2008 - Entrevista com Jon Schaffer
Entrevistador: Como surgiu
a idéia do título do álbum?.
Jon Schaffer:
Bom, o título é bem relevante por causa do jeito do álbum e do ponto crucial. Eu
não quero revelar muito sobre as letras. Existem alguns pontos de vista
diferentes, um deles sendo o ponto de vista de Set. Eu acho que "Framing
Armageddon" é um ótimo título. Eu sempre tive as idéias para os títulos do Iced
Earth e quando elas vêm, é como uma martelada na minha cabeça, algo do tipo "Sem
dúvidas, o título é esse". Mas com esse foi diferente, o martelo demorou um bom
tempo para me acertar. Geralmente isso acontece antes de a produção começar, eu
tinha vários títulos legais, mas nenhum deles era chamativo. Quando eu
finalmente disse "Olha, o que é que rodeia tudo isso, o que a segunda parte tem
como foco e como é que isso acaba?", Set é o anunciador do destino, ele é aquele
que vai prenunciar, controlar e manipular, mas também é o último julgamento e
teste para a humanidade. Minha música favorita, e também a de quem ouviu o álbum
até agora é "Come What May", é o desfecho, e é um desfecho diferente daqueles
que eu normalmente coloco nos álbuns. Ela não é muito longa, tem uns 8 minutos
mais ou menos. É uma música poderosa, com algumas partes bem fortes. Essa música
em particular coloca um ponto de exclamação em tudo, e "Crucible" casa muito bem
com isso.
ENTREVISTADOR: Você disse que "Come What May" tem mais ou menos 8
minutos. Ela é a música mais longa do álbum?.
JON SCHAFFER: Eu acho que sim, não tenho certeza.
ENTREVISTADOR: No final da trilogia original de "Something Wicked" há um
coral. Há algum nesse novo álbum?.
JON SCHAFFER: Na verdade, essa é a primeira
vez que pudemos usar um coral de verdade, um coral SATB, soprano, alto
(contralto), tenor e barítono. Essa é a primeira vez que conseguimos montar um
grupo profissional de pessoas que podiam ler música. Howard Helm foi útil nessa
parte, pois ele é diretor de um coral de igreja, então ele pode juntar as
pessoas, o problema foi que a gravação foi feita no fim de semana do Memorial
Day, então muita gente estava fora da cidade, mas mesmo assim conseguimos um bom
número de pessoas. Em "In Sacred Flames" e "Harbinger of Fate" tem partes com o
coral, e algumas outras músicas também tem uma coisinha ou outra, mas com
certeza a maior parte é na "In Sacred Flames" e eu acho que é a música mais
legal que já escrevi. E tudo o que eles dizem é em latim, basicamente eu traduzi
o que eu queria que fosse dito em latim, e tinha uns caras no coral que sabiam
pronunciar as palavras corretamente, por causa do trabalho deles na igreja.
Ficou bem legal. O que eu queria mesmo agora era fazer uma produção com um coral
gigante e uma orquestra de verdade ao mesmo tempo, seria incrível. Talvez isso
aconteça algum dia, mas agora nós não temos a grana. Funcionou assim, do jeito
que planejamos. Era um coral de dezesseis vozes e nós colocamos umas sobre as
outras então ele parece bem maior e ficou bem legal.
ENTREVISTADOR: Voltando à trilogia do "Something Wicked", muitas pessoas
perguntam sobre aquele canto que fecha a última música. Você pode nos dizer como
escreveu aquilo?.
JON SCHAFFER: Eu nunca vou contar.
ENTREVISTADOR: (risos) Ok, isso foi bem direto.
JON SCHAFFER: Sou eu, o Jim e os filhos do
Matt.
ENTREVISTADOR: Oh, ok, então.
JON SCHAFFER: É, como vou dizer, funcionou
muito bem.
ENTREVISTADOR: É quase que uma língua própria de vocês.
JON SCHAFFER: É, mais ou menos.
ENTREVISTADOR: Eu sei que o Matt contribuiu com algumas letras do novo
álbum, você pode comentar o que ele fez?.
JON SCHAFFER: Existem duas partes que são
pequenas e em seguida três músicas completas e outras coisas legais. Por
exemplo, o Matt mergulha na história e consegue entendê-la, nós gostamos quase
das mesmas coisas, sempre foi assim. Eu tenho muita confiança na habilidade
lírica do Matt, e esse é o motivo de ele ter feito várias coisas através dos
anos. Ele não escreve coisas bregas e superficiais, de jeito nenhum, o que ele
escreve nos faz pensar e possui significado. Porque o que importa é o processo
da escrita, seja da música ou da letra, e isso vai determinar o resultado final.
É o fator-chave, se você o tira, o resto não importa. Sem ele, o resto é tudo
perda de tempo. Eu sou muito exigente na hora de escolher quem vai contribuir
com o quê. Tem que se encaixar com o modo de ver e tem que manter um certo nível
de integridade, mas é como eu disse, eu confio na habilidade lírica do Matt e
sempre confiei, e quanto a isso eu não tenho o que temer. Eu escrevi todas as
músicas uns anos atrás, e elas foram gravadas ao mesmo tempo em que a Part 1. Eu
gravei todas as linhas de bateria, guitarra, e a maior parte do baixo na Part 2
também, digo, 65 ou 70% do baixo, aí o Dennis Hayes gravou o resto porque eu
queria um pouco do estilo dele nas gravações. As músicas e os temas já estavam
prontos e o que eu disse para o Matt quando ele voltou foi "Você poderia me
ajudar", porque eu já estava meio cansado depois de ter trabalhado nisso por
quase dois anos e meio e isso estava começando a me atormentar. Então eu dei a
ele uma lista com o que eu queria, os títulos das músicas e sobre o quê elas
eram e algumas coisas específicas que ele precisava saber e ele pegou tudo isso
e foi em frente. Ele acabou escrevendo as letras da "Crucify the King", que eu
acho matadora, "Sacrificial Kingdoms", "Minions of the Watch" e "The Revealing",
que é uma música menor.
ENTREVISTADOR: Eu estava pensando, e acho que vários fãs já pensaram
nisso, se em algum lançamento de um futuro single você já pensou em colocar
versões acústicas de músicas que já foram lançadas?.
JON SCHAFFER: É, já pensamos nisso. O
problema é, do jeito que eu gosto de fazer as coisas, aquele jeito "se é pra
fazer, que seja direito", elas acabam se transformando em uma verdadeira
produção. Agora, eu tenho o meu próprio estúdio e isso diminui os gastos, é
claro que não seria tão caro quanto entrar e gravar as músicas normalmente, mas
sabe, eu não queria que fosse apenas eu com um violão e o Matt cantando, apesar
de que isso seria legal com alguma música em particular, mas não seria do jeito
que quero se pegássemos algumas músicas para fazer isso. Eu queria realmente
produzir as músicas e fazer algo bem especial e legal, o que significa que seria
quase uma verdadeira produção, e esse é o problema, porque os custos aumentam, e
todo aquele esforço que está ali vira uma coisa tipo "bem, isso é o que vai
entrar no single?" e a minha resposta para isso é "Não". Sabe, se eu realmente
vou passar meu tempo me dedicando a uma idéia ou conceito para uma música, então
quero que seja direito, eu gosto das coisas assim. Já falamos disso antes, digo,
uma música que ficaria legal assim seria "Watching Over Me", com o Matt cantando
e eu com um violão e a gente cantando junto, mas eu prefiro que fosse com
arranjos especiais e analisar como isso poderia ser feito com bateria, baixo, um
violoncelo e talvez algumas linhas de teclado para fazer com que ficasse bem
atmosférico e bem legal. E é como eu disse, com o meu estúdio agora esse tipo de
coisa pode vir a acontecer sem que haja muitos gastos, mas no fim das contas, se
eu for me engajar em uma coisa dessas, vou querer fazer direito e não nas coxas,
não que você tenha sugerido isso, não estou dizendo isso. Estou dizendo que
parece muito fácil fazer versões acústicas das músicas, mas eu acho que pode ser
mais complicado do que alguém imagina quando você faz e faz direito. São sempre
as coisas simples que enganam você.
ENTREVISTADOR: Na parte de dentro do encarte do novo single, no parágrafo
na parte de baixo, o último parágrafo, tem uma frase que você escreveu sobre
dinâmica, volume, mixagem e masterização. Você pode explicar o porquê dessa
mensagem?.
JON SCHAFFER: O que tem acontecido nos
últimos anos é que muita gente tem masterizado os álbuns em volumes muito altos
e isso tende a acabar com a dinâmica. Gerentes de produtos e outros caras nas
gravadoras que não sabem nada de música e como as músicas são gravadas causam
esse efeito. Se um empresário chega com um CD da banda dele e você coloca para
tocar e ele já começa alto, a reação das pessoas vai ser "Oh, como é alto!",
bem, aumenta essa merda!. Se você quer o som alto, aumente-o. Quando você pega a
dinâmica e a comprime, que é o único jeito de deixar o volume realmente alto,
isso faz mal para os ouvidos, você não consegue escutar a música em um volume
muito alto por muito tempo, depois de algumas outras você não agüenta mais. Se
tem alguma dinâmica, você não percebe. O que eu acho, e muita gente que entende
também acha, é que caras que escrevem músicas com dinâmica preferem que o álbum
seja masterizado com um volume razoável e se as pessoas quiserem ouvi-lo em um
volume alto, basta girar o botão. Digo, eu sei que dá muito trabalho fazer isso,
por isso o sarcasmo. É só uma parte do que a música se tornou para os negócios,
essa coisa de "Meu álbum é mais alto que o seu", bem, mais alto não quer dizer
que é melhor. "In Sacred Flames" é uma das músicas com mais dinâmica que já
escrevi. Se tivéssemos masterizado a música a todo volume como em vários álbuns
lançados recentemente, ela não teria o impacto que tem. Muitas pessoas têm
falado sobre isso, gente da indústria musical, mas não falam o bastante, eu
acho, mas também acho que muitas bandas novas que tocam por aí não sabem a
diferença, porque é assim que tem sido e é assim que as coisas são feitas. É uma
questão de dinâmca, uma questão de dinâmica que eu gosto de tratar. Eu quero que
minha música seja dinâmica porque e ela é escrita assim e masterizá-la em
volumes altos acaba com a dinâmica. É uma coisa técnica que muita gente não
entende, mas eu te digo, pessoas que têm intuição musical se escutarem um álbum
masterizado assim e um que é masterizado do nosso jeito, eles vão perceber a
diferença, e ela pode ser ouvida quando você aumenta o volume, pois fica mais
potente e pesada. E aí chega um ponto em que um CD masterizado com o volume
alto, quando você o aumenta, ele parece o mesmo.
ENTREVISTADOR: Antes de finalizarmos, porque já está ficando tarde, eu
quero saber como está sendo, para você, tocar de novo ao vivo com o Matt em
2008?.
JON SCHAFFER: Está sendo como eu esperava. Parece que nunca estivemos
longe, foi meio que emocional para todo mundo que está envolvido. Ou pelo menos
para o Matt, para mim e os fãs. Para o Troy, Freddie e o Brent também, mas eles
não estavam na banda quando o Matt estava, exceto um pouco com o Brent, eles se
sentiram bem, mas não foi tão sentimental para eles quanto foi para nós. Mas
está sendo legal, cara, os fãs estão sendo demais. Parece o Iced Earth de novo,
parece que está tudo certo.
Traduzido por Fábio Hirata.