2009 - Entrevista exclusiva com Bill Owen e Greg Seymour
Tradução por Fábio Hirata
IEOM: Como vocês se conheceram e formaram o Purgatory?
GREG SEYMOUR: Jon e eu nos conhecemos quando
tínhamos 15 anos e quando fizemos 17 nos mudamos para a Flórida porque não
tínhamos outro lugar para ir. Morávamos com a mãe do Jon e o padrasto dele, mas
sempre nos envolvíamos em brigas, íamos presos e etc. Depois de mais ou menos um
ano em Tampa, nós vimos um anúncio que o Richard Bateman e o Gene Adam haviam
deixado em uma loja de música que dizia "baixista e vocalista procurando por
guitarrista e baterista", ou qualquer coisa assim, e também dizia que eles
tinham um lugar para ensaiar. Jon e eu também tínhamos um anúncio na mesma loja
e eu não tenho certeza de quem ligou para quem, só sei que nos falamos pelo
telefone e depois no encontramos. Nossos gostos musicais eram parecidos e
acabamos nos dando bem uns com os outros. Passamos a ensaiar na casa do Richard
(os pais dele deixaram ele o irmão transformarem a garagem em uma sala de
ensaio). Richard e Gene tinham um material de autoria própria, assim como Jon e
eu, então tentamos juntar o que tínhamos e deu certo.
BILL OWEN: Fiquei sabendo do Greg e do Jon
por meio de strippers que todos nós conhecíamos. Elas me disseram que eles
estavam procurando por gente para formar a banda e que já tinham um nome para
ela, Purgatory. Quando nos juntamos, tocamos "Symptom of the Universe" do Black
Sabbath e alguma coisa do material que cada um tinha. Acho que meia hora depois
já sabíamos que ia dar certo.
IEOM: Vocês gravaram três demos com o nome Purgatory. Qual dessas vocês
preferem, levando em conta o processo de gravação e qualidade geral da produção?
A minha favorita é "Psychotic Dreams".
BILL OWEN: Quanto ao processo de gravação,
nossa primeira tentativa foi quando gravamos "Burning Oasis", que foi gravada
com um toca fitas portátil. A primeira vez que fomos ao estúdio Morrisound para
gravar foi legal. Só o fato de estarmos em um estúdio de verdade era muito bom!
Um amigo foi lá e filmou todo o processo da "Psychotic Dreams". Quando as
pessoas pensam no Morrisound, elas logo pensam em um produtor como Scott Burns,
e é engraçado ver que na época do Purgatory o mesmo Scott nos ajudou a afinar as
guitarras e a montar todo o equipamento. As coisas mudaram muito.
GREG SEYMOUR: Qualquer oportunidade que eu
tivesse de gravar, fosse em um estúdio profissional ou na casa de alguém com
microfones arranjados por nós mesmos, já era uma coisa legal. Poder escutar algo
no estúdio que você ajudou a criar é legal, mas às vezes você olha para trás e
vê que as coisas não saíram do jeito que você queria. Acho que estávamos
gravando a demo "Horror Show" quando o Kevin DuBrow estava na cidade produzindo
o primeiro álbum de alguma banda glam, e nós incomodamos eles um pouquinho. Não
nos importava que o Quiet Riot tivesse sido grande uns anos atrás, éramos jovens
e arrogantes, era uma época divertida!
IEOM: Algum de vocês ainda tem contato com o Jon? E quais são os
sentimentos em relação a ele?
BILL OWEN: O Dave Abell esteve em Atlanta
setembro passado e viu o Jon tocar no ProgPower Fest. Depois do show nos
encontramos com ele, tiramos algumas fotos e conversamos um pouco, mas ele foi
embora rápido porque tinha um show em Orlando logo na noite seguinte. Ele nos
convidou para esse show. Eu fui, mas o Dave não pôde ir. Depois desse show, eu
encontrei Jon no ônibus da banda, tomamos algumas cervejas e falamos do passado,
entre outras coisas. Agora está tudo bem entre nós, mas esse não era o caso
alguns anos atrás logo quando saí do Purgatory.
GREG SEYMOUR: Eu não falo com ele desde 1994 ou
1995 e da última vez que nos vimos não foi legal. Foi em um bar chamado G.K.'s
Saloon, quando o Iced Earth fez um show em Tampa abrindo para o Nasty Savage,
acho que era um show de aquecimento para a turnê européia. Nos vimos, mas não
conversamos. Depois que saí do Iced Earth, ficamos sem problemas por um tempo,
mas depois, em 1991, o irmão de uma garota com quem eu morava passou um trote
para o Jon. Bill e eu sabíamos dessa primeira ligação e até achamos engraçada.
Mas aí o cara continuou a ligar para o Jon por meses até que ele chamou a
polícia e esse cara foi acusado por incomodar o Jon. Como eu disse, Bill e eu
sabíamos da primeira ligação, mas não sabíamos que ele tinha continuado.
Terminei com a garota e voltei para Indiana não muito depois do primeiro trote.
Eu não tinha idéia de que o irmão dela levaria isso ao extremo. Houve um outro
incidente que saiu das proporções. Eu e Bill estávamos em uma casa de strip
conversando sobre nossas coisas, quando uma das strippers nos reconheceu e
começou a conversar com a gente. Ela era mulher do baterista do Iced Earth. De
qualquer forma, estávamos sendo os sarcásticos de sempre e dissemos que os caras
do Iced Earth eram uns idiotas e que nós também éramos. Eu não sei o que ela
disse para o Jon, mas alguma coisa se perdeu aí no meio e essa situação se
tornou algo estúpido. Se o Jon realmente soubesse o que dissemos, ele saberia
que estávamos só tirando um sarro, como costumávamos fazer. Acho que a
"vagabunda dançarina", como Jon costumava chamá-las, esqueceu da parte em que
dissemos que Bill e eu éramos idiotas também! A vida segue.
IEOM: Greg, você gravou a bateria do "Enter The Realm" quando o nome da
banda mudou para Iced Earth. O que você acha das versões relançadas e você teve
algum envolvimento na criação e arranjo de algumas dessas músicas?
GREG SEYMOUR: Se esta versão faz parte do "Enter
The Realm of the Gods" então por mim está tudo bem, apesar de achar que pouca
coisa deveria ser feita no álbum já que a versão original é muito boa. Esse
álbum significa muito até hoje, naquele tempo era tudo ou nada para o Iced Earth.
Se não tivéssemos conseguido um contrato, o Jon disse que seria o fim do Iced
Earth para ele. Tinha muita coisa acontecendo para todos nós! Quanto ao material
em si, eu estive envolvido em quase todas as músicas e em algumas que acabaram
entrando no "Night of the Stormrider". Depois do "Enter The Realm", começamos a
ser notados pelas gravadoras e gravamos mais cinco músicas, caso eles quisessem
ouvir mais, e a maioria delas, senão todas, acabaram entrando nos dois primeiros
álbuns.
IEOM: Vocês ouviram os dois álbuns mais recentes do Iced Earth, "Framing
Armaggedon" e o "Crucible of Man"? Se sim, o que acharam? Eu não gosto muito
deles tanto quanto gosto dos antigos.
BILL OWEN: Não ouvi o bastante nenhum dos
dois para poder comentar.
GREG SEYMOUR: Ouvi algumas músicas dos dois,
acho que uma delas era "Ten Thousand Strong", vi o clipe e achei bem legal,
apesar de preferir as músicas antigas também. Eu sei que músicos evoluem
conforme o tempo e querem tentar coisas novas, mas eu gosto do velho senso de
melodia que o Jon tinha.
IEOM: Vocês tocaram no Innersanctum juntos, quanto tempo a banda durou
até terminar? Ou ela só se transformou no Sanctum?
BILL OWEN: O Innersanctum foi formado por
mim e o Greg no fim de 1992 ou começo de 1993. Foi a primeira vez que ensaiamos
com certa regularidade desde o Purgatory. Como sempre, levamos algum tempo para
escolher os caras certos para completar o line-up. Finalmente em 1993 tínhamos
as peças certas e tocamos juntos por quase dois anos.
GREG SEYMOUR: O Innersanctum era uma banda
formada por mim, Bill, o guitarrista Rob Koontz (que coincidentemente também era
de Fort Wayne), o baixista Steve Gray, e o vocalista Rob Kustes. Nos juntamos e
tudo funcionou bem rápido. Com um mês ou dois já tocávamos em alguns lugares e
tínhamos doze a quatorze músicas prontas. Tocávamos somente as nossas músicas e
lançamos uma demo com quatro delas em 1994 com o nome de "Hand of Time". Como
acontece em várias bandas, as coisas começaram a dar errado, principalmente para
o Steve, que não conseguia decidir se ficava na banda ou não, então nós
decidimos que ele não deveria ficar, sendo que já havíamos trazido ele de volta
uma vez. Aí o Rob saiu, e depois o Bill ficou de saco cheio e decidiu que ia
dedicar o tempo a sua filha, que tinha três na época. Uau, depois de tudo isso
eu vou responder a sua pergunta. Não, o Innersanctum não se transformou no
Sanctum. Eu formei o Sanctum depois de voltar para Indiana no verão de 1998.
Encontrei um amigo meu, o guitarrista John DeMille, que procurava gente para
tocar com ele. Decidimos dar esse nome para a banda depois de pensar em vários
outros por muito tempo. Então eu disse "foda-se" e resolvi encurtar o nome para
Sanctum e usar o logo que o baixista Steve tinha desenhado.
IEOM: Bill, como estão as coisas no Unearthed? O Dave gosta de cantar
tanto quanto gosta de tocar guitarra? Você também canta?
BILL OWEN: Deixe os microfones longe de mim!
Não, eu não canto nessa banda. E não acho que o Dave ficou feliz com a voz dele,
acho que ele prefere alguém só para cantar, mas ele fez um bom trabalho. Nós
também convidamos o Rob Kustes para cantar em duas músicas. Agora a banda está
dando um tempo, todo mundo tem coisas para fazer, trabalho, filhos, etc. Só não
tenho certeza de quando vamos voltar, mas não deve demorar muito.