2008 - Entrevista com Jon Schaffer
Fonte:
OnTrackMagazine
Tradução por Antonio Neto e
Cris McBrain
Cara, o novo CD é absolutamente impressionante. Definitivamente acho que é um
dos melhores discos até agora. Havia muitos fãs céticos imaginando se ter o
Matthew Barlow de volta seria bom ou ruim, e eu me incluo nisso. Mas há muita
paixão nesse disco; não tem como negar. Dito isso, eu também era um dos que
acreditaram que o Tim Ripper Owens deveria ter cantado nesse segundo disco;
entretanto, sendo honesto, conhecendo a Parte 1, comparado com o trabalho do
Ripper no "The Glorious Burden" e baseado na performance de Matt no disco novo,
agora queria que a parte 1 fosse feita com ele também. Entendeu a confusão?
Jon Schaffer: Não, não, acontece que, é
muito provável que você ouça o Matt cantando a Parte 1, porque esse box foi
planejada desde que contratei com a SPV. Tudo isso foi planejado. Planejamos
lançar um box que teria a saga inteira em um pacote. Assim, faz sentido o Matt
cantar a Parte 1, para termos a continuidade devida. E mais, eu deixei algumas
passagens introdutórias de fora, há umas 4 passagens faltando na parte 2. Achei
que fluía melhor sem elas. Mas quando a coisa toda é ouvida como uma só, vai
fazer sentido de novo. Há muitas opiniões sobre tudo isso mas eu não dou a
mínima. Quando dizem algumas coisas, para mim, opiniões são como cus. Todos tem
um e a maioria fede, e o que eu sei é que do ponto de vista da composição e
produção, faço o melhor trabalho possível, e se isso atende às minhas rigorosas
exigências, fico satisfeito. Sou definitivamente meu pior crítico.
Certo. Entendo completamente. Mas do ponto de vista de um fã, ficamos
divididos, pois queremos aceitar a amar o que você faz não importa como, mas
cada um tem seu gosto. E então você fica pensando, "Bem, talvez teria sido
melhor se isto fosse...", então, para mim, é um pouco frustrante.
Jon Schaffer: Acontece que, para os fãs é
diferente, mas para mim, eu sou o autor disso tudo, então quando as pessoas me
dizem coisas como essa, eu penso "Bem, é interessante, mas não entendo". Eu vejo
as coisas de um jeito diferente de vocês. Para mim, a voz é outro instrumento na
mixagem, e desde que as melodias, cadências e a atmosfera que eu quero para a
música são satisfeitas, tudo funciona, e os dois caras são cantores competentes,
impressionantes.
Como eu disse, eu ouço de modo diferente, e acho que há muitas pessoas que se
animam com algumas coisas e dizem merda; ouço coisas como: "Jon compôs para a
voz do Matt", eu não componho para a voz de ninguém. Eu componho uma música e o
cantor tem que ser capaz de cantá-la apropriadamente, porque é pra isso que ele
é pago. Não é assim que funciona. Não conheço nenhum compositor que escreva uma
música para a voz de um cantor. Você tem que saber do que eles são capazes e não
pode compor algo em um tom que não vai soar bem. Ás vezes você tem que fazer um
ajuste, mas isso não muda a música. É uma questão de adaptar a melodia. Mas
quando você trabalha com caras desse calibre, não é preciso fazer isso. Esses
dois podem fazer qualquer coisa humanamente possível com suas vozes. É como
passear no parque para mim como compositor, e do ponto de vista da produção,
para produtores como Jim e eu, é ótimo trabalhar com esse tipo de talento. Gosto
dos dois discos. Amo o trabalho que Tim e eu fizemos juntos. Mas ainda assim, o
espírito do Iced Earth como uma banda ao vivo tinha algo faltando. Eu não me
liguei durante a turnê do "The Glorious Burden" com o que estava acontecendo ao
vivo, porque eu estava tendo dores terríveis nas costas, mas quando nós
estávamos em turnê na Europa no outono passado em 2007, estava ficando visível
pra mim que havia algo errado. Pela primeira vez na história da banda, e eu digo
mesmo em relação a antes da entrada do Matt, eu senti que havia algo errado no
palco. Havia algum problema com a química acontecendo e foi isso que ocasionou
as mudanças. Não teve nada a ver com eu me desapontar com a capacidade do Tim
nas gravações. Foi mais uma coisa espiritual mesmo. Acho que os fãs sentiram
isso, porque eu não acho que o Tim estava acreditando muito em tudo. Acho que
ele estava no Iced Earth por causa do pagamento e acho que ele estava mais
concentrado em fazer algo próprio. Era bem aparente em suas ações na verdade,
não se envolver nas coisas, ter oportunidade de compor e não aproveitar, coisas
assim. Isso diz muito sobre a dedicação de alguém. Você não engana os fãs, cara.
Você não consegue. Se você ir por aí sem acreditar no que faz, eles vão saber.
Vão perceber facilmente. Ou pelo menos a maioria vai. E eu acho que realmente o
que levou a tudo isso. O ponto é que haveria mudanças de qualquer maneira.
Depois do "The Crucible of Man", haveria mudanças. Essas coisas acontecem, o
destino tem suas jogadas, depois eu ouvi sobre o Matt com o Pyramaze, e então eu
chamei ele e disse "Ei cara, sentindo falta daquilo?" e ele disse "É".
Primeiramente, estávamos falando em fazer um projeto paralelo juntos. Não entrou
na minha cabeça com ele sendo um policial, e com uma criança nova e tudo mais,
aceitando voltar ao Iced Earth. Mas depois de meia hora conversando, ficou claro
que ele estava interessado, e eu disse "Bem, você sabe, poderia ser bem legal, e
talvez seja a hora" e ele também sentiu isso. Então fizemos. Foi bem sem
planejamento, totalmente sem planejamento. Mas como eu disse, as mudanças
estavam vindo de qualquer maneira.
Em relação á saída de Ripper da banda, houve um pouco de hostilidade com você
pelo modo como tudo aconteceu. Como você se sente sobre isso? Você acha que
poderia ter sido de uma maneira melhor?
Jon Schaffer: Não, porque despedir alguém
nunca é fácil. Acho que tem muitas coisas não contadas sobre como as coisas
aconteceram, e não vou entrar nesse assunto. Mas posso te dizer que não tenho
que ficar me explicando pra ninguém. A banda é minha, o negócio é meu, e há uma
razão pra tudo o que faço. As pessoas tem que entender que quando alguém é
demitido, e tenho certeza de que muitas pessoas já foram demitidas, ou conhecem
quem já foi, é sempre culpa do chefe, é sempre culpa de outra pessoa, é muito
raro uma pessoa que assume a responsabilidade de seus atos. Mas olha só, faz
mesmo diferença ter sido duas semanas antes do natal, ou três semanas, o que
seja? Seria ruim em qualquer época do ano. Pra mim, eu teria sido um idiota
falso se tivesse tudo planejado e tivesse esperado pelas festas de fim de ano,
fingindo estar tudo certo. É besteira. Não faço as coisas assim. Sou bem direto,
se decisões foram tomadas, todos sabem. Tinha que ser assim. Eu não queria
complicar as coisas. Na verdade, ter pena das pessoas só vai te pressionar por
mais tempo ainda. Eu vi o Tim na Itália quando fizemos um festival lá, ele
estava lá com o Yngwie Malmsteen, e durante um dos solos de dez minutos do
Yngwie nós conversamos ao lado do palco e ele estava sendo amigável. Agora, eu
ouvi muitas coisas que foram ditas. Mas cara, isso são coisas que as pessoas
fazem. Não importa. Sério, no fim das contas, é uma questão de experiência. Tim
precisa mesmo é descobrir o que ele vai fazer com a carreira dele. Se ele quer
fazer algo próprio, ele tem a oportunidade. Ele tem um nome por causa do Judas
Priest e do Iced Earth e tem a oportunidade de mostrar do que ele é feito.
Queria que existisse um jeito fácil de demitir as pessoas, mas não existe. E
houve muitas coisas nos bastidores que eu não vou revirar que acabaram
resultando no que aconteceu. Não vou ficar com intrigas e lavando roupa suja,
mas posso dizer que tem um "outro lado da história".
Essa próxima coisa que vou dizer, não leve a mal. Não quero ofender e nem
irritar ninguém. Mas quanto ao "Ripper", você sempre se refere a ele como Tim.
Sim, ele tem o nome "Ripper" e assim parece que se tornou uma entidade própria.
Quando você pensa, "o Ripper com o Iced Earth", era como uma coisa separada. O
que se fala pela internet é que você não gostava muito que ele usasse esse nome,
"Ripper". Imaginei que você achou que ele estava tentando fazer disso uma coisa
própria, e se você sentiu que ele não era parte da banda por causa disso.
Jon Schaffer: Tim tem medo de que ninguém o
conheça se ele não usar isso. Eu dizia "Olha, isso foi um nome criado pelos
produtores do Judas Priest. É uma coisa muito brega." Uma coisa seria se isso
tivesse acontecido antes de entrar pra banda, mas pra mim, ele se apegar a isso
com se fosse a única coisa que tivesse, era um sinal de desespero e realmente
muito desnecessário. Eu acho brega. Imagine se fosse Matt "The Mangy Red-Headed
Crazy Guy" Barlow (NT: ruivo louco nojento). Eu acho esses nomes bregas e não
quero isso no Iced Earth. Achei que o Tim tivesse tido uma chance para
reconstruir sua imagem. Mas quando ele não era reconhecido nos aeroportos e em
outros lugares comigo, aquilo ferrava com seu ego. E coisas assim aconteciam, e
pareceu que depois de um tempo, ele estava desesperado para se agarrar nisso.
Mas enfim. É uma escolha dele. Eu não usaria uma imagem criada por um produtor
do Judas Priest, eu não deixaria isso definir minha carreira. Eu faria meu
talento definir minha carreira, é o que eu acho.
Certo, entendo completamente. Isso explica muitas coisas e coloca numa
perspectiva melhor do que a que eu tinha, então eu agradeço por isso. De um modo
geral, é revigorante ter alguém com um período na banda quase comparado ao seu,
de volta na banda. Você concorda? É como se houvesse uma química. Antes, com os
outros membros, você basicamente era o Iced Earth. Agora com Matt de volta, tem
alguém que passou por muitos apertos com você.
Jon Schaffer: Bem, vamos ver. Me sinto bem
com isso, e com certeza há muitas pessoas contentes com isso. Já ouvi os dois
tipos de reações. Eu não guio minha carreira baseado nesse tipo de coisa.
Estamos falando de música, de arte. Sempre segui em frente sem me preocupar com
quem está na banda e quem manda nisso. É assim que funciona. É muito bom ter
Matt de volta... em vários aspectos. Pessoalmente, é legal porque somos muito
amigos e é algo sincero. É amor sincero. Um se importa com o outro. Antigamente,
andávamos sempre juntos, mesmo quando estávamos fora de turnês. Nós não
ficávamos sem nos ver só porque não estávamos sem fazer alguma turnê. Estaríamos
juntos no dia seguinte e iríamos ao cinema, esse tipo de coisa. Claro que isso
não acontece agora, porque estamos morando longe. Há lados diferentes em nossa
relação. Tem o lado da amizade, da família, e o dos negócios. A banda é o lado
dos negócios. Nele, fizemos muitas coisas ótimas. É muito fácil trabalhar com o
Matt, ele acredita na banda, confia nas minhas opiniões, confia nas minhas
idéias para a banda e nas minhas composições e ele se entrega de coração assim
como fazia no passado. A fase do "The Glorious Burden" foi difícil, pois Matt
havia passado por uma grande mudança e apesar de termos tentado fazer a coisa
acontecer, não funcionou, e eu estava diante de uma decisão difícil, lanço um
disco que é o melhor disco, o mais caprichado que já compus, lanço e me
arrependo como aconteceu com o "Burnt Offerings"? Ou eu paro tudo no meio e
encontro uma solução? Percebi que o Matt estava na banda por lealdade e
educação, mas não porque queria, e isso ficou muito claro quando Jim e eu
estávamos gravando com ele. Não estava indo bem. Apesar de Jim poder fazer tudo
dar certo na mixagem, terminamos o primeiro disco, e quando estávamos para
começar o "Gettysburg", eu pensei: "Não posso fazer isso. Não vou fazer isso.
Pare a produção. Eu vou falar com o Matt. Vou acabar com isso e vou resolver a
situação”. Então, tivemos nossos altos e baixos. Quando Matt entrou na banda
pela primeira vez, na época do "Burnt Offerings", era uma época difícil, por
muitas razões. Foi a única época da história do Iced Earth em que eu queria
enterrar minha cabeça no chão em pleno palco. Era para fazermos uma turnê como
atração principal junto com o Rage depois dos shows de verão, com o Running Wild
como principal, então, não estávamos prontos, cara. Fizemos quatro shows e eu
disse "Chega, vamos embora. Cabeças vão rolar." Fizemos mudanças, e então as
coisas voltaram aos eixos. Então voltamos pra Europa com o "The Dark Saga" e
conseguimos nosso respeito de volta. Então aconteceu muita coisa. Matt esteve
comigo por muitos anos, nas turnês, ajudou com letras muito legais, e ele é uma
parte grande da minha vida, então estou feliz com a volta dele.
Muito legal. Agora sobre o disco atual. Sobre o conceito, há bastante
complexidade na linha do tempo do enredo e eu acho que não captei tudo. Na
verdade, eu posso ter entendido bem errado. Pode nos dar um resumo de tudo?
Jon Schaffer: Na verdade não. Não tem como
fazer isso rapidamente. É muito profundo, é muito complexo. Mas a premissa
básica é de que a humanidade é uma raça alienígena ao planeta Terra. A Terra
original era habitada por um grupo chamado Setianos. Eles parecem humanos, mas
não são. São muito evoluídos, muito mais do que nós. Eles são na verdade
descendentes diretos de Deus, ou do arquiteto do universo, e eles têm poder e
sabedoria. Eles não possuem armas, são evoluídos demais pra isso, mas conhecem
matemática, além de qualquer conhecimento humano. O conselho de anciões domina a
habilidade de viagem no tempo e esse tipo de coisa. É atrás dessa força e
sabedoria que a humanidade vêm até a Terra. É disso que fala a música “Prophecy”
na trilogia original. A trilogia original envolvia três períodos particulares da
história, que se passa durante 12 mil anos. “Prophecy” é o que vai acontecer
quando a humanidade vier à Terra. Então vai para “Birth of the Wicked”, que é
10,000 anos depois, é por isso que tem um relógio lá. Então Set nasce. “The
Coming Curse” é o que ele fez em 2000 anos no planeta.Agora temos uma
aprofundada muito maior na história. Na abertura de "Framing Armageddon", temos
“Something Wicked (part 1)” que relembra a “Prophecy” e fala, "a humanidade está
vindo, estamos vendo isso acontecer, nós aceitamos isso, vamos escolher os 10
mil de nossa espécie , pessoas especiais que merecem nossa lealdade", eles não
escolheram qualquer um. Essas pessoas foram escolhidas para se esconderem.
Quando os humanos aparecem e exterminam todo mundo, e descobrem que o conselho
dos anciãos não possui o conhecimento que eles procuram, eles matam o conselho.
A arte do disco, as letras, os efeitos sonoros ajudam a contar a história, mas
você tem que entender tudo isso, e entender quando eu digo o que está
acontecendo. É bem difícil contar em forma de música. É muito difícil. Mas então
o exército de dez mil foi escolhido para fugir e se esconder, fugindo de sua
cidade, onde os humanos estavam chegando. Esconderam-se nas montanhas enquanto
seus entes e familiares eram massacrados e assassinados, e então esperaram pelos
dias de Ofuscamento. O "ofuscamento" é um período onde a terra passa por vários
eventos cataclísmicos, o (deserto do) Saaara cobre todas as evidências da
invasão humana na Terra; todo o aparato espacial e tecnológico fica enterrado na
areia. Os humanos acordam e não se lembram de nada do que aconteceu, assim como
o pulso magnético do planeta, há um pulso explosivo de plasma do céu. Eles
acordam, não sabem de onde vieram, por que estão aqui, eles não sabem de nada.
Não conseguem nem se comunicar entre si, falar, ao menos que sejam da mesma
raça. Isso é parte da história de fundo, que conta da galáxia de onde os homens
vieram, porque vieram e porque existem diferentes raças, há muito mais coisas,
mas não vamos entrar nisso agora. Sobre o ofuscamento; os homens acordam e
voltam ao seu estágio inicial de sobrevivência; alimentação, vestimenta, abrigo.
Só conseguem existir e sobreviver. Nesse momento, os setianos tomam a forma os
homens, que é onde entra a “Infiltrate and Assimilate”, eles se infiltraram, e
agora vão liderar os homens. Os humanos começam a se espalhar pelo planeta e é
assim que as diferentes sociedades e culturas nascem. Assim, o tempo todo, os
setianos são responsáveis por tudo e eles criam a “Ordem da Rosa”, que é uma
sociedade filantrópica que aparentemente parece fazer bem à humanidade, mas por
trás, foram eles quem criaram as religiões do nosso planeta. São eles que
manipulam todas as guerras que acontecem, e seguido disso, há a “Domino Decree”,
que fala do efeito dominó, "se conseguirmos fazer esses acontecimentos dessa
maneira, vamos acabar com o jogo", que é o fim da humanidade. Basicamente, o
“Framing Armageddon” cobre os primeiros 10,000 anos e depois vem o “The Crucible
of Man” que começa com o nascimento de Set. Então, essa parte da história,
considerando o “Framing Armageddon”, é como uma narrativa às vezes. Tem pontos
de vista pessoais, como quando é o general que comanda a invasão humana. É ele
que comanda o coro em “Motivation of Man”, você tem os soldados marchando e
saindo de suas naves, e as explosões, aquela coisa toda. Então você tem a
perspectiva de alguns personagens chave. Mas para a maior parte, é a narração da
história por períodos grandes de tempo. Mas no “The Crucible of Man"”, começa
com o nascimento de Set e então fala sobre os Seguidores do Vigia em "Minions Of
The Watch", que são os que cuidarão dele e que uma hora ou outra, irão revelar a
ele quem ele é, e sua função no planeta. Primeiramente, ele reluta em aceitar
isso. Ele descobre isso aos 13 anos de idade, que é o que conta "A Gift or a
Curse". Foi por isso que fizemos os vocais do jeito que fizemos. Foi a primeira
vez que eu cantei assim em um disco. Eu quis fazer soar como se Set estivesse
conversando consigo mesmo, então é como se sua mente consciente e seu sub
consciente estivessem revezando. Matt faz as linhas finais e então eu e ele
cantamos juntos nos versos principais. É uma voz bem diferente de tudo que eu já
fiz no Iced Earth, mas é legal. Trouxe uma nova textura à musica. Mas enfim,
coisas assim estão acontecendo. Set nasce 6 meses antes de Jesus Cristo, mas ele
é muito importante, pois eles sabem que precisam de uma religião mais poderosa
para fazer as coisas acontecerem. Então, eles vêm com essa idéia de Cristo, esse
messias, o cristianismo; eles criam isso, e Set manipula Cristo o tempo todo. É
ele também quem aparece e enfia o arpão do destino em Cristo lateralmente quando
ele está crucificado. E se você ouvir a música “Crucify the King”, é do ponto de
vista de Set, falando com Cristo, dizendo coisas como "olhe para você,
homenzinho patético", jogando na cara, com seu uniforme romano, esse tipo de
coisa. Set pode estar em qualquer lugar e em qualquer tempo. Ele é como uma
força da natureza. Ele tem DNA humano, mas ele é a encarnação de um milhão de
almas que foram massacradas, e alguns dos sumo sacerdotes dos conselhos anciões
encarnaram nele também. É um evento astrológico que acontece e faz com que todos
os outros eventos se unam, e através de seus julgamentos e sofrimento, ele
aprende tudo. Sobre o processo de transformação que acontece, temos um
seguimento chamado “Injecting the Venom” (Injetando o Veneno), que vai estar no
box e que mostra basicamente como Set muda de uma criança de 13 anos para o
príncipe coroado. De qualquer maneira, cara, é muito profundo. Poderíamos falar
disso por horas. Não sei como explicar tudo rapidamente, e se tiver um jeito,
não conheço.
(risos), Bem, você acaba de me mostrar um mundo novo. É bem mais do que eu
tinha imaginado. Isso é legal, cara. Você juntou várias coisas. Estou intrigado.
Jon Schaffer: Eles manipulam a humanidade
inteira. Essa sociedade secreta, A Ordem da Rosa ("Order Of The Rose"), é a
maior força do mundo. Tudo aquilo na Gerra Fria, no universo Something Wicked,
foi planejado pelos setianos. É tudo parte do plano, tudo isso está no Decreto
Dominó ("Domino Decree"), cada evento, desde Jesus Cristo até Kennedy,
tudo o que fizermos terá um resultado específico. O única pontinha de esperança
para a humanidade nessa porcaria toda é a música “Come What May”. É onde a coisa
acaba. A história não acaba aí, mas lança a questão: Se a humanidade se
organizar, podem ter uma chance, não necessariamente vencendo os setianos, mas
evoluindo como uma raça que merece existir". Essa é a premissa. A humanidade,
nós basicamente fizemos inúmeros avanços tecnológicos, especialmente nos últimos
100 anos, fizemos coisas incríveis. Tudo por desejo dos setianos também, no
universo Something Wicked (risos). Mas na verdade, meu ponto de vista é: a
humanidade, apesar de toda essas coisas, continua sendo os mesmos idiotas que
sempre foram nos últimos trocentos anos, e no universo Something Wicked, estamos
aqui há 12 mil anos. A natureza da humanidade não evoluiu. “Come What May” é a
música que diz que se a humanidade realmente começar a ser honesta consigo
mesma, então existe uma chance de a espécie evoluir. Mas terá que ser uma
decisão de múltiplos indivíduos, de fazer o que é certo, e isto é: ser honesto,
e realmente cumprir isso, porque a maioria das pessoas não são. É bem mais fácil
mentir. É muito mais fácil se olhar no espelho e dizer "Estou ficando muito
gordo, mas não é minha culpa que eu coma porcarias o dia todo." ou "se eu fui
demitido, foi por culpa do meu chefe", ou "se tem um problema em meu
relacionamento, é culpa da outra pessoa, e não minha!" Esse é o problema com a
humanidade, estamos ferrados. Não assumimos a responsabilidade por nossos atos.
A maioria das pessoas é assim. Essa é minha opinião pessoal, mas eu acho que se
existe um caminho para a salvação, é a honestidade. É o único jeito de chegarmos
lá. Não estou dizendo que "Se você não acreditar em mim você vai queimar no
inferno", acho isso besteira. Acho que para o espírito humano realmente crescer,
temos de ser responsáveis, é basicamente isso. Há muito sobre minha visão da
vida e do mundo, e meu amor pela história, tudo isso está amarrado nessa
história e de um jeito bem sombrio, divertido e legal de se bagunçar a história
mundial.
Definitivamente. É realmente bem diferente do "The Glorious Burden", que traz
fatos históricos corretos, mas bem semelhante a outros discos do Iced Earth.
Então, onde você vai depois disso? Você acha que vai fazer novamente algo
baseado em fatos reais como fez no “The Glorious Burden”?
Jon Schaffer: Acho bem possível. Depende de
onde minha cabeça estiver no momento. O plano original para saga Something
Wicked era pra ser logo após o “Something Wicked This Way Comes”. Mas considerei
os acontecimentos da época com a gravadora, e não tinha como fazer isso com
eles, mas precisávamos completar o contrato com eles, então encerramos com o
"Horror Show". E então assinamos com a SPV, e com o contrato com eles, eu disse
"Sabe, eu não quero fazer o épico Something Wicked como nosso primeiro trabalho,
mas se fizermos isso, e eu gostar da idéia, vocês vão entender". Havia algumas
cláusulas contratuais a serem respeitadas. Foi quando discutimos sobre a box e
tudo mais. Tudo isso foi de propósito. Eu comecei a juntar instrumentos musicais
do mundo em 1999. Eu planejei tudo isso, e sei que algumas pessoas tem problemas
com esse elemento da história, as passagens tribais e tal, mas eu não ligo
porque é o que faz a história ser como é.
Bem, eu considero uma obra prima. É definitivamente um dos meus favoritos.
Tenho ouvido ele bastante e não consigo esperar para vê-los em turnê. Sei que
vocês estão indo pegar a estrada para alguns shows nos EUA. Como já falei com
você em outras oportunidades, a popularidade do Iced Earth aqui nos Estados
Unidos nunca pôde ser comparada com o resto do mundo, definitivamente devido a
inconstância do mercado americano. Entretanto, eu recentemente soube que o show
em Los Angeles foi transferido para um lugar maior. Você acha que o Iced Earth
está finalmente tendo o impacto na América do jeito que você esperava?
Jon Schaffer: Tem tido esse impacto já faz
algum tempo. Acho que tivemos muito a ver com o renascimento do metal nos EUA.
Em 1997, quando eu tirei a banda da Flórida e fomos para o centro oeste, e
começamos a excursionar pelo país em uma van, trabalhando no centro oeste e
divulgando até a costa. Não havia nada acontecendo até o momento. Desde a turnê
do "Horror Show", Iced Earth teve praticamente as turnês com os shows lotados.
Na turnê do "Horror Show", todos os shows, ou uns 95% deles, foram esgotados, e
na turnê do "The Glorious Burden", todos os shows principais. Estou feliz com
isso. Agora, podemos ir além? Claro. Mas o mercado norte americano é o nosso
maior mercado no mundo atualmente.
Sério? Legal.
Jon Schaffer: Sim, absolutamente. Vendemos
mais discos nos EUA. Se você pegar a Europa inteira, ainda vendemos mais na
Europa. Mas não dá pra fazer isso. Você tem que considerar os países
isoladamente. Por muitos anos, a Alemanha era nosso maior país. Considerando por
habitante, é a Grécia, mas você sabe, a Grécia tem uma população pequena, é um
país pequeno, mas nesse país somos grandes, somos como os Beatles lá, e nunca
vou entender isso. (risos). Mas aconteceu assim, e amamos ir para lá. É um lugar
legal. Mas em termos de vendas, os EUA são o mercado número 1 do Iced Earth.
Então, as coisas tem mudado um pouco.
Bem, Jon, muito obrigado por seu tempo. Foi um prazer e espero ver vocês
quando forem para Los Angeles.
Jon Schaffer: Legal cara.
Tudo de bom.
Jon Schaffer: Certo, cara. Se cuida.