2008 - Entrevista com Jon Schaffer
Fonte:
Ugo Music Blog
Tradução por
Rodrigo Batata
Vamos começar falando sobre o ultimo álbum, "The Crucible of Man - Something
Wicked Part 2"
Jon Schaffer: Bem, a segunda parte da saga "Something
Wicked" foi gravada ao mesmo tempo que o "Framing Armageddon" que é a primeira
parte. Eu escrevi todo esse material entre Fevereiro de 2006 e Fevereiro de
2007, que foi quando nós começamos a editar algumas faixas de bateria, porque eu
havia finalizado umas 35 ou 36 músicas, algo do tipo. Basicamente, foi para dar
uma ajeitada nas coisas. "Framing Armageddon" tem uma vibe mais tranqüila, com
instrumentos de vários lugares do mundo, coisas tribais, devido ao contexto da
sua história. Já o "The Crucible of Man" é mais "dark", porque começa com o
nascimento do personagem principal da história, Set Abominae. Ele é o
anti-cristo para a humanidade, mas o salvador para a sua raça. Então é
apropriado que ele seja mais dark, como eu disse, foi feito assim. Tudo isso foi
feito durante os mesmos três meses. A única coisa que eu tive que fazer depois
foram algumas letras, depois de passar seis ou oito meses promovendo o "Framing
Armageddon". Mas todo o processo de gravação foi feito junto.
Foi um problema para você terminar o conceito Something Wicked por causa da
troca de vocalista?
Jon Schaffer: Não, no geral não foi um
problema. Isso não afetou muito. De qualquer maneira, fui eu quem escreveu todo
o material, as letras, as melodias, tudo. Matt contribuiu com as letras em
algumas músicas, mas sou eu quem ensina as músicas para os caras da banda, então
isso acabou não fazendo muita diferença. Porem, ambos os vocalistas são capazes
de fazer aquilo que eu quero como compositor e produtor da banda.
Teremos um "Something Wicked - Part 3"?
Jon Schaffer: Não, não teremos, porque a
história nos traz para os dias de hoje. Se algo fosse acontecer na história do
Something Wicked, em termos de envolvimento do Iced Earth, isso provavelmente
seria relacionado ao lugar de onde a humanidade veio e o porque deles vieram. De
qual galáxia eles vieram, e toda a história por trás disso, o que é uma grande
parte da história. Mas nesse momento eu não tenho qualquer desejo de continuar
com isso.
Eu li algo sobre um box com os dois Something Wicked, isso é verdade?
Jon Schaffer: Bem, nós conversamos sobre
isso, mas eu acho que não vai acontecer. Acho que a nossa gravadora vai acabar
falindo. Então eu não acredito que eles serão capazes de fazer isso. Isso
realmente foi discutido, e eu gostaria de ver isso acontecer, mas eu acho que
não vai.
Então o Iced Earth vai ter que procurar uma nova gravadora em breve?
Jon Schaffer: Vamos. Felizmente, para nós,
nosso contrato estava terminando. Mas eu me sinto mal pela SPV, porque eles
estão passando por dificuldades, como muitas gravadoras nesse momento.
Porque o Ripper saiu da banda?
Jon Schaffer: Bem, ele saiu da banda porque
eu quis que ele saísse. A mudança ocorreria mesmo que o Matt não quisesse voltar
para a banda, mas isso provavelmente aconteceria depois do "The Crucible of Man".
Do ponto de vista técnico, Tim é o mais fantástico vocalista com o qual eu
jamais trabalhei, ele consegue fazer qualquer coisa que seja humanamente
possível. Mas do ponto de vista espiritual, o Iced Earth precisa de alguém que
realmente acredite naquilo. Todos que já estiveram nessa banda, e Tim foi o
quarto vocalista, acreditaram realmente na banda e você podia sentir isso no
palco. E isso era uma coisa que estava faltando. Tim fez um ótimo trabalho, sua
voz era fantástica ao vivo, ele estava sempre afinado e ele sempre fez o seu
trabalho. Mas isso é uma coisa espiritual. Acho que é porque ele estava mais
interessado em seguir com sua carreira solo, ir nessa direção, isso era óbvio.
Então, caso eu não tivesse tido essa conversa com o Matt naquele momento, uma
mudança aconteceria apenas depois do "The Crucible of Man". Isso aconteceu
apenas porque o destino interferiu, e foi dessa forma que aconteceu. Mas eu
desejo tudo de melhor para o Tim, ele é um cara com um talento fantástico e ele
merece ir mais longe em sua carreira. Eu não acho que isso vai acontecer com o
Yngwie Malmsteen, mas eu acho que isso vai acontecer se ele realmente procurar
dentro dele e ele achar o que ele quer, para uma carreira solo e for atrás
disso.
Olhando para o passado, você tem alguma história engraçada de quando o
Richard Christy estava na banda?
Jon Schaffer: Realmente não. Creio que o
Richard era um cara engraçado, mas nada demais. Ele sempre foi um personagem e
sempre vai ser. Então eu acho que ele finalmente encontrou sua vocação, fico
feliz por ele. Ele sempre foi obcecado pelo Howard Stern Show, então para ele, é
muito legal ter uma carreira nisso.
Você alguma vez viu esse estranho senso de humor dele enquanto ele esteve na
banda?
Jon Schaffer: Absolutamente! É o que eu
disse, ele era um louco o tempo todo! Não tinha nada em especifico, mas ele
estava sempre fazendo aqueles filmes alternativos, estranhos e engraçados e esse
tipo de coisa. Sem, Richard é uma viagem.
Você sabe se o Richard já tocou alguma música do Iced Earth no Howard Stern
Show?
Jon Schaffer: Não faço idéia. Eu não ouço o
Howard Stern porque eu não acordo tão cedo. E se eu acordasse, provavelmente eu
estaria ocupado! Mas me falaram que ele comentou sobre o Iced Earth no programa.
As pessoas me perguntaram, "O que aconteceu?" Inferno, como eu vou saber? Não é
como se as vendas aumentassem depois que ele começou a trabalhar no Howard
Stern. Duvido disso, mas certamente não atrapalhou.
Qual o status do Demons & Wizards?
Jon Schaffer: Atualmente esta parado. Nós
não discutimos nada específico sobre mais uma gravação, apesar que tenho certeza
que isso vai acontecer. Esse é o tipo de coisa que eu e o Hansi fazemos sempre
que temos uma chance e uma oportunidade aparece. Agora, eu tenho uma coisa
escondida na manga, que será o meu próximo projeto ao lado do Iced Earth.
Você gostaria de nos falar algo sobre esse projeto?
Jon Schaffer: Ainda não. Estou trabalhando
nisso e os detalhes serão anunciados em breve.
Porque você acha que tantos membros entraram e saíram do Iced Earth?
Jon Schaffer: Bem, tivemos anos difíceis na
banda. Muitas bandas não teriam sobrevivido pelas coisas que essa banda passou.
Nunca tivemos nenhum empresário antes do final dos anos 90, então eu negociava
com todas as gravadoras e tudo mais. Assinar um contrato de gravação é como ser
escravizado, muitas pessoas pensam que desde que estamos gravando, estamos
fazendo toneladas de dinheiro. Mas não tem dinheiro nenhum. Você não consegue
pegar as pessoas e fazê-las se sentirem bem com algo se elas sentirem que não
tem futuro. E a maioria das pessoas, francamente, não estavam comprometidas com
isso. Eu comecei essa banda como um veiculo para divulgar minhas músicas, isso é
o que ela sempre foi e sempre será, independente de quem entrar ou sair. E isso
certamente funcionou. Todas as vezes que eu não segui meu instinto eu me fodi. A
realidade é que continuo liderando o grupo 20 anos depois e nós vendemos alguns
milhões de discos, então eu estou fazendo alguma coisa certa aqui.
Foi dificil se manter fiel ao metal nos anos 90, quando todos diziam que o
gênero estava morto?
Jon Schaffer: Foi difícil para nós desde o
começo. Nosso primeiro álbum saiu em Novembro de 1990 na Europa, e se não me
engano, ele saiu aqui nos EUA em Fevereiro de 1991, com uma distribuição muito
limitada. Foi difícil porque no começo do Iced Earth, foi quando metal "começou
a morrer", no começo dos anos 90. Foi quando a cena de Seattle começou a tomar
forma e mesmo no underground, o metal melódico era uma coisa do passado, apenas
o death e e thrash metal conseguiam algo. Em 1989, lançamos o "Enter The Realm",
essa demo foi como fogo sobre a Europa, e foi isso que fez a banda assinar um
contrato. Foi uma demo muito popular, do ponto de vista da troca de demos e de
reviews, foi assim que conseguimos um grande falatório na Europa. Nosso primeiro
álbum saiu, e ele foi muito bem, considerando o estado que as coisas estavam
naquela época. Muitas pessoas pensavam que nós fazíamos Death Metal, apenas
porque estávamos em Tampa na Flórida naquele momento. Todas as pessoas pensavam,
"Bem, vocês devem ser uma banda de Death Metal". Eles colocam o disco e ouviam
um metal mais melódico, e isso era chocante. Isso para mim era uma maneira de
viver. Eu não me importava em ser a bola da vez ou o que a tendência queria.
Sempre me dediquei muito a isso. Temos os amantes e os que odeiam a mim e ao
Iced Earth, e eu sou uma pessoa brutalmente honesta, eu me dediquei como um
filho da puta a isso, mais do que qualquer um que eu conheci. Isso é meu estilo
de vida, estou comprometido com isso até o dia que eu decidir que eu já fiz a
minha parte por isso. Quando isso acontecer, estará tudo terminado. Mas isso irá
acontecer baseado nos meus termos, e não nos de qualquer outra pessoa.
Quais são os seus e os planos para o futuro do Iced Earth?
Jon Schaffer: Nós temos excursionado muito
desde Fevereiro, nós concluiremos os shows pelos EUA até o dia 20 e será apenas
isso nesse ano. Então nós tiraremos algum tempo para o Dia de Ação de Graças e
para o Natal, por volta do dia primeiro de Fevereiro, nós vamos iniciar uma
turnê européia com o Saxon, e acredito que iremos fazer um show na Cidade do
México com o Iron Maiden, lá pelo final de Fevereiro ou começo de Março. Por
enquanto é o que nós temos agendado, mas nós estaremos fazendo alguns festivais
na Europa e provavelmente mais alguns shows da América do Norte entre a
primavera e o os festivais de verão na Europa. Portanto, as pessoas tem que
ficar ligadas no nosso site.