2008 - Entrevista com Greg Seymour
Fonte: Purgatory Official Myspace
Purgatory Myspace:
Quando você conheceu o Jon Schaffer?
Greg Seymour: Em 1983, Jon e eu fomos
apresentados um ao outro por um amigo em comum, Shawm O'dell. Jon morava há uma
hora ao sul de Indianápolis, Indiana, e tinha acabado de voltar para Fort Wayne.
Desde o começo nós tínhamos muito em comum: 1- Nós tínhamos 15 anos; 2-
Adorávamos Kiss e Iron Maiden; 3- Bebíamos e fumávamos; 4- Tínhamos senso de
humor parecido e 5- O mais importante: tínhamos jaquetas de couro!
Purgatory Myspace: Como vocês tiveram a inspiração de se mudar para Tampa
(Flórida) e começar a banda?
Greg Seymour: Inspiração não foi o que nos
influenciou a mudar para Tampa. Em 1983 eu mudei de Fort Wayne, Indiana, para
Augusta, na Geórgia, morei lá por mais ou menos um ano e então minha mãe
conseguiu um emprego em Washington DC. Eu fui morar com a minha irmã Julie em
vez de ir com a minha mãe. Apesar de eu ter apenas 16, conseguia entrar em bares
e clubes e comecei a notar que Tampa tinha uma boa cena de Hard Rock/Metal. Em
abril, Jon veio para Flórida de férias com sua mãe e seu padrasto, quando eles
chegaram, Jon me ligou e perguntou se eu gostaria de ficar com eles na praia, em
Bradenton, e eu aceitei. Passamos os dias seguintes no bar do hotel ou na praia
conspirando para dominar o mundo! Antes de voltar para Indiana, Jon perguntou
aos seus pais se eu poderia voltar com eles e eles concordaram. Dizer que só
bagunçávamos seria amenizar as coisas e depois de mais ou menos três meses de
brigas e prisões, eles ficaram cheios de nós e nos expulsaram. Não tínhamos para
onde ir e depois de conversarmos seriamente, eu decidi ligar para minha irmã em
Tampa e perguntar se ela poderia nos hospedar por algum tempo e ela aceitou.
Fomos para Flórida, Jon com uns 150 dólares e eu com 90. No meio do caminho,
paramos em Myrtle Beach, Califórnia do Sul para visitarmos nossos amigos Cara
DeMille, Tracy Dubois e o irmão de Cara, John DeMille (John e eu formamos a
banda Sanctum depois que voltei para Indiana em 1998). Ficamos lá por 4 ou 5
dias e gastamos a maior parte do nosso dinheiro, inteligentes, não? Com apenas
17 anos talvez foi o destino que nos trouxe para Flórida e para dentro da agora
infame cena Metal de Tampa Bay nos anos 80.
Purgatory Myspace: Como e quando vocês conheceram os futuros membros do
Purgatory?
Greg Seymour: Já fazia 7 ou 8 meses que
estávamos em Tampa e não tínhamos ensaiado com ninguém ainda e com a idade que
tínhamos, 8 meses pareciam dois anos e já estávamos impacientes, o primeiro ano
e meio foi bem difícil. Trabalhávamos duro, morávamos em lugares horríveis e
comíamos mal, tudo isso junto parecia fazer o tempo andar mais devagar. Em 1996,
conhecemos um cara chamado Scott Mullins, que tocava baixo (bom, pelo menos ele
tinha um baixo). Scott conhecia um cara chamado Larry Sapp, e nós quatro nos
juntamos algumas vezes para tocarmos umas músicas que eu e o Jon tínhamos.
Ensaiávamos no duplex que alugamos de Jason Lacey e seu pai George (o mesmo
Jason que chamávamos de "Jason o senhorio embriagado" no final dos nossos shows
de horrores). Jason escrevia poesia com a veia de Jim Morrison e às vezes
colocava as suas palavras nas músicas quando tocávamos. Não tínhamos sistema de
PA, então ligávamos o microfone em um amplificador de guitarra ou Jason
simplesmente cantava sem nada e mesmo assim ainda era possível ouvi-lo. Existem
algumas fotos dessa formação "não-oficial" em algum lugar, vou tentar
encontrá-las. Ensaiamos 7 ou 8 vezes e foi isso.
Purgatory Myspace: Pode nos falar um pouco de cada membro com suas
próprias palavras?
Greg Seymour: O primeiro guitarrista do
Purgatory foi um cara chamado Gary Custard (também conhecido como Nikki Raven).
Jon conheceu Nikki em 1984 quando eu morava na Georgia. Nikki veio para Tampa
três meses depois de nós, mas com 17 anos ele não estava muito motivado quanto a
conseguir um emprego e nós mal conseguíamos nos manter. Nikki ficou mais ou
menos dois meses e um dia, quando eu e Jon voltamos do trabalho, ele tinha ido
embora. Nikki tinha trabalhado em 10 ou 12 músicas com o Jon que tocaríamos mais
tarde com a formação completa. Quanto à formação "oficial", no verão 1986 nós
vimos um anúncio em um quadro de avisos em uma loja que era algo como "baixista
e vocalista procurando por guitarrista e baterista". Então nós ligamos, o
vocalista era Gene Adam e o baixista era Richard Bateman, que tinha uma garagem
que servia para ensaios. Jon e eu fomos até lá para tocarmos com eles e logo no
primeiro dia nós mostramos o material próprio que tínhamos escrito e acho que
tocamos "Sympton of the Universe" do Black Sabbath. As coisas saíram tão bem que
voltamos lá de novo para ensaiarmos e trabalharmos em mais material próprio.
Depois de 2 ou 3 semanas, duas strippers que conhecíamos nos falaram de um
guitarrista, ele era Bill Owen. Eu não tenho certeza se nós ligamos para ele ou
foi o contrário, mas quando nos juntamos, tocamos e tínhamos a banda completa!
Purgatory Myspace: Conte um pouco sobre o processo de composição das
músicas.
Greg Seymour: Logo quando nos juntamos com
Richard e Gene, eles tinham entre 8 e 10 músicas e Jon e eu tínhamos 12 ou 15.
Quando juntamos tudo, cada um tocava a música que tinha criado e aí
completávamos as músicas ou trocávamos alguns riffs. Quanto aos shows, a loja
Thorobred organizava uma "jam night" uma vez por semana. A banda só precisava
trazer as guitarras e o baterista só tinha que tocar com um kit patético de
bateria. Tocamos lá depois de três semanas de termos começado, também tocamos em
uma "batalha de bandas" no Longhorn, um outro bar. Conseguimos atrair mais
público que as outras bandas e faturamos 500 dólares e depois destruímos o
camarim. Os primeiros shows foram um bom começo, Richard tinha 18 anos e era bem
conhecido na região por ser um ótimo baixista, mas ele também conhecia muita
gente da escola, então umas 20 pessoas sempre iam nos assistir, a gente caçava
muito os shows.
Purgatory Myspace: Conte sobre começar a fazer shows ao vivo.
Greg Seymour: Ganhamos uma reputação muito
rapidamente, não só por causa da nossa música, mas porque éramos um bando de
arruaceiros idiotas sem controle! Muitos de nossos amigos próximos que faziam
parte da nossa equipe eram loucos também, as pessoas nunca sabiam o que esperar
de nós. Alguns meses depois estávamos em um cartaz com o Nasty Savage. Nós
também tocamos com outras bandas como o Siren e uma grande banda de covers
chamada Blizzard. Em 87 nós começamos a fazer nossos próprios shows e bandas
como Silent Scream e Abbadon faziam a abertura, essas são as duas bandas que
mais lembro.
Purgatory Myspace: E como foi a evolução das performances nos shows?
Greg Seymour: No começo os shows eram mais
simples. Em 1986 a maioria das bandas de Metal vestiam camisetas e jeans nos
palcos (à la Metallica) e nós não éramos diferentes. Depois de dois ou três
meses nós começamos a incorporar umas coisas mais teatrais nos shows, nesse
ponto metade das nossas músicas eram baseadas em personagens de filmes de
terror. Tínhamos músicas sobre o Jason, Freddy, Leatherface, Dracula, etc. Nós
falamos com o nosso artista plástico Artie e passamos pra ele algumas das nossas
idéias e ele nos fez uma luva do Freddy Krueger, e nós também tínhamos uma
máscara do Leatherface que o nosso amigo Tracy Bartlett colocava e subia no
palco com uma serra elétrica e corria atrás das pessoas. Ele trocava bastante de
roupa durante os shows. No auge dos dias do Purgatory, tínhamos um palco que
poderia ser descrito como um cruzamento entre um calabouço e um cemitério. Havia
um caixão feito por Gene do qual ele saía no começo da "Dracula", roubamos parte
de uma cerca de ferro trabalhado de um cemitério de verdade e dividimos em três
partes, assim era possível montá-las com a minha bateria. Nós também encontramos
um estudante de artes que fez cinqüenta caveiras de cerâmica que apareciam na
cerca. Havia tochas, e Bill, Gene e Tracy desenvolveram e construíram um sistema
de bases de explosão que produziam chamas que tinham de 1 a 2 metros em várias
partes do show. Quando fazíamos esses shows com grandes produções, levávamos
cerca de cinco ou seis horas para preparar tudo! Tínhamos uma longa cortina que
escondia o palco até a hora da introdução, quando dois roadies começavam a
puxá-la devagar até que ficasse aberta, enquanto isso eu ligava a máquina de
fumaça que ficava atrás da bateria. Se você fosse de alguma banda de abertura,
provavelmente teria que montar seu equipamento no chão na frente do palco porque
nós tínhamos muita coisa! Era quase como um espetáculo. Todos nós nos
movimentávamos muito no palco, Gene descia e ia tocar no meio da galera. Bill e
eu conversamos muito sobre isso várias vezes e sentíamos que metade das pessoas
que iam aos shows nos odiava, mas iam assim mesmo só para ver o que ia
acontecer, poderíamos começar uma briga ou cuspir em alguém. No final de muitos
dos nossos shows cadeiras e mesas estavam quebradas, e uma vez no Sunset Club o
mictório foi arrancado da parede. O caos parecia nos seguir, eu imagino o
porquê.
Purgatory Myspace: Você ainda tem contato com os membros da banda?
Greg Seymour: Eu sempre estive em contato
com o Bill. Em 1992 nós começamos uma banda chamada Inner Sanctum, gravamos uma
demo de quatro músicas, chamada "Hand of Time", a banda acabou em 1995. Depois
disso, Dave saiu do Iced Earth e entrou em outra banda que eu tocava, o Incite.
Dave tocou algumas músicas que gravamos, mas nunca lançamos, mas eu ainda as
tenho. Eu encontrava o Richard em bares aqui e ali quando alguma de nossas
bandas tocava nos anos 90. O Gene eu não vi por doze anos até que a banda em que
ele tocava com o Bill, Dave e o Richard, chamada "Unearthed" veio para Chicago
em 2005 para o Chicago Metal Fest. O Bill me ligou semanas antes e perguntou se
eu queria tocar com eles, então tocamos "In Jason's Mind", foi legal! Acho que o
Bill tem um vídeo disso. Eu não falo com o Jon desde 1994.
Purgatory Myspace: Pode nos falar sobre alguma música do Purgatory?
Greg Seymour: "Lobotomy" - Uma música
escrita pelo Richard e pelo Gene, uma das primeiras músicas que aprendemos como
banda. Rápida e agressiva, ela só fica um pouco devagar no meio e depois volta
quebrando tudo.
"Stormrider" - Uma das primeiras oito ou dez músicas que o Jon escreveu.
Estávamos com problema para achar a melodia para o começo da música. Eu estava
tocando alguma coisa que fiz na guitarra e acho que o Jon estava lendo a letra,
aí ele percebeu que o que eu estava tocando se encaixou perfeitamente com a
letra. Essa música foi totalmente escrita na primavera de 1985. Foi nossa
primeira tentativa de fazer uma música mais "thrash" e que terminou no segundo
álbum do Iced Earth, "Night of the Stormrider".
"Bladed Chain" - Essa música foi inspirada no Massacre da Serra Elétrica, foi
escrita em 1986 quando escrevíamos muito sobre terror. Faz tempo que não a ouço
e quase não me lembro dela agora, só lembro que ela era boa pra cacete!
Purgatory Myspace: Nós lemos em algum lugar que você saiu do Iced Earth,
se importa de nos contar os detalhes do motivo?
Greg Seymour: Sim, eu saí da banda no fim de
1989, algumas coisas me levaram a tomar essa decisão. O que chamava a atenção em
nós era que o som era diferente e o processo de criação das músicas também,
quando combinados. Quando Richard saiu da banda para entrar no Agent Steel, nós
não só perdemos sua habilidade de escrever as músicas, mas a estrutura forte da
banda começou a mudar. Não digo isso para desmerecer o que o Dave trouxe para a
banda, já que ele era um baita baixista e compositor, mas depois que o Richard
saiu o baixo ficou muito no segundo plano nas músicas. No final de 1987 ou
começo de 88, Bill foi chutado da banda, disseram a ele que o estilo dele não se
encaixava mais com a banda ou qualquer merda desse tipo e que ele não era
dedicado à banda. Isso foi um monte de merda, Bill adorava a banda! Ele não
gostava das ordens que eram dadas de dentro da banda e ele não é o tipo de
pessoa que fica puxando o saco dos outros. Quando ele tinha uma chance de
acrescentar alguma coisa à uma música nova, ele o fazia e provavelmente era o
que mais tinha conhecimento sobre música dentre nós (escalas diferentes, tons,
etc.) e nos tirou de confusões algumas vezes. Com sua saída, eu acho que nos
transformamos em uma banda diferente e talvez tenha sido melhor que o nome
mudou. Eu comecei a sentir que não pertencia mais à banda. Tinha muitas pessoas
novas, algumas eu tolerava, mas não fazia questão de tê-las por perto. Eu era o
que mais estava apegado à música que fazíamos, mas a atitude "todos por um" que
tivemos uma vez já não existia mais e as pessoas se preocupavam mais em serem
aprovadas pelo Jon e serem puxa-sacos. Em 1989 nós gravamos e lançamos o que
poderia ter sido a última tentativa do Iced Earth em conseguir um contrato, "Enter
The Realm". Alguns meses depois, ela foi eleita a demo do ano pela revista alemã
Rock Hard, muita coisa estava rolando naquela hora, mas para mim nada daquilo
superava o que havia de negativo. O mais importante, Jon e eu tínhamos pouco ou
nenhum respeito um pelo outro àquela altura. Passamos cinco anos morando juntos,
trabalhando juntos e em uma banda, mas nossa amizade se desgastou. A minha hora
de deixar a banda tinha chegado, não tenho ressentimentos.
Purgatory Myspace: Tem alguma coisa que você gostaria de dizer às pessoas
que lerem essa entrevista?
Greg Seymour: Gostaria de agradecer à todos
que estiveram envolvidos em criar essa página do Purgatory! Eu sempre fico
surpreso quando ouço quantas pessoas ouviram falar da banda antes mesmo do
sucesso do Iced Earth. Espero que os outros membros e velhos amigos contribuam
com esse site também, eu sabia que existiam várias fotos, flyers, vídeos e
gravações que apareceriam no futuro. Gostaria de dizer olá para o Jonh DeMille
(continue detonando, bro), Tracy Dubois (obrigado por todo apoio nesses 25
anos!) e Jason Lacey (legal ouvir você de novo, não vamos perder contato por
mais doze anos!)
Tradução por Fábio Hirata.