2008 - Entrevista com Jon Schaffer
Fonte: Metal Asylum
Tradução por Antonio Neto.

1. Ter Matt de volta mudou algo no lançamento do “The Crucible of Man” em relação a Tim Owens ter sido o escolhido original para cantar no disco?

Jon Schaffer: Não. A única mudança óbvia são as letras que Matt ajudou a compor. Tudo estava composto, na verdade todas as músicas do “Framing Armageddon - Something Wicked Pt.1” e do “The Crucible of Man - Something Wicked Pt.2” foram gravadas ao mesmo tempo, em sua maioria. Depois da tour do “Framing Armageddon”, eu tive de terminar algumas letras, umas guitarras principais, umas melodias e outras coisas que eram só do "Crucible". Então a volta do Matt não chegou a influenciar no lançamento do “The Crucible of Man”.

2. Você quase respondeu minha próxima pergunta. As partes 1&2 foram gravadas ao mesmo tempo?

Jon Schaffer: Sim, exatamente ao mesmo tempo. Quando Brent (Smedley) gravou as baterias, ele gravou umas trinta e poucas, e eu fiz todas as guitarras e baixos, com exceção da parte limpa em “The Clouding” do “Framing Armageddon” e “Reflections”, que foram feitas pelo Dennis Hayes, assim como outras 5 ou 6 músicas que eu queria que tivessem alguns efeitos na parte 2. Mas o resto do baixo foi feito por mim.

3. Pode nos contar algo sobre os efeitos sonoros e orquestrações em “Crucible of Man”?

Jon Schaffer: As orquestrações são um pouco diferentes da Parte 1. “Framing Armageddon” era referente á uma parte mais antiga da história, e por isso tinha mais sons tribais, antigos. Então no “Crucible” algumas dessas coisas aparecem em quatro novas faixas que são passagens, e aparecerão no box que está para vir, a box “Something Wicked”. Essas quatro faixas foram retiradas do “Crucible” porque a continuidade está um pouco zoada com a mudança de vocais, então eu imaginei que o "The Crucible Pt.2” soaria melhor desse jeito e então o Matt vai recantar o “Framing Armageddon Pt. 1” para a box. Então, adicionarei mais passagens e tudo irá fluir melhor. Mas para a maior parte do disco, é o jeito clássico, e soa como o mesmo arranjo melódico do fim da Parte 1, mas foi feita com instrumentos diferentes, e eu tenho um coral de verdade nesse. Eu tinha que escolher entre ir para Praga e tocar com a Orquestra Filarmônica denovo ou usar amostras de corais, e eu estava querendo há algum tempo fazer essa coisa de corais, então fizemos para o “The Crucible of Man”.

4. Novamente você quase respondeu minha próxima pergunta; agora com Matt de volta na banda, você pensou em regravar os vocais do “Framing Armageddon”? Você também mencionou uma box?

Jon Schaffer: Sim, originalmente o voz era algo planejado desde o começo, quando sabíamos que iríamos completar a saga do “Something Wicked”. Então pedi para a SPV que lançassem o “Framing Armageddon” e “The Crucible of Man” só uma vez, sem essas versões com bonus, extras, porque já tínhamos esses planos de relançar os dois discos nessa box “Something Wicked”. Então faz sentido ter essa continuidade nas partes 1&2, agora que Matt está de volta na banda. Eu tenho meu próprio estúdio, então vai ser uma coisa fácil a ser feita, e divertida, porque poderei remixar e consertar trechos problemáticos que tive no “Framing Armageddon” e também acertar o que queria na Parte 2. A Parte 2 pra mim é mais vigorosa que a Parte 1.

5. O que mais vai ter no box “Something Wicked” além do “Framing Armageddon” e “The Crucible of Man”?

Jon Schaffer: Vai ter também o EP “Overture of the Wicked” que tem as novas versões da trilogia original (“Prophecy”, “Birth of the Wicked”, “The Coming Curse”) do disco “Something This Way Wicked Comes”), mas com Matt cantando as músicas, e teremos o “Framing Armageddon Pt.1”, porém remixado com Matt cantando, um DVD com material dos festivais que fizemos na Europa durante o verão, e bastidores da produção das partes 1 e 2.

6. Algum dos membros dessa turnê participou da gravação do “The Crucible of Man”?

Jon Schaffer: Troy Steele tocou três solos de guitarra, e Brent Smedley tocou as baterias, e só. Obviamente os vocais foram feitos pelo Matt.

7. Os membros listados na parte de trás do promo do “The Crucible of Man”, eles estão na banda, participarão das gravações do próximo disco?

Jon Schaffer: Sim, esta é a banda da turnê, e eu espero tê-los para o próximo disco. O nosso novo baixista, Freddie Vidales, é o que a banda precisava, ele transmite muita energia no show e tem uma grande presença no palco. Ele foi o líder de sua banda por um longo tempo, então é legal ter na banda alguém que conhece as minhas dores de cabeça, hahaha.

8. Quais são as suas músicas favoritas do “Crucible” e porque?

Jon Schaffer: “Come What May”, “Sacred Flames” é provavelmente a música mais teatral que já compûs. Mas “Come What May” como música é minha favorita, porque... acho que ela tem uma idéia de esperança para a humanidade. A história não acaba na parte 2, mas nos traz á epoca atual e basicamente nos mostra a situação da humanidade, e se você fizer as coisas certas, poderemos evoluir e sobreviver a tudo isso. A música diz que a humanidade evoluiu em um sentido tecnológico, mas não mudou nada em sua natureza desde que surgiu no planeta há milhares de anos. Se não evoluirmos para outro patamar, em um nível mental, estaremos ferrados. A humanidade queria o poder que os setianos tinham, e os setianos são os descendentes do grande arquiteto do universo, que é Deus. Deus é a verdade absoluta, para mim, e o é nessa história. O único caminho para a luz é a honestidade e a verdade, e a humanidade é a mestre da mentira e manipulação, basicamente é essa a premissa da história. Os setianos estão usando nossos medos e fraquezas contra nós para manter a humanidade dividida para nós mesmos nos aniquilar, e eles poderem sentar e nos manipular como se fôssemos bonecos. É basicamente isso, em poucas palavras. Eu amo a “Crucify the King” também, assim como a “Behold the Wicked Child”; “A Gift or A Curse” é legal porque traz uma sonoridade diferente para o Iced Earth, e é a primeira vez que cantei os vocais principais daquele jeito, onde eu faço a melodia mais alta e Matt faz a melodia mais grave. Algo meio Peter Gabriel/Pink Floyd, eu realmente gostei dessa.

9. Estão gravando algum show para lançar em DVD?

Jon Schaffer: Sim estamos. Gravamos vários festivais na Europa e estamos planejando lançar um DVD em Janeiro/Fevereiro, mas não vai ser um DVD muito produzido, embora vá ser melhor que o “Alive in Athens”. São festivais, então é diferente de quando tem um show nosso, com luzes, fogos, nosso próprio palco. Vai ter o show ou do Metal Camp ou do Rock Hard festival. Esses foram os shows filmados por várias câmeras, mas eu não vi o material bruto ainda para decidir qual saiu melhor. Terá também bastidores e alguma coisa do Graspop, e de outros shows. Vamos chamá-lo de "Summer Slaughter" (NT: Massacre no Verão).

10. Quando for gravar esse DVD, vai pensar em fazer uma retrospectiva, desde o começo da carreira do Iced Earth e tocar coisas desde o primeiro disco até o presente?

Jon Schaffer: Não sei ainda. Depende, pois ultimamente estão pedindo para tocarmos toda a saga “Something Wicked” ao vivo, mas isso depende se todos os fãs quiserem. Quero saber da duração do sucesso desse disco, saber se querem mesmo isso e então trabalharei para que isso aconteça. Não tem como dizer agora. Quando a hora chegar, faremos um show do jeito que quero há muito tempo que saia em DVD. Na verdade eu gostaria de fazer uma retrospectiva, algo como o que fizemos na época do "Horror Show" na Europa. Foi muito bom, e queria que tivéssemos gravado, mas a Century Media não acreditou na idéia. Fizemos três sets sem banda de abertura, no primeiro set o palco era como se feito de metal, e tocamos apenas coisas dos primeiros 3 discos, depois a cortina fechava e o palco mudava para um clima egípcio, onde tocávamos coisas do “The Dark Saga” e “Something Wicked”, e depois o palco mudava para a arte do “Horror Show” e tocávamos o disco todo ao vivo. Tinha fogos, havia mudanças de figurino, era um espetáculo de verdade, e não foi filmado, não entendo e não consigo acreditar que a Century Media não quis bancar a filmagem.

11. Qual a sua opinião sobre o lançamento do “Alive in Athens” em DVD? Você não pareceu contente quando ele foi lançado.

Jon Schaffer: Não é que eu tenha vergonha dele, apenas não foi lançado da maneira correta, e o que me chateou foi que a Century Media fez tudo aquilo parecer ter sido feito nas coxas. Cara, sabemos que o material de lá é ruim. Foi gravado para uma "versão pequena da MTV alemã". Três músicas foram transmitidas pela TV, eu acompanhei tudo, e foi como um fim de semana do Iced Earth na Grécia. Então não foi feito para ser lançado em DVD, e quando eles editaram tudo, ferraram com a coisa. Seria ao menos legal se tivessem me envolvido, para que eu pudesse editar o material, pois muitos ângulos de câmeras não estão sincronizados com o som. Eu sei que em muitas situações não dava pra ter um ângulo legal, mas era inevitável.

12. Filmaram algo para o “The Crucible of Man”?

Jon Schaffer: No momento não planejamos nada nesse sentido, a gravadora está um pouco com receio quanto a isso. Vamos pensar nisso.

13. Há alguma banda nova de metal que você gosta?

Jon Schaffer: Não sei se você chamaria o Airbourne de heavy metal, mas eu amo eles. Tocamos juntos em vários shows na Europa e eu amo a atitude deles, a energia deles no palco. Eles são excelentes. Acho que eles vão melhorar mais ainda como compositores mas se eles souberem agir certo, farão muito sucesso. Na verdade não fico ouvindo muitas bandas novas. Estou tão amarrado ao mundo do Iced Earth tentando fazer a coisa continuar em frente que não tenho oportunidade pra isso.

14. Qual a situação do Demons and Wizards?

Jon Schaffer: No momento, está no limbo. Estou bem concentrado no Iced Earth e no disco novo, Hansi está descansando do Blind Guardian para irem ao estúdio gravarem um disco novo. O ruim é que estamos com agendas diferentes agora, lançávamos discos em épocas parecidas, mas parece que perdemos a sincronia. Poderá ocorrer em alguns anos, antes de fazermos algo novo, mas só faremos isso quando tivermos tempo.

15. Quais os planos para a turnê da banda?

Jon Schaffer: Bem, estamos perto de fazer a turnê americana, neste outono, depois voltaremos para o Reino Unido em novembro, porque o movimento lá está crescendo, estamos procurando ir para a Austrália, Japão, e Nova Zelândia em janeiro, Europa na primavera com o Saxon. Mais festivais no próximo verão. O legal é que estamos tendo uma agenda muito boa de compromissos e as oportunidades estão aparecendo como nunca. Estou tendo um gerenciamento ótimo pela primeira vez, e estão acontecendo coisas ótimas para o bem do sucesso do Iced Earth. Agora posso me ver concentrado em tocar guitarra ao invés de ficar gerenciando a banda. Posso então me concentrar na arte ao invés dos negócios. Nunca pude fazer isso antes. Minha guitarra ás vezes tem apenas 5% da minha atenção, as pessoas não conseguem acreditar nisso. Mas há muita coisa nos bastidores para manter o Iced Earth em frente, que antes eu é quem tinha que cuidar.

16. O próximo disco vai sair pela SPV?

Jon Schaffer: Não, nosso contrato acabou com a SPV, este é nosso último disco. Não sei o que vai acontecer no próximo disco. Certamente estou mais contente com o trabalho da SPV do que com a Century Media, mas a SPV faz mais coisas em algumas partes do mundo do que em outras.

17. Qual sua opinião sobre a box “Slave to the Dark” lançada pela Century Media?

Jon Schaffer: A Century Media vai sempre lucrar em cima do sucesso do Iced Earth. Fizeram tudo sem me envolver porque sabem que eu desaprovo esses relançamentos. Eu realmente gostei do pacote, da embalagem, é bem legal. Parece interessante pra quem está conhecendo a banda, para poderem ter todos os discos de uma vez só, e tem as músicas ao vivo não lançadas antes como extras. Houve um ano em que tocamos em um Wacken Open Air na Alemanha e gravamos a “Stormrider” para colocar de bônus no “Something Wicked This Way Comes” japonês. Tem vários detalhes será que vale a pena ter tudo denovo? Se eu estivesse envolvido nisso, provavelmente colocaria outras coisas para fazer valer mais a pena para os fãs que já tem a “Dark Genesis” ou os discos remasterizados.