2009 - Entrevista com Jon Schaffer
Fonte:
Metal Express Radio
Tradução por Cristiane McBrain

Metal Express Radio: Não é comum alguém de cabelo curto receber tantos elogios de uma lenda do metal como Tim “Ripper” Owens recebeu da última vez que este repórter entrevistou Jon Schaffer do Iced Earth. Mas esses dias acabaram. Apesar da inegável química existente entre Schaffer e o cantor semi-lendário Matthew Barlow, foi uma surpresa a saída repentina de Owens e a volta de Barlow à banda, bem no momento de gravarem o "The Crucible Of Man", a terceira e última parte da ambiciosa saga "Something Wicked". Um álbum do qual Schaffer, sem surpresa, é muito orgulhoso.

Jon Schaffer: Qual é o meu álbum favorito do Iced Earth? É impossível dizer, mas o que posso falar é que seria um dos três últimos. "The Glorious Burden", "Framing Armageddon" e "The Crucicle Of Man" são três álbuns fantásticos. Os dois últimos são o resultado de um ano tremendamente estressante, já que fizemos ambos em apenas um ano. Ainda assim, quando falo sobre nossa música, você deve se lembrar de que eu a ouço de forma diferente da que os fãs ouvem. Eu ouço a música do ponto de vista de um compositor.

O que isso significa?

Jon Schaffer: Significa que eu ouço além dos riffs e melodias. Cada música deve conter uma opinião. Sem uma letra que tenha conteúdo, uma música não vale nada. Ao contrário de muitos compositores, eu nunca faço a música primeiro. Em vez disso, começo com um título e um assunto para a música, ou mesmo um título provisório, e sigo a partir daí.

Do que você tem mais orgulho no "The Crucible Of Man"?

Jon Schaffer: Fiquei felicíssimo com o resultado final de "A Gift Or A Curse". Eu nunca havia cantado daquele jeito. Normalmente eu cuido das partes vocais sombrias e assustadoras, utilizando uma voz tenebrosa e meio rugida, e isso foi um desafio totalmente novo para mim. O maior desafio que enfrento como compositor é fazer com que a música seja interessante tanto para mim quanto para os fãs. Tais elementos contribuem para isso, eu acho. Também fiquei muito orgulhoso com o coral. Eu pude escolher entre usar um coral ou orquestra completos, o orçamento não permitiu ambos, e olhando pra trás, fico feliz e orgulhoso por termos decidido pelo coral. Dessa vez eles cantam a letra da música mesmo, não apenas “ooh” e “aah”, e soa muito potente. Musicalmente, "Come What May" é um destaque definitivo. Foi muito bom gravar essa música.

Que o Iced Earth é sua banda, e só sua, não é novidade. Mas nas letras de "I Walk Alone" você, finalmente, escreve que "eu sou a verdade, eu caminho sozinho". Você finalmente decidiu levar a público?

Jon Schaffer: Haha, é uma boa pergunta, mas terei que desapontá-lo: essa letra são somente relacionadas com a história. A mensagem da música é que a verdade é a única coisa que pode nos salvar.

Alguns fãs das antigas provavelmente diria que em vez disso, a única coisa capaz de salvar o Iced Earth seria o retorno de Matthew Barlow. E Barlow está finalmente de volta, depois de ter deixado a banda para trabalhar como policial após o 11 de setembro. (Nesse momento, Schaffer revela que ele mesmo ficou tentado à carreira militar.)

Jon Schaffer: Eu fiquei por muito pouco de entrar na Marinha após o 11 de setembro. Tenho vários amigos que estão lá, e na verdade foram eles que me fizeram desistir. Eles disseram “seja você mesmo, isso ajuda a nós e ao nosso país muito mais”, e foi o que me fez continuar a fazer o que faço hoje. Eles me disseram que o Iced Earth servia de inspiração aos soldados, e foi muito bom ouvir isso.

Então a volta de Matthew Barlow é meio que uma bela história do filho que regressa à casa, na verdade.

Jon Schaffer: Pode ser que sim.

Então como foi o primeiro ensaio com Barlow?

Jon Schaffer: A primeira sessão juntos foi no estúdio, e não um ensaio propriamente dito. Mas agora já fizemos alguns shows e a química é incrível. Perfeita, eu ousaria dizer. Para usar um clichê, é quase como se ele nunca tivesse saído da banda. Foi um sentimento bom, e o mais importante, foi um sentimento de que era o correto.

... Ao contrário do que era quando ele não estava na banda?

Jon Schaffer: Bem, Tim "Ripper" Owens é um ótimo cara para se trabalhar no estúdio. Só tenho coisas positivas para dizer sobre o material que ele gravou com o Iced Earth. Ao vivo, por outro lado, ele nunca chegou perto do nível da performance do Matt. Ele nunca teve o "feeling" que o Matt tinha, e no final das contas, é isso que importa. Antes havia uma certa química no palco, nos shows do Iced Earth. E eu sentia falta desse sentimento. Agora eu percebo que na verdade, eu sentia falta do Matt. Quando ele entrou no Pyramaze, eu sabia que ele sentia falta de trabalhar com música e entrei em contato com ele, para termos um projeto solo juntos. Mas quanto mais conversávamos, mais claro ficou para nós dois o que queríamos fazer. O Iced Earth sentia falta do Matt, e o Matt sentia falta do Iced Earth.

Schaffer, por outro lado, não sente falta de Tim "Ripper" Owens?

Jon Schaffer: Tim tem uma presença diferente. Quando estávamos na turnê de divulgação do "The Glorius Burden", eu estava sofrendo de dor nas costas, então não podia ser tão ativo no palco quanto eu gosto. Por isso, eu não notei que algo estava errado. Mas quando caímos na estrada novamente após o lançamento do "Framing Armageddon", eu realmente percebi o que estava acontecendo. A coisa não estava certa com o Tim. Tim é um cara que, pelo menos até agora, focou-se muito em si mesmo e na sua própria carreira. Ele não é tão bom para trabalhar em conjunto. Para ser parte do Iced Earth, você tem que realmente acreditar na banda. Honestamente, acho que iríamos arranjar outro vocalista mesmo se não conseguíssemos Matt, por causa da falta de compromisso do Tim.

Agora Ripper está com Yngwie Malmsteen, e fez um ótimo trabalho no álbum "Perpetual Flame".

Jon Schaffer: Yngwie na verdade tentou atrair o Tim enquanto ele ainda estava no Iced Earth. Eles se conheceram em um festival que tocamos. Tim e eu ficamos e assistimos ele tocar um de seus solos de guitarra de 10 minutos, e depois nós três conversamos, principalmente sobre família e essas coisas. Mas tenho certeza que Yngwie e Tim também tocaram no assunto de tocarem juntos. Na minha opinião, Tim deveria parar de trabalhar como um simples contratado. Tim é um cantor incrível. Ele deveria fazer seu próprio negócio, não trabalhar para qualquer um que o pague.