2010 - Entrevista exclusiva com Freddie Vidales
Tradução por Rodrigo "Batata" e Antonio Neto
1 - Freddie, primeiramente vamos falar de seus outros projetos. O
Infusion acabou ou esta apenas parado devido ao seu trabalho com o Iced Earth?
FREDDIE VIDALES: Acabou antes de eu entrar no Iced Earth. Terminou
em 2005 quando eu me mudei do Arizona, onde a banda ficava. Atualmente eu tenho
recebido vários pedidos sobre informações e como conseguir CDs, então eu falei
com os outros caras da banda e nós fizemos uma página no myspace. Lá nós temos a
história da banda, fotos, músicas e outras informações. O endereço é:
myspace.com/infusionaz.
2 - Foi um impacto muito grande a troca de estilos quando entrou no Iced
Earth, já que o Infusion era Death Metal? Como você lidou com isso?
FREDDIE VIDALES: Não houve dificuldade para
mim. Death Metal não é o único estilo que eu toco, apenas o estilo principal que
eu vinha tocando. Mas no Death Metal você usa um estilo muito técnico para
tocar, então foi uma transição tranquila para o Iced Earth, pois existem muitas
partes técnicas também.
3 - O que você pode nos falar sobre o Killing Children? Qual o status atual
da banda?
FREDDIE VIDALES: Depois de me mudar do Texas eu queria continuar
exatamente de onde o Infusion havia terminado e ir um pouco mais longe. Algumas
dessas músicas (do Killing Children) são musicas que eu havia escrito para o
Infusion e tocado ao vivo com eles, mas eu as mudei um pouco para que elas
soassem como são agora. Gastei três anos do meu tempo livre escrevendo,
gravando, regravando e trabalhando nesse projeto para deixá-lo pronto para
lançá-lo mais para frente, quando for a hora certa. Eu tinha vários nomes para a
banda que eu havia gostado, mas quando eu falei sobre eles para as outras
pessoas, Killing Children foi o que teve as maiores reações, boas e ruins.
Recentemente eu fiz alguns anúncios buscando outros membros para a banda. Agora
que eu tenho um pouco mais de tempo livre em casa, estou avaliando com calma
levar o Killing Children em diante.
4 - Você tem outros projetos em vista?
FREDDIE VIDALES: Na verdade não, acho que entre o Iced Earth e o
Killing Children, meu tempo já está bastante ocupado como eu gostaria que
estivesse nesse momento. Tenho recebido vários convites para dar aula, então eu
tenho considerado a possibilidade de oferecer aulas de baixo pela internet,
usando o Skype ou algo similar, mas eu tenho que fazer algumas pesquisas sobre o
assunto, antes de tomar qualquer decisão final.
5 - Profissionalmente falando, o que mudou na sua vida depois de entrar no Iced
Earth?
FREDDIE VIDALES: As coisas são mais fáceis profissionalmente. O que
quero dizer com isso é que não preciso lidar mais com algumas obrigações que
você acaba tendo quando tem a sua própria banda. Não tenho que procurar vôos,
hotéis, negociar com promotores, etc. É ótimo poder se concentrar somente na
música e em sua performance sem nenhum estresse do que está acontecendo fora dos
palcos.
6 - Como foi á preparação da turnê Sul-Americana do Iced Earth? O set list
foi decidido em conjunto ou o Jon escolheu sozinho?
FREDDIE VIDALES: Jon montou praticamente
sozinho o set list. Ele conferiu algumas musicas com o Matt e nós todos juntos
acertamos a ordem em que as músicas seriam tocadas e como seriam as transições
de entrada e saída de cada uma. Eu ia sugerir para que tocássemos a Something
Wicked Trilogy e também Stormrider nessa tour, mas depois que eu vi o set list
que o Jon montou, eu não precisei mais, ele já havia incluído.
7 - Tem alguma música que você não tocou ainda com a banda que você gostaria de
tocar?
FREDDIE VIDALES: Todas elas em algum ponto. Algumas das que eu
realmente gostaria de tocar são “Dante’s Inferno”, “The Path I Choose”, “1776”,
“The Clouding” e também “The Phantom Opera Ghost”, mas eu não conseguiria elevar
minha voz alta o bastante para a parte da Christine (risos).
8 - Durante o show de São Paulo, na pausa para o bis, a platéia cantou em
coro o refrão da música “Watching Over Me”, qual foi a reação da banda nesse
momento?
FREDDIE VIDALES: Ficamos maravilhados e
sorrindo lá no backstage. A única razão pela qual não a tocamos foi que não a
ensaiávamos havia quase um ano. Queríamos muito tê-la tocado, mas nós não
queríamos acabar estragando tudo. Sei que não é uma música difícil, mas ainda
assim, não queríamos estragá-la. Vocês podem ficar tranquilos, que quando
voltarmos, a tocaremos.
9 - Como a banda viu o cancelamento de vários shows da turnê Sul-Americana? O
que você pode nos falar sobre isso?
FREDDIE VIDALES: Sempre é péssimo quando você
precisa cancelar um show. Nesse caso mais ainda, pois nunca havíamos tocado por
lá e os fãs estavam com uma grande expectativa por shows que nunca aconteceram.
Eu não sei os detalhes do porquê isso aconteceu, não estou envolvido em nada
sobre o gerenciamento da banda. Eu sei que não foi por nenhum motivo envolvendo
a banda, nós estávamos tirando nossos vistos para ir para esses shows quando
ficamos sabendo do cancelamento.
10- Em São Paulo, vocês fizeram uma sessão de autógrafos, na Galeria do Rock,
um shopping totalmente dedicado ao rock e heavy metal. O que você achou do lugar
e dos fãs lá? Já foi a algum lugar assim?
FREDDIE VIDALES: Foi uma lojinha legal. Eles
tinham vários CDs que eu gostava, e que muitas lojas não tem. Os fãs estavam
ótimos, e foi algo legal a ser feito antes do show porque nos deixou mais
animados para o palco. Já fizemos sessões de autógrafos antes, mas eu pude
realmente sentir a animação dos fãs nessa loja. Obrigado a todos que foram nos
ver esse dia!
11- Em geral, como foi a turnê na América do Sul? O público aqui embaixo é
diferente de outros lugares onde vocês tocaram?
FREDDIE VIDALES: Pelo que vi até hoje, é o público mais enérgico que
eu já vi. O fato de que vocês ficaram na fila desde cedo e sentados na chuva por
horas, só para nos ver, nos deu mais vontade ainda de assegurar que vocês teriam
os melhores shows que pudéssemos fazer. Ás vezes a platéia cantava tão alto que
eu tinha que sair da frente do palco pra ouvir meu baixo. Eu amo isso!
12- Algumas pessoas que tiveram contato com a banda nessa turnê disseram que
Matthew Barlow estava muito quieto e fechado. Apareceram, também, rumores de que
ele estava doente. É o normal dele ou ele estava realmente doente?
FREDDIE VIDALES: Ele estava bravo porque todos
fomos tomar sorvete, e assim que chegamos na loja, o dele caiu no chão (risos).
Falando sério, eu não posso dizer pelo Matt, mas sei que estávamos todos muito
cansados de tanto viajar. Saímos da Cidade do México para São Paulo. Foi um vôo
de 10 horas, então fomos direto pra Belo Horizonte e chegamos para o show apenas
algumas horas antes, praticamente sem dormir. Quando chegamos em São Paulo, de
novo, no dia antes do show, ainda estávamos cansados e sentindo o jet lag [NT:
fadiga de viagem, uma condição fisiológica que causa uma consequência de
alterações no ciclo biológico. As alterações podem provocar uma mudança do
trabalho do organismo. E, também, soubemos depois que realmente Matthew Barlow
estava doente do estômago].
13- A banda já começou a falar sobre o próximo disco em estúdio? Pode dizer
algo sobre isso?
FREDDIE VIDALES: Começaremos a trabalhar nisso nos próximos meses.
Falamos muito sobre isso, mas não fizemos planos concretos sobre quando ou onde
começar.
14- Você tem liberdade para colocar suas idéias nas músicas quando toca nos
shows ou tem que seguir exatamente as linhas de baixo das versões em estúdio?
FREDDIE VIDALES: A maior parte das músicas são
tocadas como foram gravadas. Não tenho que seguir exatamente, mas eu gosto de
tocar o mais próximo do original porque é o que eu gostaria de ouvir como fã.
Muitas partes eu fazia do meu jeito, mas mantendo elas como foram compostas.
15- O Iced Earth é famoso pelas constantes mudanças na formação, e isso
preocupa os fãs, especialmente quando vemos uma formação de alta qualidade como
a atual. Isso te preocupa de alguma maneira?
FREDDIE VIDALES: Isso não me preocupa. Do que vi e ouvi das
formações anteriores, essa é bem firme e trabalha melhor do que qualquer outra,
tanto dentro quanto fora do palco. Todos nós saímos e nos divertimos tanto no
palco quanto sentados num aeroporto.
16- Esse ano, teremos a turnê Big Four, com quatro das maiores bandas de
Thrash Metal (Anthrax, Megadeth, Metallica e Slayer), algo que qualquer músico
gostaria de participar. Se você pudesse fazer algo assim, que bandas escolheria
e porquê?
FREDDIE VIDALES: Se pudéssemos tocar com outras
três bandas similares, eu pegaria o Iron Maiden com certeza, por ser a melhor
banda que já passou pela face da Terra. Também acho que Pyramaze e Blind
Guardian formariam um time legal de bandas tocando em um palco.
17- Aproveitando o espírito das Olimpíadas de Inverno, em Vancouver, você
pratica algum esporte como hobby?
FREDDIE VIDALES: Na verdade não, meus hobbies
só incluem música. Quando o tempo está bom, gosto de nadar na praia, andar de
bicicleta e andar de canoa. Fora isso, meus esportes estão limitados aos jogos
que tem nos pubs.
18- Quais países você quer conhecer com a banda e porquê?
FREDDIE VIDALES: Gostaria de ir à Austrália,
porque parece ser um lugar muito divertido de visitar. Japão também seria
divertido, e a antiga União Soviética e Islândia.
19- Quais são suas bandas favoritas?
FREDDIE VIDALES: Iron Maiden é a minha favorita
de todos os tempos. Death está perto em segundo. Outras bandas que eu gosto
muito são King Diamond, Malevolent Creation, Slayer, Obituary, Behemoth e muitas
outras.
20- Diga quais são os seu 5 álbuns favoritos.
FREDDIE VIDALES:
Iron
Maiden – Powerslave
Death - Individual Thought Patterns
King Diamond – Them
Kreator – Enemy of God
Cynic – Focus
21- Deixe uma mensagem para os fãs brasileiros e para o site Brazil Under
Ice.
FREDDIE VIDALES: Foi ótimo finalmente conhecer
alguns de vocês e tocar para vocês. Esperamos voltar em breve e ouvir vocês
cantando “Watching Over Me” novamente. Vamos fazer direitinho dessa vez.