você percebe que eu sou doente por história. Eu tenho uma vasta biblioteca sobre livros históricos e pinturas históricas.




Antes de discutirmos sobre conteúdo histórico e político, nos descreva a diferença musical entre esse disco e o “Horror Show”.

Nunca houve muitas diferenças entre os discos, mas houve diferença na dedicação em os gravar. Essa é a principal diferença.

Na minha opinião algumas músicas no “The Glorious Burden” me faz lembrar dos primeiros discos, mais pesados a beaseados em riffs enquanto outras poderiam estar no “Horror Show”. Apesar de ser o Tim cantando, tudo soa 100% Iced Earth.

Sim, está certo. Isso por que eu sempre escrevi a maioria das melodies vocais. No que toca o estilo das músicas, é difícil para mim julgar, pois nunca escrevo com um estilo certo em mimha mente. Quando algo soa mais com nossa sonoridade antiga, vem tão natural como quando vem um épico. Acontece naturalmente. Quando alguém gosta, está tudo bem para mim, mas quando alguém não gosta, tudo bem da mesma forma. Como um artista eu não posso deixar me influenciar pelos fãs, pela imprensa ou pela gravadora, mas tenho que compor o que está dentro de mim honestamente e quando estou satisfeito com o resultado, então penso que a maioria dos fãs verdadeiros estarão, pois é completamente honesto.

Como você descreveria o disco para alguém que não escutou uma nota sequer do mesmo?

É o mais dramático, forte e melódico que eu já gravei. Quando você é um verdadeiro fã de metal, você encontrará tudo o que procura nesse disco: Épico, sons dramáticos em “Gettysburg”, sons mais sentimentais e simples em “Valley Forge”, “When The Eagle Cries” or “Hollow Man”, e basicamente tudo entre essas duas coisas. Toda a emoção do heavy metal é coberto esse disco.

Em que formato o disco aparecerá ?

Tanto em formato único quanto uma versão dupla de luxo que será lançado ao mesmo tempo. Dessa forma os fãs poderão escolher entre o produto mais em conta, que usará todo o tempo que um disco suporta ou o pacote completo, que conterá tudo o que foi gravado para a sessão do “The Glorious Burden” incluindo os singles. Não haverá nenhuma outra música que poderia ser lançada no futuro. A versão de luxo tem toda e qualquer nota que gravamos para esse disco e além disso, será lançada em uma versão matadora e como disse anteriormente, há a versão mais barata.

O quão política são as novas letras?

Em nada, pois o disco não é sobre política, mas sim sobre história. Claro, eu sei que a política nos leva a guerra, e a guerra no fim nos conduz a história – mas a última coisa que tenho em mente como um artista são metas políticas. Eu não quero que a banda seja um fórum político sobre minhas crenças pessoais. Eu odeio músicos que, após fazerem algum sucessom de repente se enxergam como experts em política. Claro que eu estou ciente que muitos temas no “The Glorious Burden” apresenta questões políticas, mas não foi a minha meta quando estava compondo as músicas. Eu apenas tenho que escrever com as coisas que me preocupam, não importando o que seja.

Eu não quero interpretar nada em suas músicas. Estou questionando sobre motivações políticas porque você fez algumas declarações extremistas na Internet.

Que tipo de declarações?

Há algumas sobre o onze de setembro. Uma por exemplo toca o “mundo corretamente político de hoje, coisas que não mais são ensinadas na escola e que deveriam ser”. Você é contra adolescentes idiotas, que não se preocupam com nada e não aprendem nada com a nossa história. Você poderia falar um pouco sobre isso?

Eu sou um cidadão americano que percebe um monte de coisas erradas em seu próprio país. Não todo mundo, mas muitos adolescents americanos não tem idéia sobre história e não se importam com isso. Isso acontece tanto para a história norte Americana quanto para a história do mundo. Eles não tem conhecimento algum sobre diferentes culturas e não se interessam por nada e por ninguém. “Valley Forge” lida com soldados americanos que sofreram e se sacrificaram muito pela nossa liberdade. O que diria esses soldados se pudesse ver o que acontece hoje? Eu não aprendi muito sobre história na escola quando era mais novo, mas sempre mantive meu interesse por literatura e sempre formei minhas próprias opiniões sobre as coisas dessa forma. Eu acho que é muito perigoso quando a história “politicamente correta” ensinada pelos professores invertem a verdade.

O que você quer dizer com isso?

O fato de que eles estão ensinando a história “politicamente correta” no lugar da história verdadeira. Isso é perigoso, pois graças a ignorância a história se repetirá. Alguém que não tem conhecimento sobre os erros cometidos no passado irá facilmente os cometer de novo.

Por que você não nos dá um exemplo dessas lissões históricas “politicamente corretas”?

Aqui eles não querem mais usar o termo “forefathers” (familiares em português) porque poderia ser ofensivo as mulheres (por que não chamar de foremothers? Eu, (Ale) modifiquei umas coisinhas só para melhor vocês entenderem)...

Baboseiras como essas só acontecem na America.

Você ri, mas realmente está acontecendo toda uma discussão sobre esse tipo de coisas. Não é apenas idiota, como perigosa, que muda a história. As pessoas estão tão bobas que elas não entendem mais sobre história e não aprendem com ela. Nos Estados da Nova Inglaterra por exemplo, eles estão atualmente considerando em não mais ensinar a Guerra Civil Americana nas Universidades, o que não é tolerável. Essa é uma parte importante na história Americana. Apenas assista o Jay Leno por exemplo perguntar aos alunos americanos sobre seus conhecimentos históricos. As pessoas dão risadas com isso, mas deveriam mesmo estar preocupadas com isso. Em “Gettysburg”, nós não tomamos um partido nas duas facções da Guerra Civil, não ao Norte e não ao Sul. A gente conta a história pelos dois lados. O ouvinte pode formar sua opinião sobre essas coisas e talvez isso instigue seu interesse, o fazendo querer saber mais sobre a Guerra civil.

Você conversou com seus amigos alemãos, por exemplo com o Blind Guardian sobre a Guerra no Iraque?

Eu não quero conversar sobre isso. Isso vai terminar em uma discussão política........

Não, eu também não quero discutir sobre o certo e o errado nessa Guerra com voc&e. Eu pergunto isso por que uma grande parte dos seus fãs são da Alemanha, pois a posição do Governo Alemão não o deixe tão feliz. Há alguma diferença em vir na Alemanha recentemente comparado com os anos anteriores ou você releva essas coisas?

Eu relevo essas coisas. Eu não julho nossos fãs da Alemanha pelas decisões do Governo Alemão. Nós somos músicos e amamos nossos fãs. Não vamos manchar essa relação por uma idiotice política – mesmo sabendo que eu abri a porta para esses temas quando escrevo sobre história. Mas outras bandas, tipo Iron Maiden também fizeram isso. Não há uma lei contra a criatividade, há?

Claro que não, mas há uma grande diferença entre escrever sobre fatos históricos e se expressar (como no onze de setembro por exemplo).

Sim, isso é verdade. Eu não tenho problema também quando alguém discorda de mim. Mas eu não vou deixar ninguém que não viveu minha vida silenciar minha opinião. É fácil formar uma opinião, mas não é legal julgar uma pessoa por crenças diferenciadas.

Um ditado popular indiano, não estou certo?

Correto. Não julgue uma pessoa que não teve a sua vida, ou que não teve a mesma experiência que você. Eu sou um velho indiano. Minhas declarações nunca foram para justificar ou explicar nada que a América tenha feito. Isso seria uma baboseira. Eu sei disso e não teria feito diferente. Quero que nossos fãs saibam disso. Na internet alguns fãs nossos suspeitavam que o disco seria conceitual sobre o patriotismo Americano, mas isso não é correto. Leia a letra de “Valley Forge” e você verá que as coisas são diferentes. Essa música deveria ser um chute na bunda dos adolescentes americanos. As outras músicas não tem nada sobre patriotismo Americano e mesmo “When the Eagle Cries” não diz que a América está certa e o resto do mundo errado. Lida apenas com um dia muito trágico na história. Eu precisei de 15 anos para lidar com a morte do meu melhor amigo e expressar meus sentimentos em uma música (“Watching Over Me”). 9/11 levou um ano e meio para eu estar apto a escrever uma letra sobre e de uma forma eu me livrei dos meus sentimentos. Eu não sei o que as pessoas esperam de nós. Nós somos uma banda americana e a América foi atacada. Todos que me conhecem irão dizer que eu sou um patriota que ama o país, mas eu não sou um patriota cego.

Certo, todos que te conhecem saberão disso, mas também sabem que você tem opiniões conservadoras (graças seus contatos na Europa).

Espero ter conseguido crescer como pessoa através dos anos e espero que todos cresçam também. O sentido da vida é aprender as coisas e crescer mais a cada dia que passa. Eu sou uma pessoa conservadora a respeito de alguns assuntos sociais e sou conservador com valores morais. Eu não gosto quando os cantors de rap tratam as mulheres como merda, mas eu sei que nada posso fazer sobre isso. É isso que está em jogo, nós podemos pensar diferentes, pois vivemos em um mundo livre. Todo mundo é permitido a dizer o que bem entender. Há também coisas em que sou muito liberal. Você não pode me julgar como limitado, pois sou uma pessoa de pensamento livre e vou sempre formar meus pensamentos sobre as coisas da forma que bem entender.

Você mencionou valores morais. Quais são os mais importantes para você?

Honestidade. É a coisa mais importante para mim. O maior problema no mundo é que as pessoas mentem. Elas mentem para os outros e para elas mesmas. Mais freqüente, a mentira tem se tornado a forma mais prazerosa de se viver e as pessoas sempre se manterão no sentido de evitar suas responsabilidades. Nós já discutimos sobre honestidade mais cedo quando falávamos sobre o Matt, quando seria muito mais fácil dizermos que ele saiu da banda por diferenças musicais. Isso seria honesto? Não. Eu prefiro escolher o caminho mais difícil e me manter honesto. Eu acabei de escrever uma música chamada “Honestidade – E os Estragos Feito”, que eu irei gravar no futuro. A letra lida com o fato de você espantar muitas pessoas quando você é honesto. Muitas pessoas não gostam da verdade. Seria muito bom se todo mundo ficasse de frente para o espelho amanhã e dicidir que iriam mudar dia após dia uma coisa que não gostam em si mesmas. Isso não é fácil, mas é a coisa certa a se fazer. Para mim, as coisas que contam são honestidade, lealdade e integridade. Essas são as coisas mais importantes a quais quero seguir na minha vida. Como todas as pessoas, eu não sou perfeito, mas eu tento mudar minha vida seguindo esses valores. Quando o Matt me ligar no futuro e pedir minha ajuda, eu estarei lá para ele. Isso vale para todos os meus verdadeiros amigos. Está fora da moda pensar e agir dessa forma? Está errado?

Claro que não.

Eu espero que as pessoas entendam o que estou tentando dizer aqui. Eu nunca tentei usar o Iced Earth como fórum para minhas idéias políticas. As pessoas tem que entender que os ataques terroristas foram muito difíceis para nós e eu de alguma forma tinha que lidar com isso. Eu sei que a história Americana é tudo, menos perfeita. Eu tenho sangue indiano e sei o que a palavra genocídio significa. Eu não sou alguém que vai justificar a escravidão. Eu também sei que essa coisa chamada “Os Estados Unidos da América” é um experimento gigante que nós temos que lidar diariamente. Quando não aprendemos, não podemos lever essa experiência a um final feliz. É da natureza do homem cometer erros. Isso vale para todas as culturas. Mesmo sabendo disso, os ataques do onze de setembro foram coisas que eu tive dificuldade em pensar sem me setir bravo. Foi um ataque em nossa liberdade e em nos valores que eu acredito, mas não quer dizer que acredito em tudo que tem saído desde do dia em que aconteceu.
Por que não mudamos um pouco o tema, perguntando qual foi a importância do dinheiro para você na procura de uma nova gravadora.

Dinheiro é importante, quando usado corretamente. Entretando, é mais importante ainda a visão que o meu parceiro de negócios possui. Afinal, eu coloco minha carreira em suas mãos quando assino um contrato e nos últimos 13 anos eu nem sempre me senti muito feliz com a Century Media. Dentro da Century Media, algumas pessoas sempre acreditaram em nós ao longo dos anos, mas outros não. A minha visão da banda não era clara para algumas pessoas. Claro que você precisa de dinheiro para realizar seus projetos, mas primeiramente você precisa acreditar e algumas coisas. Eu não iniciei o Iced Earth há 20 anos para nos tornarmos uma banda cult. Ninguém faz isso. Nós queremos que o máximo de pessoas possíveis tenham acesso a nossa música, nós queremos tocar em grandes lugares e queremos nos divertir durante esse processo. Isso é perfeitamente normal. Ao longo dos anos não pude evitar o sentimento que uma certa parte do meu parceiro de negócios estava mais satisfeito que eu tinha realizado do que eu próprio estava. Não é como se não estivesse agradecido pela a ajuda deles, mas não quero que as coisas pareçam melhores do que elas eram. Havia muitos problemas também. Century Media e o Iced Earth cresceram juntos, mas agora é hora de ir além. O que a gravadora SPV fez pelo Demons & Wizards me impressionou e muito. Eu senti que me levavam a sério como artista lá. Foi por isso que o Iced Earth escolheu a SPV, mesmo tendo contato com dez diferentes selos ao longo do ano.

O quão tentadora foi a oferta do Rod Smallwood e da Sanctuary ? Todo mundo sabe que você é um grande fã do Iron Maiden e provavelmente teria gostado de trabalhar com o Rod.

Isso é verdade. Mas a oferta não era boa o suficiente. Cinco anos atrás eu teria pensado seriamente, mas eu sei que a Sanctuary e o Iced Earth nunca se encaixariam juntos. O Rod queria controle artístico sobre a banda, e eu nunca poderia aceitar isso.

Sério? É o que o Rod queria?

Sim e não apenas isso. Eu fiquei muito chocado. Minha resposta foi: “Rod, eu tenho muito respeito por você. O que você conquistou junto com o Steve Harris é sensacional, mas eu não quero ser o segundo violonista e eu não posso aceitar sua oferta por isso”. Fazer turnês com o Maiden seria um evento excelente, mas ter que assinar um contrato ruim para isso acontecer não seria possível. Eu já vi esse filme antes.. Bandas se dando mal por isso.. Eu estou sendo muito honesto mais uma vez e eu já tive problemas graças a isso.

No final a honestidade sempre compensa.

Sim, é nisso que acredito. Honestidade deve deixar alguns bravos e assustar algumas outras pessoas, mas no final é a razão pela forte lealdade entre nós e nossos fãs. Eles sabem que não os estou alimentando com baboseiras.




Seu próximo projeto será provavelmente o novo disco do Demons & Wizards, certo?

Sim. Atualmente eu e o Hansi estamos trabalhando nisso. Mais ou menos um ano atrás, eu mandei a ele de oito a dez novas canções, mas o Hansi simplesmente não tinha tempo de trabalhar nelas. Realisticamente falando, o disco não será lançado antes do final de 2004. Mas no final isso não importa mesmo porque não há pressão. Demons & Wizards foi começado porque eu e o Hansi queríamos trabalhar juntos e passar algum tempo juntos também. A diversão que eu tive fazendo esse projeto é algo que eu sempre senti falta no Iced Earth. Porque eu não conseguia sentir na minha própria banda o que eu sinto quando estou com o Hansi? O que esteve faltando todos esse anos? Agora eu sei. Eu estava sozinho.

E isso vai mudar com o Tim?

Definitivamente. Com o Tim eu me divirto tanto quanto me divirto com o Hansi. Nós somos parceiros de verdade, um time verdadeiro.

O resto da banda consiste em músicos contratados apenas.

Sim, isso é verdade.Iced Earth simplesmente não é uma mega banda que vende milhões de discos. Apenas quando isso acontecer eu posso oferecer aos músicos a oportunidade de se tornarem membros permanentes. No final, o metal ainda é um estilo underground, mesmo sendo popular nesse meio underground. Somos peixes pequenos em comparação ao tamanho do mercado. Muitas coisas têm que acontecer antes que cinco músicos possam viver somente da banda. São fatos apenas.

Quais suas expectativas de vendas para o “The Glorious Burden”?

350.000 no mundo todo. Até o momento vendemos 100.000 na América e acredito que com o “The Glorious Burden” há muito mais potencial. 350.000 no mundo todo é uma expectativa realista, mas com um pouquinho de sorte mais pode ser possível. Desde que começamos a fazer turnês nos Estados Unidos em 1997, conseguimos aumentar nossas vendagens de 8.000 para 100.000 e praticamente sem muita ajuda. Aparte de 8 shows com o Megadeth que não tinham nem 800 pessoas por dia, nós fizemos tudo por nós mesmos. Ainda há muito potencial não explorado.

Isso quer dizer que na América o meta tradicional está crescendo de novo, ou isso apenas mostra suas conquistas com seu trabalho suado?

Ambos. Nós trabalhos muito, mas o interesse renovado no metal ajudou e muito. Na primeira vez que fizemos uma turnê nos Estados Unidos, basicamente não havia outra banda melódica que poderia tocar ao vivo. Nesse tempo, uma nova cena nasceu: Blind Guardian estava em turnê na América, Symphony X e outras bandas eu acho estavam seguindo isso... Eu via o Iced Earth como o líder desse movimento. Eu sempre acreditei que qualidade irá vencer a moda. As pessoas tem que ter a chance de nos escutar, então iremos crescer, mas ainda há muitas pessoas que não nos conhecem. Deveria ser impossível as pessoas nos ignorer. O Metallica foi um fenômeno nos anos oitenta. Eles continuaram a pressionar até chegaram ao nível que chegaram. Eu sei que temos o necessário para crescer muito mais do que somos no momento. A cada turnê, a cada disco, nosso sucesso aumenta. Eu sempre acreditei nisso e trabalhei muito para isso

You also have a second financial income, namely a shop for historical collectors

A loja se chama “Spirit of ’76 collectibles” e abriu faz pouco tempo em Columbia, Indiana. Em 1776 a Declaração de Independência da América foi assinada e é daí que vem o nome da loja. É praticamente um museu que você poderá ver miniaturas da Guerra civil e das duas Guerras Mundiais. Nós vendemos miniaturas feitas à mão e para as pessoas construirem, da Roma antiga até a história comtemporânea. A loja também tem uma galeria de arte de trabalhos originais da guerra civil e das guerras napoleônicas. Não somos uma loja para soldados estritamente, mas para todos interessados em história. Eu ainda não vi nada parecido na América. Você pode nos visitar no site www.spirit-of-76.com .

Você estará em turnê aqui em Março. Vocês tocarão sozinhos ou terão uma banda de abertura?

Não, nós iremos dessa vez trazer uma banda de abertura. A última turnê foi apenas um presente para os fãs, mas um desastre financeiro. Nós já sabíamos disso e para fazer algo especial para os fãs, não usamos banda de abertura. Nosso empresário Carsten já nos declarou insanos e não temos como fazer isso mais uma ves. Nós estamos atualmente pensando em levar o Children of Bodom conosco e de preferência ao mundo todo. No entanto, bandas como Symphony X e Manowar também foram pensadas.

Manowar ?

Sim, talvez eles irão abrir para nós aqui na América. Na Europa eles são muito maiores do que nós sem dúvidas.

Traduzido por Alexandre X. Bongestab.