2009 - Entrevista exclusiva com Freddie Vidales
Tradução por Fábio Hirata
Brazil Under Ice: Conte-nos um pouco sobre sua vida e carreira, quando
começou a tocar baixo e quais foram todas as bandas na qual você participou?
Freddie Vidales: Comecei a tocar baixo em
1992. Eu toquei guitarra por um tempo antes disso em uma outra banda, mas nós
perdemos o baixista. Procuramos outro, mas não conseguimos encontrar um que
estivesse à altura dele, então eu assumi o baixo. Minha banda principal antes da
minha entrada no Iced Earth se chamava Infusion, tocávamos Death Metal e além de
baixista eu era o vocalista também. Começamos em Phoenix, no Arizona, em 1993 e
nosso último show foi em 2005. Eu também tocava guitarra em uma banda cover do
Iron Maiden chamada Powerslave e tocava baixo e era o vocal de uma cover do
Slayer, de nome Raining Blood. Eu também toquei em bandas que surgiram em
Phoenix, como o St. Madness, Motive e o Exiled enquanto eles procuravam por
outros membros. Eu estava quase tocando em um projeto aqui no Texas chamado
Killing Children quando tive a chance de entrar no Iced Earth.
Brazil Under Ice: Chegou a gravar álbuns, singles, eps ou até mesmo
participações como convidado?
Freddie Vidales: O Infusion lançou dois
álbuns produzidos pela própria banda e já fez várias participações em
coletâneas. O Killing Children só gravou uma demo.
Brazil Under Ice: Quais são os seus hobbies fora da música?
Freddie Vidales: Não é sempre que eu estou
fora da música. Mesmo quando não estamos tocando, eu sempre fico em casa
praticando ou escrevendo algum material. Eu gosto de estudar outras línguas
(apesar de não ter aprendido nada de português). Comecei faz pouco tempo, por
isso ainda não sou fluente em nenhuma delas.
Brazil Under Ice: Quais são seus projetos, dentro e fora da música?
Freddie Vidales: O Iced Earth é a única
banda em que eu estou envolvido agora. O único projeto que tenho fora da música
é ficar de olho nas coisas que acontecem em casa. (risos)
Brazil Under Ice: Quais são suas influências como baixista e amante do
bom Heavy Metal?
Freddie Vidales: Como baixista, minhas
maiores influências são Steve Harris e Steve DiGiorgio, além de Alex Webster,
Les Claypool e Flea. Como músico em geral eu tenho como influência Chuck
Schuldiner, Andy LaRocque, Ralph Santolla, Phil Fasciana e Nergal, só para citar
alguns. Como amante do bom e velho Heavy Metal eu tenho como maiores influências
o Iron Maiden, Death, King Diamon, Metallica e Death Metal em geral.
Brazil Under Ice: Quais são suas bandas e álbuns favoritos?
Freddie Vidales: O Powerslave do Iron Maiden
é o melhor álbum de todos os tempos para mim, o segundo é o Individual Thought
Patterns do Death. Todos os álbuns do King Diamond são obras-primas. Zos Kia
Cultus do Behemoth também é outro dos meus favoritos. Existem vários, a lista
seria grande.
Brazil Under Ice: Como você entrou para o Iced Earth? Você será membro
fixo ou foi apenas contratado para tocar ao vivo? Esperamos que seja membro
realmente fixo, porque seu estilo de tocar se enquadra perfeitamente com o que a
banda exige.
Freddie Vidales: Eu vi uma notícia que dizia
que o Iced Earth estava fazendo testes com baixistas. Eu nunca havia mandado
nenhum tipo de material para uma banda antes, mas eu senti que essa era a minha
chance e eu não poderia deixá-la escapar, então enviei um DVD em que eu tocava
músicas do próprio Iced Earth, Iron Maiden e algumas cenas de shows que fiz com
o Infusion. Cerca de um mês depois eu recebi um e-mail do Jon, me convidando
para ir até Indiana e tentar alguma coisa pessoalmente. Nos demos bem e ele
pareceu gostar do meu estilo, então aqui estou. Quanto à minha permanência na
banda como membro fixo, essa é uma decisão que cabe ao Jon tomar.
Brazil Under Ice: Qual foi a sua reação quando Jon Schaffer ficou
interessado no seu trabalho? Como foi pra você ser conhecido no mundo inteiro
como o novo baixista e quais são suas expectativas para o futuro?
Freddie Vidales: Fiquei muito contente. Eu
estava em Los Angeles e tinha acabado de voltar para o hotel depois de ver um
show do Iron Maiden no Forum. Estava de ótimo humor e depois que vi o e-mail que
Jon tinha me mandado eu fiquei ainda mais contente. Era um sonho que eu buscava
desde a primeira vez que peguei uma guitarra, aos 12 anos, e que agora se
realizou. Não sou famoso, mas minhas expectativas para o futuro são as de que o
Iced Earth vai ganhar muitos novos fãs e se espalhar ainda mais pelo mundo. Se
meu estilo e meu passado puderem contribuir para isso, então ficarei mais do que
feliz.
Brazil Under Ice: Como é a amizade e como é trabalhar com Jon Schaffer?
Freddie Vidales: É como trabalhar com uma
versão muito mais experiente de mim mesmo. Eu conheço a pressão e todas as
chatices que se deve enfrentar para liderar uma banda, mas em uma escala menor.
O Jon é um cara justo e sincero, e foi fácil nos entendermos porque eu sou do
mesmo jeito.
Brazil Under Ice: Qual a sua opinião sobre o trabalho de Jon Scaffer no
Iced Earth? Você já conhecia a banda?
Freddie Vidales: O trabalho do Jon é
incrível. Eu sempre toquei em bandas de Death Metal por causa dos desafios
técnicos desse estilo, e muitas das músicas que o Jon escreve tem algo
intrincado e bem técnico, então me identifiquei logo de cara. Junte isso com as
músicas mais lentas e melódicas e terá uma gama de estilos bem grande em uma
banda só. Não é todo mundo que consegue escrever música como o Jon. E sim, eu já
conhecia o Iced Earth antes de entrar.
Brazil Under Ice: Qual o melhor álbum e melhor música do Iced Earth para
você?
Freddie Vidales: Meu álbum favorito é o "Something
Wicked This Way Comes", para mim ele é perfeito. Minha música favorita,
principalmente porque eu adoro tocá-la ao vivo, é "Pure Evil".
Brazil Under Ice: Como foram seus primeiros shows com a banda? Como a
banda esta se sentindo atualmente com essa formação?
Freddie Vidales: Os primeiros shows foram
melhores do que eu esperava. Ensaiamos bastante, então tudo saiu bem quando
chegava a hora de subir no palco. Foi um pouco surreal para mim, porque um dia
eu estava praticando no quarto do baterista da minha outra banda no Texas,
tentando fazer algum sucesso com a banda e dois meses depois eu estava na
Alemanha de frente para milhares de pessoas. A formação de agora parece uma
segunda família para mim. Sempre conversamos por telefone quando estamos em
casa, e quando estamos em turnê sempre descobrimos as manias de cada um. Parece
que estou na banda há anos. Não quero dizer que o tempo não passa, mas é que
parece que eu conheço esses caras há muito tempo.
Brazil Under Ice: Que músicas você gostaria de tocar ao vivo com o Iced
Earth que ainda não teve a oportunidade?
Freddie Vidales: Seria muito bom tocar todas
as músicas em algumas oportunidades, mas há algumas músicas do "The Crucible of
Man" que não se encaixavam nos set-lists dos shows anteriores. "Divide and
Devour" era uma dessas. E também músicas do "Alive In Athens" que eu ainda não
toquei ao vivo.
Brazil Under Ice: Quais são os equipamentos que você usa ao vivo?
Freddie Vidales: Eu toco com o equipamento
de baixo do Jon, da Ampeg. Eu tenho um da Ashdown em casa, mas não faria sentido
trazê-lo. Eu vinha usando baixos da Ibanez e da Dean até agora, mas eu tenho um
Music Man Stingray que pretendo usar nos próximos shows.
Brazil Under Ice: Como esta o relacionamento do Iced Earth com a atual
gravadora da banda, a SPV? É verdade que o lançamento de um box contendo a saga
"Something Wicked" pode não ser lançado?
Freddie Vidales: Eu não acompanho essas
coisas, isso fica a cargo do Jon e do nosso empresário. As coisas podem estar de
um jeito um dia e no outro já terem tomado um rumo completamente diferente.
Ninguém fala nada até que as coisas estejam totalmente resolvidas ou
finalizadas. Eu simplesmente espero e vejo o que acontece, e eu acho melhor
assim.
Brazil Under Ice: Existe alguma possibilidade de um novo vídeo clipe para
alguma música do "The Crucible Of Man" para breve?
Freddie Vidales: Até onde eu sei, não há
planos para um clipe.
Brazil Under Ice: Você tem idéia quais serão as novas músicas que serão
apresentadas na turnê de promoção para o "The Crucible Of Man" agora em
Fevereiro junto ao Saxon, ou basicamente o set-list não terá grandes
modificações?
Freddie Vidales: Eu sei, mas é surpresa.
(risos)
Brazil Under Ice: Em algum momento o fato de Jon Schaffer ser líder da
banda, conduzindo tudo á seu modo o incomoda ou você lida bem com essa situação?
Você gostaria de contribuir nas composições para um próximo álbum?
Freddie Vidales: Fico feliz com a forma que
o Jon lidera a banda. É por esse motivo que a banda já dura tanto tempo. Jon tem
uma visão do que ele quer o Iced Earth seja e ele segue esse caminho. É claro
que eu gostaria de contribuir no próximo álbum, mas sei que se minhas idéias não
se encaixarem nessa visão, elas não serão usadas. Não tenho problemas com isso
porque eu liderava minhas bandas da mesma forma.
Brazil Under Ice: Que música do Iced Earth você mais gosta de tocar ao
vivo e porque?
Freddie Vidales: "Pure Evil" por causa das
várias mudanças de compasso e de tempo, além de ser puro mal. (risos)
Brazil Under Ice: O que é para você tocar no Iced Earth, e quais as
diferenças em relação a outras bandas quais você já tocou?
Freddie Vidales: O objetivo não é diferente.
Com isso eu quero dizer que eu ainda pratico bastante antes de me encontrar com
os caras para um ensaio. Ainda me esforço para atingir a perfeição ao vivo,
mesmo que eu não consiga. Mas a diferença principal é que no Iced Earth as
coisas são bem maiores. Os palcos, as viagens, o tempo longe de casa e todo
resto são muitas vezes maiores do que se eu estivesse um uma banda local. Também
exige mais fisicamente do que tocar somente uma vez por semana em um clube. Se
você fica gripado ou tem alguma outra doença com mais de uma semana de shows
pela frente, isso vira um desafio e fica difícil mostrar a mesma energia que
público merece todos os dias. E não ter que carregar meu equipamento foi outra
mudança, muito boa por sinal. Uma vez fui ajudar um membro da equipe a carregar
meu amplificador e ele me disse que eu não deveria, porque eu poderia me
machucar antes do show. Isso é bem diferente dos meus dias com as bandas
antigas. (risos)
Brazil Under Ice: Qual foi a música do Iced Earth que foi mais difícil de
você aprender?
Freddie Vidales: Eu acho que a música que eu
passei mais tempo aprendendo foi a "The Clouding", apesar de ainda não ter sido
tocada ao vivo. Ela tem várias linhas sutis de baixo ao fundo. Elas não são tão
difíceis, mas tirá-las de ouvido e saber a ordem de todas elas foi um esforço
extra.
Brazil Under Ice: Quais foram os locais da última turnê onde a recepção
do público foi mais calorosa?
Freddie Vidales: É difícil escolher uma
cidade só, mas as que mais se destacaram foram Nova York, Los Angeles, St. Paul,
Chicago e Calgary, mas a maioria dos shows tinha um bom público e tínhamos que
competir com eles para que pudéssemos ouvir uns aos outros. (risos)
Brazil Under Ice: Qual é a melhor recordação que você tem da última
turnê?
Freddie Vidales: Tocar na cidade de Tampe,
no Arizona, em um lugar que eu já fui várias vezes para ver várias bandas por
muitos anos. E também ver velhos amigos, companheiros de banda na cena musical
de Phoenix que eu tenho honra de ter sido parte. Foi muito bom tocar com o Iced
Earth na cidade em que eu comecei minha carreira musical.
Brazil Under Ice: Como é seu relacionamento com os outros membros da
banda?
Freddie Vidales: Nós nos damos muito bem.
Estamos sempre rindo e tirando sarro um do outro, sempre ajudamos alguém quando
necessário, e sempre cuidamos um do outro. É como uma família na estrada.
Brazil Under Ice: Para você, qual álbum é melhor e porque? "Framing
Armageddon" ou "The Crucible Of Man"?
Freddie Vidales: É difícil dizer porque os
dois foram escritos e gravados ao mesmo tempo e são parte da mesma história. Se
eu realmente tivesse que decidir, escolheria o "The Crucible of Man" porque eu
pude ver as várias partes do desenvolvimento do álbum antes de seu lançamento. E
ele grudou mais fácil na minha cabeça.
Brazil Under Ice: Quais músicas do novo álbum estão soando melhor ao
vivo? E como os fãs estão reagindo a elas?
Freddie Vidales: Quando o público ouve a "In
Sacred Flames" eles já começam a fazer muito barulho, e quando o Jon toca a
primeira nota da "Behold The Wicked Child" eles vão à loucura. "I Walk Alone"
também é bem recebida já que o público está melhor acostumada com ela depois do
lançamento do single.
Brazil Under Ice: A banda é conhecida pelas freqüentes mudanças na
formação, entretanto, a atual transmite solidez e está há cerca de "um ano"
trabalhando e sem mudanças. Qual a sua opinião sobre mudanças freqüentes de
formação?
Freddie Vidales: Isso acontece dependendo do
momento que a banda está passando, especialmente com bandas que estão há muito
tempo na ativa. Eu não estava aqui para ver o que aconteceu quando os outros
membros saíram, mas eu sei que se o Jon toma uma decisão sobre um membro, é para
o próprio bem da banda, e não porque ele gosta de deixar as pessoas irem embora.
Brazil Under Ice: Existe alguma possibilidade de termos o Iced Earth ao
vivo no Brasil ainda esse ano? Nós fãs brasileiros estamos muito tristes por
nunca termos visto a banda tocando em nossas terras. O que Jon Schaffer e a
banda pode nos dizer sobre isso?
Freddie Vidales: Gostaríamos muito de poder
tocar em todos os lugares, mas eu não sei como andam as negociações dos shows
depois da turnê européia com o Saxon.
Brazil Under Ice: O que você diria para quem está começando a tocar baixo
e sonha em tocar numa grande banda como o Iced Earth?
Freddie Vidales: Eu sei que isso vai soar
como um clichê ou uma resposta batida: pratique, pratique, pratique. Aprenda
quantos estilos você puder. Se sua escola tiver programas para lecionar música,
entre. Aprenda outros instrumentos se tiver a chance, isso ajuda na comunicação
musical dos membros da banda e eles se entendem bem melhor.
Brazil Under Ice: Deixe um recado para seus fãs brasileiros do site
Brazil Under Ice.
Freddie Vidales: Espero ter a chance de
conhecê-los e tocar por aí logo. Até lá, agradeço a todos que me receberam muito
bem.