2008 - Entrevista com Jon Schaffer e Matthew Barlow

Graspop Festival Jornalista: Entrevistador: E aí caras, como vocês estão?

MATTHEW BARLOW:
Muito bem, obrigado.
JON SCHAFFER: Muito bem, obrigado.

Graspop Festival Jornalista: Esse show foi legal, como você se sentiu, Jon?.

JON SCHAFFER: Foi muito louco. Ótimo público. O público belga é sempre muito legal. Em um festival como esse, muita gente vem de várias partes da Europa, e foi muito legal mesmo!.

Graspop Festival Jornalista: E para você, Matt?.

MATTHEW BARLOW: Foi fantástico. O público foi fenomenal. Eles estavam o tempo todo participando do show. A energia que eles têm é incrível e foi tudo muito bom.

Graspop Festival Jornalista: Tenho que admitir que foi a primeira vez que te vi ao vivo, Matt. Eu sempre soube que você tem uma grande voz. E fiquei muito, muito impressionado mesmo. Como você faz isso?. É talento, ou treinamento, qual é?.

MATTHEW BARLOW: Sei lá, deve ser coisa do demônio. (Jon dá risadas) Eu acho, tenho quase certeza que é coisa do demônio.

Graspop Festival Jornalista: (risos) É um presente dele.

MATTHEW BARLOW: É, ou de Deus, ou de quem quer que seja, sei lá, mas, eu continuo me aprimorando, tenho que fazer isso. Jon e eu trabalhamos juntos há anos, e é assim que as coisas rolam. É Iced Earth. Fazemos o que fazemos.

JON SCHAFFER: É uma coisa de espírito.

Graspop Festival Jornalista: E você está feliz com a volta dele?.

JON SCHAFFER: Com certeza.

Graspop Festival Jornalista: Ele é seu cunhado, certo?.

JON SCHAFFER: Isso.

Graspop Festival Jornalista: E como é nas festas de aniversário ou de Ano Novo?. Vocês falam do Iced Earth o tempo todo?.

JON SCHAFFER: Não, digo, quando a gente se reúne em família, falamos de coisas de família. A banda não é o assunto principal.

MATTHEW BARLOW: E coisas de nerd, tipo cartoons, HQs e filmes.

JON SCHAFFER: Somos caras de famílias nerds. E amamos nossos filhos. E nossos hobbies. Então a banda fica em segundo plano quando não estamos fazendo nada ou estamos com eles.

Graspop Festival Jornalista: E eles estão aqui com vocês, acompanhando a turnê?.

JON SCHAFFER: Não, acho que o ambiente não é adequado. Quero dizer, eles vão pegar um avião para Berlim na segunda-feira e vou ficar com eles por mais ou menos 10 dias. E nesse meio-tempo nós temos que tocar na Eslovênia, no Metal Camp Festival. Mas eles vão ficar lá em Berlim. Não é tipo de ambiente para eles. É difícil até para nós, eu não consigo nem imaginar como seria difícil para eles.

MATTHEW BARLOW: Eles precisam de estrutura. E esse definitivamente não é um ambiente para eles.

Graspop Festival Jornalista: É, isso é verdade. Matt, você saiu da banda em 2001 para trabalhar como policial. Por que?.

MATTHEW BARLOW: É algo que eu senti que eu precisava fazer. É claro que as coisas têm um jeito de funcionar. Tudo acontece por algum motivo, Jon e eu meio que sentimos isso. Sabe, às vezes você tem que deixar que as coisas aconteçam. E com certeza isso é bom para mim e para minha família e espero que seja bom também para o bairro em que eu trabalho.

Graspop Festival Jornalista: Você também tocou na First State Force Band. Como foi?.

MATTHEW BARLOW: É uma banda formada pelos policiais de Delaware. Basicamente nós íamos às escolas e falávamos "Ei, crianças, vocês não querem beber ou se envolver com drogas não é?", é como se fosse uma campanha anti-violência, anti-drogas e anti-álcool, que eu acredito que seja uma mensagem importante, porque com certeza as crianças ainda não sabem como lidar com esse tipo de coisa.

Graspop Festival Jornalista: E durante esse anos que você tem trabalhado como policial, você mudou seu jeito de ser, de pensar, ou até o seu jeito de viajar com a banda?.

MATTHEW BARLOW: Não necessariamente, digo, eu não sou um hipócrita total. Eu sei das coisas que acontecem durante uma turnê. É claro que não é a coisa mais certinha do mundo, mas você sabe, é assim que é. É Rock And Roll.

Graspop Festival Jornalista: Jon, você acha que ele mudou?.

JON SCHAFFER: Umm... Eu acho que nós dois amadurecemos, entende?. Ficamos um pouco mais sábios com a idade. A essência do Matt é a essência do Matt e a minha é a minha. Nós não somos o tipo de pessoa que muda, nós apenas ficamos mais experientes. Sabe como é?. E aprendemos com o nosso passado e coisas assim. Eu aprendi mais com a minha filha do que com qualquer outra pessoa no mundo, e ela só tem três anos, e eu aprendi mais sobre mim mesmo desde que ela nasceu até agora, muito mais do que eu já tinha aprendido antes. Então, isso provavelmente mudou minha perspectiva mais do que qualquer outra coisa e tenho certeza de que o mesmo aconteceu com o Matt quando os filhos dele nasceram. Mas nós não mudamos, não mesmo. Só crescemos.

Graspop Festival Jornalista: Vamos falar do futuro agora. Vocês estão trabalhando no novo álbum, o que nós podemos esperar?.

JON SCHAFFER: O novo álbum já está terminado. Eu terminei de fazer a mixagem com o Jim Morris há 2 ou 3 semanas. Será lançado em setembro, dia 5 ou 7, algo assim. Estou muito feliz com isso. As músicas têm uma força incrível. É a segunda parte, e é bem obscura. Ela é mais focada na perspectiva da história porque vai fundo no nascimento do personagem principal e a vida dele e tudo isso é bem legal. É bem forte e é muito bom ter o Matt de volta,  tudo casou perfeitamente. Parece que nunca estivemos longe. Desde quando fizemos aquele primeiro show em Chicago, até mesmo nos ensaios, a volta ao estúdio, não teve muito segredo, foi tudo muito natural.

Graspop Festival Jornalista: E como você futuro daqui a digamos, cinco anos?.

JON SCHAFFER: Eu acho que tudo parece muito mais claro agora. Nós temos um empresário agora e era uma coisa que precisávamos há anos. Nunca tivemos empresários apropriados. Agora nós temos e isso é uma das coisas simples e mais positivas que aconteceram na história da banda porque agora eu tenho a sensação de que alguém realmente me entende e tem a mesma visão que eu das coisas que queremos fazer. As pessoas não imaginam a importância que isso tem. É algo que veio me atormentando nos últimos 20 anos, tendo que lidar com todas as merdas que rolam nos bastidores. Eu precisava de alguém como ele fazia tempo. E agora ele está com a gente, desde fevereiro. Ainda estamos limpando a sujeira de antigamente, mas acho que o futuro parece bem claro, tem muitas coisas boas rolando. Cinco anos?. Não sei. Três anos?. Que seja, nós vamos continuar detonando como sempre fizemos e espero que isso só cresça.

Graspop Festival Jornalista: O Kiss vai tocar hoje. Você é fã deles, Matt?.

MATTHEW BARLOW: Eu sou um fã, só que de um jeito parecido com o do Jon. Eu falo para as pessoas que eu sinto falta daquela geração. Eu comecei como um fã do AC/DC. Mas o Jon me fez gostar do Kiss. É claro que os caras têm talento. Sei lá porque, mas as pessoas dizem que eu pareço com o Paul Stanley, e eu nunca tentei imitá-lo ou coisa do tipo. Nunca o tive como exemplo, mas quem sabe? Eu aceito isso como um elogio porque acho que ele é um cara fantástico e a banda toda sempre faz um grande espetáculo. Eles com certeza fizeram algo certo.

Graspop Festival Jornalista: Que tipo de música vocês ouvem?. O que tem no IPOD de vocês?. Só Rock e Metal?. Nada de R&B ou Hip Hop?.

JON SCHAFFER: Hip Hop não, eu tampo os ouvidos quando ouço essa merda, odeio. No meu IPOD tem as bandas que eu cresci ouvindo, até algumas bandas novas que eu gosto, como o Airbourne. Acho esses garotos muito bons, eles têm um belo futuro pela frente, por causa da energia, da força, eles detonam. Fizemos alguns shows com eles e com o Judas Priest, e foram matadores. Gosto deles, gosto do Wolfmother, acho legal. Gosto das partes que soam como o Black Sabbath. Ouço qualquer coisa desde Atmosférica até New Age ou qualquer coisa. Mas eu não ouço muita música, porque é o que eu faço. Então quando estou longe dela, é a última coisa que eu quero fazer. Geralmente ouço quando estou dirigindo e só. É como se fosse um carpinteiro que trabalhasse o dia todo nas casas e quando fosse para a sua própria casa tivesse que trabalhar nela também. Ele não quer fazer isso. Prefiro passar o tempo com a minha filha a ouvir música.

Graspop Festival Jornalista: E você, Matt, é um aficcionado por música?.

MATTHEW BARLOW: Não, não sou muito apegado também. Como o Jon falou, quando se trata de inspiração para música ou qualquer coisa assim, eu ouço mais o que ouvia quando era mais novo. Eu não ouço muito as bandas novas. Tenho que confessar que tenho escutado música Country. Às vezes, se você só prestar atenção nas letras das músicas, elas dizem muita coisa, são bem sinceras. Como um pai, muita coisa dessas músicas me fazem lembrar de casa, sabe?. E é assim. Tem umas letras bem legais nesse tipo de música. Eu fiquei meio apegado à algumas delas.

Graspop Festival Jornalista: Quando eu preparo um entrevista, eu sempre procuro na internet por histórias cabeludas, mas de vocês eu não achei nenhuma.

JON SCHAFFER:
Somos caras à moda antiga. Não tem muitas por aí, o que você vê é o que é.

MATTHEW BARLOW: Eu acho que nós só gostamos de fazer música, não gostamos desse outro estilo de vida. Sabe, essa coisa de Rock And Roll, os mitos que existem por trás de tudo isso, em que você sai e enche a cara, fuma e todas essas coisas. Estamos aqui pelas pessoas. Fazemos música, e tocamos para as pessoas e isso é que é o mais importante. Nós não chegamos zoados nos shows e fazemos todo o tipo de merda antes de subir ao palco, isso estraga a apresentação. Sempre estaremos aqui pelo público. É isso, é o que importa mais.

JON SCHAFFER: Nós somos acusados de ter um ônibus que parece mais uma biblioteca, porque não é empolgante ficar nele. Digo, quando estamos nele nós lemos alguma coisa, ou assistimos um filme, isso é o mais empolgante que pode ter. Tenho que admitir que no passado, na primeira turnê européia, nós dividimos um ônibus com o Blind Guardian e foi muito louco. Tinha festa até de manhã, vários dias seguidos. Mas sabe, no fim da turnê você se toca que se sente como um merda, que não consegue dar o melhor de si porque você esta zoado. E não é para isso que as pessoas pagam. Eles investem a grana suada deles para ver aquilo que esperam ver. Eu aprendi isso da primeira turnê. Isso foi em 1990, já faz tempo. Desde então nós temos sido bem certinhos e concentrados em fazer um bom trabalho. A gente até toma algumas cervejas ou alguma outra coisa uma noite antes de um dia de folga, mas nunca ficamos bêbados e saímos quebrando tudo por aí. Isso não é com a gente, somos mesmo da moda antiga.

Graspop Festival Jornalista: Eu acho que vocês deveriam se manter à moda antiga então, porque o show foi ótimo. Então, muito obrigado e aproveitem o resto do dia no Graspop.

MATTHEW BARLOW E JON SCHAFFER: Obrigado.

Traduzido por Fábio Hirata.