2008 - Entrevista com Jon Schaffer e Matthew Barlow

Matthew Barlow, sobre sua volta à banda:
 

“Está sendo ótimo. Os shows têm sido fenomenais, e tudo está indo muito bem. Jon e eu já tínhamos tocado por muitos anos, e também tenho uma história longa com Brent. Freddie e Troy são caras ótimos e tudo está funcionando muito bem, tanto no estúdio como no palco. Os últimos meses foram realmente maravilhosos.”
 
A escolha de Freddie Vidales:
 

Jon Schaffer: “Eu tinha um pressentimento de que ele seria o cara certo, e quando o chamamos, vimos que ele realmente tinha a atitude certa, é um cara inteligente, divertido, e toca demais. Sua presença de palco é ótima, ele realmente soma à banda.”
 
Matthew Barlow: “Nos shows, ele canta todas as letras das músicas, e conhece tudo. Ele já era um fã da banda, e é muito fácil ver isso no palco. Ele realmente gosta do que está fazendo.”
 
O novo álbum, "The Crucible Man - Something Wicked Part II":
 
Jon Schaffer: “É um álbum forte, estou muito feliz com ele. As partes 1 e 2 foram compostas de uma só vez, já estava planejado assim. Mas o que eu percebi que mudou, foi que fizemos a parte 2 ficar com um som mais enérgico e pesado. Com relação a história, este álbum engloba a parte em que Seth nasce. O "Framming Armageddon" contou a maior parte da história, desde a invasão humana no planeta, ao massacre dos Setians e tudo mais. Já a parte 2 é mais focada e sombria, porque é da perspectiva do personagem principal. Seth nasce logo no início, e então passa-se por sua infância, e o processo de transformação até que ele finalmente descobre que é o “anti-cristo”.
 
Sobre influências:
 

Matthew Barlow: “Desde cedo, eu nunca tive problemas em me apresentar em público. Quando eu era criança, meu pai tinha vários álbuns do Elvis, e eu ficava dançando como o Elvis na frente das pessoas, acho que essa foi a maior influência na minha performance. Quanto ao vocal, as influências foram principalmente dos anos 80, que foi quando eu conheci e comecei a gostar de metal. Caras como: Rob Halford, James Hetfield, Geoff Tate, Bruce Dickinson, enfim.”
 
Jon Schaffer: “A única maneira de a música evoluir, é porque há pessoas que de certas formas são influenciadas, mas que conseguem criar sua própria marca. Se formos ver, os Beatles e os Rolling Stones são responsáveis pela existência de bandas como o Iced Earth. Esses caras influenciaram o Black Sabbath e o Deep Purple, que influenciaram o Iron Maiden e o Judas Priest, que influenciaram Metallica e Iced Earth, e assim vai. Acho que um dos erros dos jovens de hoje é serem obcecados sobre o que seus heróis fazem. Não se preocupe como eu toco guitarra, descubra como você quer tocar guitarra. Se fizer isso, aparecerá algo original. Se se preocupar demais com o que os outros estiverem tocando, ou tentar cantar igual ao seu ídolo, você nunca terá uma identidade, será um clone.”
 
Jon Schaffer: “Não posso deixar de citar o Iron Maiden. Steve Harris é minha maior influência em muitas coisas, mas eu ouço hard rock e heavy metal desde os 3 anos, é o que tocava em casa. Minha mãe trabalhava em uma empresa que fabricava televisões e equipamentos de som, e havia uma gravadora que era subsidiária deles. Então nós basicamente ganhávamos os discos, muitos deles. Foi por isso que desde cedo eu conheci Blue Oyster Cult, Alice Cooper, Black Sabbath, Deep Purple, etc. Quando eu tinha 7 anos, comprei o "Kiss Alive", que havia acabado de sair, e este álbum me marcou muito, assim como o show deles, em 79. Foi aí que eu pensei “é isso que eu quero fazer”. Mas musicalmente, eu não diria que o Kiss tem influência no som do Iced Earth. O grande lance foi quando o Iron Maiden apareceu e lançaram o "The Number Of The Beast", que até hoje é o meu álbum preferido de todos os tempos. As mudanças de tempo, as melodias, a velocidade, a intensidade... a partir daí, eu comprei tudo que eles lançaram, e adoro tudo. Eu não tenho nenhum guitarrista como herói. Quando convenci meu pai a me dar uma guitarra, eu já comecei a compor, desde o início. Quer dizer, eu toquei o riff de "Smoke On The Water" e só, comecei a fazer minha própria música. Não toquei nenhuma outra coisa até que o Iced Earth tivesse lançado alguns álbuns. Então quando eu conheci o Iron Maiden e o que Steve Harris fez, sua visão sobre as coisas, ele se tornou um ídolo. Então se eu tenho um ídolo na música, é ele.”
 
Sobre o fato de ser autodidata:
 

Jon Schaffer: “Desde o começo do ano, temos um novo empresário, e então agora eu posso me focar mais na arte. Finalmente poderei fazer aulas de guitarra, e aprender porque eu faço o que faço, porque eu não tenho nem idéia. Eu simplesmente sento em frente ao piano, ou pego um violão, um baixo, qualquer coisa que produza notas, e eu componho algo. Mas eu não sei porque e nem como faço isso, e quero aprender. Acho que isso vai abrir muitas portas, vai me ajudar a captar o que se passa na minha cabeça e no meu coração muito mais rápido."
 
O Box planejado para o fim do ano:
 
Jon Schaffer: “Desde que fechamos com a SPV, eu já planejava lançar este box, após as duas partes do "Something Wicked". Ele vai trazer ilustrações extras, um DVD com algumas imagens desses shows de verão que estamos fazendo, e também o "Framming Armageddon" regravado com o Matt, que por isso também será remixado. Além disso, haverá quatro faixas que não foram lançadas. Mas não será uma tentativa de apagar o que o Tim fez, pois eu realmente gosto de sua performance no álbum, ele é um cantor fantástico. Mas do ponto de vista da continuidade, vai ser muito legal fazer isso. Ainda é cedo para sabermos a data de lançamento, mas talvez próximo do Natal."
 
As letras do Iced Earth:
 

Jon Schaffer: “Meu objetivo na banda sempre foi entreter as pessoas. A última coisa que eu quero é envolver política nas músicas, pois não quero ficar lembrando-as de como a vida é uma porcaria.”
 
Matthew Barlow: “Tentamos nos afastar disso o máximo possível. Cada um tem suas crenças políticas, assim como religiosas, e são coisas pessoais.”
 
Jon Schaffer: “No final das contas, a maioria dos álbuns do Iced Earth são baseados em fantasia. E sim, eu tenho um problema com a religião organizada, acho que é ruim e perigoso. Quem presta atenção às nossas letras, percebeu que há várias coisas anti-religiosas, mas isso não quer dizer que sejam anti-espirituais, pois eu sou um cara muito espiritual. Acontece que a humanidade distorce tanto essa coisa espiritual, que fica perigoso, o que certamente causou uma grande divisão entre nós, como seres humanos. Muito sangue foi derramado em nome de Deus, e isso faz parte da história do "Something Wicked", mas não é político.”
 
Sobre a boa crítica que Matthew recebeu em sua volta aos palcos:
 

Matthew Barlow: “Não fiz nenhuma aula, mas pratiquei durante o período em que estive fora. Ter gravado o álbum com o Pyramaze e agora com o Iced Earth certamente ajudou a restabelecer minha voz. E de todas as músicas do nosso set, as únicas que eu nunca tinha cantado ao vivo são "Ten Thousand Strong" e "Declaration Day", eu faço o meu melhor para dar a elas a emoção que merecem ao serem cantadas. Os fãs pagam bastante dinheiro para ver um show nosso, eles merecem um espetáculo, e é isso que sempre tento proporcionar. Tenho orgulho de dizer que nunca perdi um show; mesmo quando estou doente, faço o melhor possível, pois os fãs merecem."
 
A falta de músicas do álbum Burnt Offerings no setlist:
 

Jon Schaffer: “Não gosto dele. Quer dizer, gosto de "Dante’s Inferno" e de alguns momentos no álbum, mas ele é o cd do Iced Earth que menos vendeu, e isso quer dizer que é um dos álbuns que os fãs menos gostam. E eu sei disso, porque sinto que na época, não houve o comprometimento e empenho necessários, e a responsabilidade é minha. Mas deste álbum, pode ser que toquemos "Last December" ou "Dante’s Inferno" em shows futuros, mas pode ser que não. Ouça no seu aparelho de som, se gostar."


Transcrição de entrevista em vídeo e consequente tradução exclusiva Brazil Under Ice por Cristiane McBrain.