Capítulo I à XIII é parte integrante do livro presente na box "Dark Genesis".
Capítulo
I -
Introdução
O ano é 1992 e estou ouvindo o rádio tarde da noite. O programa é o "Chainsaw
Rock", um show de metal local em uma rádio universitária da Carolina do
Norte, EUA. Como um fã do estilo, explorar as inúmeras facetas que esse gênero
tem a oferecer é um hobby para mim. Estou sempre à procura de algo que possa
ser considerado único e novo. Minhas orelhas estavam sintonizadas nas várias
faixas de Death Metal que o DJ estava colocando, cada uma mais mórbida e demoníaca
que a outra. Eram boas, mas eu estava curtindo coisas um pouco diferentes.
Depois de um anúncio comercial, ouvi algo que soava exatamente como aquilo que
eu queria, bem novo e fresco. A música começava com sinos e corais, que abriam
caminho para uma marcha de bateria e algumas agradáveis melodias.
"As I walk through the blackened forest, thoughts of hate and anger fill my
soul, the charred remains of the holy rollers, scream repentance though it's far
too late".
Pela primeira vez, meus ouvidos eram apresentados a "Angel's Holocaust",
faixa principal do álbum "Night Of The Stormrider", do Iced Earth.
Uau! Isso era diferente, realmente diferente. A banda investia na majestade e
melodia do Iron Maiden, combinada com a agressiva energia do Metallica antigo!
Com o desenrolar da música, podia-se dizer que não se tratava de uma banda
qualquer. Suas composições eram polidas e complexas, mas mesmo assim não
exageradas. A musicalidade era marcante, especialmente na parte rítmica, com os
riffs de guitarra e mudanças de andamento. A temática também era atípica.
Como estava prestes a descobrir, ao invés daquela música ser um único
destaque, o que eu estava ouvindo, na verdade, era o capítulo inicial de uma
completa história contada através da música. Eu estava realmente intrigado
pelo o que minhas orelhas haviam acabado de testemunhar; Precisava aprender
mais.
Esse foi o começo da minha relação com o Iced Earth, uma banda que
continuaria impressionando e satisfazendo ao passar dos anos. Por isso, esta é
minha tentativa de contar sua história aos fãs que podem não estar
familiarizados com a origem da banda e explorar as características que tornam a
banda tão única. O Iced Earth é uma mistura de brilho musical criativo com
uma atitude descompromissada, se preocupando em dar o máximo valor para os seus
fãs. Essa é uma banda que batalha e insiste, no meio de uma desfavorável indústria
musical guiada por tendências, enquanto espera atingir o sucesso.
Para se traçar as raízes do Iced Earth, alguém deve voltar na História, lá
pelas décadas de 70 e 80, e rastrear um tal de Jon Schaffer, que estava
crescendo no estado de Indiana, o coração dos Estados Unidos.
Capítulo II - Alugue um
vagabundo
Como todo adolescente, Jon não estava contente com sua vida, nem com os tempos.
A raíz causadora desse desencantamento não é relevante aqui, mas sim suas
consequências. Quando criança, Jon já havia flertado com o mundo do Rock'n
Roll. Este fascínio começou quando, com 4 anos, ele foi apresentado a antigos
discos do Kiss, atráves de sua irmã mais velha. Mais tarde, a irmã de Jon,
iria instruí-lo a gostar de Black Sabbath, Blue Oyster Cult, Alice Cooper, Deep
Purple e muitas outras lendas do Rock. Aos 7 anos, Jon comprou seu primeiro álbum
("Kiss Alive!"). Seu interesse cresceu mesmo quando, com 11 anos, foi
a seu primeiro show: Kiss, em 1979. No começo de sua adolescência, Jon começou
a descobrir uma maior variedade de coisas dentro do mundo do Rock e do Heavy
Metal, através de seu primeiro contato com Iron Maiden e Judas Priest. Isso fez
com que aquele garoto deixasse de ser apenas um fã de música, passando então,
a desenvolver uma apreciação em criar suas próprias canções. Como o seu
desencantamento com a vida em casa crescia, a música se tornou um refúgio para
ele, assim como uma forma de se expressar. Assim, começou a pensar em montar
uma banda e, durante os seus anos de calouro na escola, surgiu a idéia para sua
primeira banda, que se chamara The Rose. Mesmo não tendo sido uma banda de vida
longa, Jon criou seu logotipo durante uma aula de Arte Gráfica na escola. Na
verdade, são as mesmas letras que iriam servir como fonte para as duas bandas
seguintes de Jon, Purgatory e Iced Earth.
A vida em Indiana continuava a ser dura para Jon. Para piorar, ele ainda teve
que enfrentar uma terrível tragédia: A morte de seu melhor amigo, causada por
um acidente de moto. Essa foi a última gota. Ele não aguentava mais a vida em
Indiana e decidiu sair de casa, para começar a luta eterna, que hoje é o Iced
Earth.
O seu destino era Tampa, Flórida, no ano de 1984. Isso iria servir como uma
experiência determinante na vida de Jon: Iria mostrá-lo a dura realidade da
vida. Todavia, essa experiência ainda o motivaria a alcançar o sucesso sobre
qualquer custo. Jon começou do zero, com absolutamente nada. Um dia típico em
sua vida começaria com ele acordando em seu carro, que estava servindo como sua
cama naquela época. Depois de um terrível acidente, seu carro ficou totalmente
destruído e ele logo começou a recorrer a casas abandondas para dormir. Junto
com um amigo, Jon iria procurar trabalho em uma agência local de empregos diários,
a qual ele apelidava carinhosamente de "Alugue um Vagabundo". Assim,
arranjava algum trabalho para aquele dia. Este poderia ser qualquer coisa, desde
trabalhar em construções pesadas, em secagem de piche quente em telhados, no
meio do verão, ou até cavar trincheiras. Jon trabalhava o dia inteiro por 20 dólares
e depois passava suas noites treinando e esculpindo sua futura carreira como músico.
As coisas eram muito difíceis naquela época, mas a visão de Jon quanto ao
futuro era muito segura. Seria muito fácil ter voltado para Indiana, de volta
ao santuário que poderia ser oferecido pela família ou amigos, mas que iria
implicar em admitir sua derrota e a desistência de seus sonhos. Com o passar
dos tempos, Jon estava se tornando mais estável em Tampa, com um teto pra
morar. E, a partir daí, começou a sua busca por outros músicos.
Capítulo III - Purgatory
Quando a maioria dos jovens pega a guitarra, eles estão focados em aprender
como tocar suas músicas favoritas, ou aprender a fazer solos, se tornando o
centro das atenções. Esse nunca foi o caso de Jon. Desde o primeiro dia ele
sempre esteve focado em escrever seu próprio material, ao invés de aprender a
imitar músicas que outros haviam escrito. Com certeza era o caminho mais difícil
a se seguir, mas que lhe oferecia algumas vantagens únicas. Primeiramente, Jon
era capaz de desenvolver um estilo próprio de escrever, já que sua maneira de
tocar não era baseada no estilo de nenhuma composição, de ninguém. Embora
seja dificil encontrar talentosos músicos, é mais difícil ainda achar alguém
que possa escrever grandes músicas. Focando-se em escrever músicas desde cedo,
Jon era capaz de se diferenciar. Desde o começo estava cometido a ser um músico
conhecido por escrever canções e por ser um líder de uma banda que iria tocar
para grandes platéias no mundo inteiro. Adicionalmente ele queria executar
essas duas tarefas acima, sem nunca ter que compremeter sua integridade artística.
Um desafio ambicioso, para não dizer menos. Mas o sucesso raramente é alcançado
sem ambição!
Os desafios incluíam achar músicos capazes, achar algum espaço para ensaiar,
desenvolver competência para compor e se apresentar, divulgar a banda, obter um
acordo com alguma gravadora e conseguir algum entrosamento intra-banda, enquanto
as coisas se mantinham focadas na visão que, no final das contas, seria apenas
o Iced Earth. Tudo isso enquanto trabalhava no sol intenso da Flórida durante o
dia, apenas para sobreviver. Desnecessário dizer, mas este não era um caminho
sem buracos e dificuldades em sua extensão. Isso era o que separava Jon e o
Iced Earth de seus semelhantes.
A coisa mais importante agora era achar músicos e um local para ensaios. O
primeiro lugar usado foi a loja de telhados onde Jon trabalhava. O chefe havia
concordado gentilmente em ceder o espaço, logo após o expediente. O ano era
1984 e este foi o começo do Purgatory, a banda que acabaria sendo precursora do
Iced Earth. Jon começou a postar anúncios nos jornais locais, assim como a
conhecer outros músicos. O processo havia começado. A banda começou a ensaiar
com frequência e lentamente os músicos mostravam sinais de melhora. Jon se
aperfeiçoava como músico e compositor, e o conjunto começou a se apresentar
dentro de Tampa e em seus arredores.
Esse foi um período fascinante na história da banda. O Purgatory continuou a
ficar mais forte na cena musical de Tampa. Jon e seus parceiros conseguiram
causar um tumulto, e até inspirou ciúmes em outras bandas da cena. A raíz
causadora desta tensão foi uma diferença fundamental de ideologia. Muitas
outras bandas da cena achavam que o melhor caminho para o sucesso estava calcado
em tocar covers, usando isto como uma forma de atrair a atenção das pessoas e,
em seguida, mostrar seu material próprio. Eles também acreditavam que deveriam
tocar o máximo de vezes possível, no maior número de lugares existentes. Jon
nunca aprovou nenhuma das duas atitudes. Ele sentia que tocar covers era um
atestado para se tornar uma banda de bar. Ele também sempre quis tomar cuidado
com a super exposição de sua banda, evitando assim um desgaste. Afinal, se um
show do Purgatory não fosse um evento especial, como eles iriam se destacar na
cena musical?
Com o Purgatory se tornando mais estável, o próximo passo natural seria a começar
a produzir demos. Eles eram bem simples no começo, mas com o passar do tempo,
se tornaram muito mais profissionais. A primeira demo da banda foi produzida em
1985, em um gravador de 4 canais e teve o nome de "Burning Oasis". No
final de 1985, o conjunto produziu uma demo com 2 faixas, entitulada de "Psychotic
Dreams", no estúdio Morrisound. Em seguida, no começo 1986, veio a demo
de também 3 faixas, "Horror Show". A banda mesmo é quem preparava a
capa das demos e as copiava no Kinko, para os encartes. Eles também compravam
cassetes virgens e gravavam as demos em um gravador, que continha dois decks
para as fitas. Apesar da artilharia da banda ser bem simples nesse estágio
inicial, eles estavam fazendo o máximo que podiam, dentro de seus limitados
recursos. Esse talento criativo também transparecia nas performances ao vivo da
banda. O Purgatory subia no palco com fantasias e dava a seus fãs um espetáculo
matador, tanto visual quanto musicalmente. Isso incluía uma abordagem única em
relação a música, assim como davam vida às suas composições de forma mais
real possível, através do seu set-list de palco. Alguns exemplos deste set de
palco incluíam fogos de artifício e explosões, truques simulando um
derramamento de sangue, mascotes mascarados, etc... Tudo isso ajudou a banda a
se distinguir dos demais artistas na cena de Tampa.
Capítulo IV - Terra
gelada
No começo de 1988 Jon descobriu que já existia outra banda sob o nome de
Purgatory, que havia acabado de assinar contrato com uma gravadora alternativa,
o forçando assim a mudar o nome de sua banda. Ele se lembrou de seu melhor
amigo em Indiana, a quem perdeu para um acidente de moto, que insistentemente
dizia que as duas palavras, "Iced" e "Earth", sempre
formaram um nome ideal para uma banda. Sendo assim Jon o aderiu à banda,
tornando-se a melhor homenagem que ele poderia ter imaginado a seu amigo. O
terreno estava agora armado para Jon levar a sério a industria da música. Ele
se sentia confortável o suficiente com a banda e com suas habilidades de
compositor e músico, que o levaram seriamente a buscar um contrato com alguma
gravadora. Jon consultou alguns de seus contatos para receber alguns conselhos e
aprendeu que a melhor forma de conseguir o que almejava seria através de uma
divulgação maciça. A hora era conveniente para uma demo-tape profissional,
que poderia circular amplamente. A banda começou a gravar "Enter The Realm",
a demo que iria fazer com que eles conseguissem um contrato, em Janeiro de 1988,
onde o foco principal era uma alta qualidade sonora - uma demo legitimamente
competitiva para o mercado. Isso incluía a qualidade da gravação (a banda
usou o estúdio Morrisound), uma embalagem profissional, o preço (10 dólares
na época) e uma distribuição independente. Fabricada no começo de 1989, um
total de 1000 demos foram produzidas, sendo 500 usadas para promoção. As
outras 500 foram vendidas aos fãs.
Jon trabalhou com seus contatos na indústria da música para buscar quaisquer
endereços que ele podia encontrar, os enviando as demos. Ele ia com um saco plástico
cheio de demos até o correio e as mandava para qualquer lugar que se possa
imaginar. A demo foi enviada por toda América do Norte, Europa e outros lugares
além. A tática de promoção maciça funcionou, visto que a demo teve uma boa
repercussão no underground europeu e começou a receber ótimas resenhas na
Alemanha, Itália, Bélgica, França, Grécia e outros países. A resposta foi
particularmente forte na Alemanha, onde a demo foi votada como demo do mês, na
respeitada revista "Hard Rock Magazine" (que mais tarde iria elegê-la
como a demo do ano, em uma edição posterior). Estava ficando claro que o Iced
Earth era uma força a ser comentada e seria apenas um questão de tempo até
que uma gravadora a notasse.
A banda negociou com várias gravadoras e, em Junho de 1990, assinaram um
contrato com a Century Media Records. A Century Media se diferenciou das outras
devido ao seu olhar para o futuro e sua vontade de ter uma relação duradoura
com a banda. O principal objetivo de Jon, que o fez até sair de casa, agora
havia sido alcançado quando o Iced Earth conseguiu um contrato com uma
gravadora e o próximo capítulo na história poderia começar.
Capítulo V - O primeiro
álbum e a primeira turnê
O próximo passo seria entrar em estúdio e trabalhar em seu primeiro álbum. A
banda tinha um orçamento nominal de 8.000 dólares para o primeiro álbum, por
isso o trabalho teve que ser feito rapidamente. Consistindo de vários clássicos
do Iced Earth, o debut que trazia o mesmo nome que a banda, foi lançado em
Novembro de 1990 na Europa e em Fevereiro de 1991 nos Estados Unidos. Jon viajou
para a Europa em Novembro de 1990 para promover o álbum e a banda já tinha
criado um certo nome por lá. Durante a turnê promocional, Jon teve a chance de
conhecer Hansi Kursch, líder da banda alemã Blind Guardian. Jon e Hansi
sentiram uma química instantânea e já traçaram planos de suas bandas saírem
em turnê juntas, depois do lançamento do álbum do Iced Earth. Isso se tornou
realidade entre Fevereiro e Março de 1991, quando o Iced Earth abriu para o
Blind Guardian em sua primeira turnê européia como "headliners"
(banda principal). O primeiro show desta turnê foi especialmente memorável: A
cidade era Hamburgo, na Alemanha, e o Iced Earth estava se preparando para subir
ao palco em sua primeira apresentação fora do continente americano.
Enquanto Jon e a banda estavam se aprontando no camarim, a platéia não
aguentava de tanta ansiedade. Gritos entusiasmados de "Iced Earth, Iced
Earth" já podiam ser ouvidos, o que já era uma grande satisfação para
uma banda que havia acabado de assinar com uma gravadora e que fazia sua
primeira turnê pela Europa. Isso era fantástico para a banda, dando a Jon um
claro sinal de que sua visão de possuir uma banda de heavy metal mundialmente
conhecida havia se tornado real. A banda ganhou o palco e fez aquela que seria a
primeira de muitas performances incendiárias naquela tour. O público estava
junto deles a todo momento, cantando junto as músicas e desfrutando de toda a
energia que é o Iced Earth ao vivo. Isto não só ajudou a banda a ganhar
alguns fãs a mais, como também os estabilizou como uma banda que era boa tanto
em estúdio quanto ao vivo. O conjunto continuou a ganhar saudações honrosas
pelo seu trabalho, incluindo aí um prêmio de melhor álbum do mês, na Hard
Rock Magazine.
Quando a banda voltou pra casa, após a turnê triunfante, Jon estava com um ótimo
espírito. Sua veia criativa estava pulsando, tornando-se a hora certa para
voltar ao estúdio e trabalhar na próxima criação do Iced Earth. Com o começo
das composições para o álbum, se tornou óbvio que algumas mudanças na banda
deveriam ser feitas. Jon estava evoluindo como compositor, e algumas coisas do
novo material requeriam habilidades e competência que a formação atual não
possuía. Por isso, as mudanças refletiram na saída do vocalista e do
baterista.
Assim Jon pôde ter um pouco mais de conforto quando a nova formação entrou em
estúdio para gravar o sucessor de seu primeiro álbum. As mudanças não foram
muito bem recebidas pela imprensa, mas Jon manteve sua posição. Ele não iria
deixar que algumas críticas sobre a nova formação por parte da mídia
afetassem os seus planos para o segundo álbum da banda.
Capítulo VI - Cavaleiro
da tempestade
Trabalhando ainda com o relativamente pequeno orçamento de 15 mil dólares, Jon
e os rapazes lançaram "Night Of The Stormrider" exatamente 12 meses
depois de seu primeiro trabalho. O álbum foi recebido com um sucesso imediato,
sendo um grande passo para a banda. Os europeus amaram. Também foi melhor
recebido nos EUA do que o seu percursor, chegando a tocar inclusive em algumas
estações de rádios de metal americanas. O disco também levou a banda ao
mercado japonês, onde "Angel's Holocaust" chegou a tocar regularmente
nas rádios locais. "Night Of The Stormrider" recebeu uma nota 92 (de
100) na respeitada revista Burn! Magazine, no Japão.
"Night Of The Stormrider" se tornou o álbum mais vendido da banda, e
se manteve neste posto até ser ultrapassado pelo disco "Something Wicked
This Way Comes", que viria a ser lançado mais tarde. Mas ainda mantém sua
distinção como sendo o álbum mais vendido do Iced Earth no Japão. Depois do
lançamento do disco, a banda voltou à Europa, onde saiu em turnê mais uma vez
ao lado do Blind Guardian. Esta foi mais um sucesso, visto que as duas bandas
haviam crescido desde a última turnê e poderiam oferecer uma performance ainda
melhor paras suas crescentes legiões de fãs.
Com o sucesso de "Night Of The Stormrider" debaixo do braço, se
pensava em um futuro brilhante. No entanto, esse foi o ponto no tempo em que as
dinâmicas da indústria musical começaram a “cobrar pedágio” da banda.
Como uma das bandas originais da Century Media, o Iced Earth deu uma grande
contribuição para todo o faturamento da gravadora. Com a banda continuando a
crescer, Jon se deu conta que a banda não estava ganhando os benefícios de
todo o seu trabalho pesado. Na verdade, nada do dinheiro que a gravadora ganhava
com a banda acabava nos bolsos da mesma. Os membros da banda ainda tinham que
fazer um esforço para se manterem, mesmo tendo dois álbuns de sucesso como crédito.
A gravadora também usou os ganhos que teve com a banda para encobrir os
impactos negativos que eles já haviam criado, por causa de decisões erradas em
negócios. Isso não parecia justo para Jon e algumas mudanças deveriam ser
feitas. A banda literalmente chegou a um dilema com sua gravadora, exigindo que
seu contrato fosse renegociado antes que as coisas fossem pra frente.
Capítulo VII - Tempos difíceis
Também haviam alguns desafios com a formação. Embora a banda achasse que
havia encontrado um grande vocalista em John Greely, também o acharam uma
pessoa bem difícil de se lidar. Mudanças tiveram que ser feitas, onde a banda
conseguiu trazer Matthew Barlow para compor o time. Até hoje a fórmula de como
ser um membro do Iced Earth é simples. A pessoa deve ser um músico capaz, que
consiga lidar com a complexidade técnica e a diversidade das músicas do
conjunto. Ao mesmo tempo, a pessoa deve jogar com o time, sem ser estrela, se
comprometendo com o trabalho pesado que é preciso para a banda crescer.
Enquanto a banda estava passando por esta turbulência, Jon começou a compor
para o terceiro álbum do Iced Earth. Devido aos problemas citados acima, "Burnt
Offerings" só foi lançado três ano mais tarde, em Abril de 1995. Os
tempos difíceis se refletiram na música e o resultado foi um álbum tão
obscuro quanto amargo. Tinha um ponto alto em todo o processo entretanto, e este
foi o épico que fechava o álbum, entitulado "Dante’s Inferno". Com
uma duração de mais de 16 minutos, este épico era uma jornada diferente de
qualquer outra. Era cheia de reviravoltas,com geniais mudanças de andamento,
riffs fritados porém inteligentes, melodias assustadoras e carregadas de alma,
e uma atmosfera geral tremenda. Em um período escuro e difícil para a banda,
Jon ainda conseguiu criar o que pode vir a se tornar sua obra de arte –
dependendo do que o futuro nos trará! O álbum teve uma recepção regular na
maioria dos países. Foi um pequeno passo à frente para a banda nos EUA, mas não
chegou a grandes proporções em nenhum outro lugar.
Capítulo VIII - A saga
obscura
A banda estava agora em uma encruzilhada: O Iced Earth já tinha visto tanto o
lado bom quanto o ruim do mundo da música. Eles já tinham visto o sucesso e
já tinham confrontado os desafios que todos os artistas enfrentavam. Eles
tinham uma formação que os deixavam confortáveis na maior parte. O próximo
passo seria o definitivo: Iriam eles continuar a crescer como uma das melhores
bandas emergentes de heavy metal no mundo, ou iriam perder o seu momento e
prestígio na obscuridade? Todo mundo que conhecia Jon apostaria dinheiro na
primeira opção. Assim que Jon voltou à sua tarefa de escrever para o próximo
álbum, ele teve uma idéia que possuía um grande potencial: Criar um álbum
baseado no personagem de Todd McFarlane, Spawn, e sua história. Esta era uma
ótima idéia por diversas razões. Primeiro, oferecia um tremendo potencial
para as composições, já que Jon teria a chance de cobrir todo o espectro de
emoções do ser humano dentro de uma complexa linha de história. Também daria
a chance de Jon criar mais um álbum conceitual, criando uma conexão entre
todas as músicas ligadas a um único tema. E finalmente, permitiria a banda
algumas oportunidades de benefício mútuo dentro da indústria de quadrinhos
(onde é conhecido o personagem "Spawn"). A idéia e suas
possibilidades deixaram Jon bastante animado, que escreve o seu melhor quando
está otimista, e isso transpareceu em suas novas composições. "The Dark
Saga" foi lançado em Junho de 1996, recebendo excelentes resenhas desde o
começo. O álbum teve grande sucesso pela Europa e reestabeleceu a banda como
de primeiro escalão. O álbum também deu à banda a chance de fazer uma longa
turnê, e eles aproveitaram cada oportunidade que lhes foi oferecida.
O retorno à evidência não ocorreu, no entanto, sem as conseqüentes
complicações. Durante a turnê “Summer Metal Meetings” em 1996, a banda
estava tendo uma performance eletrizante em Berlin. Durante uma das músicas,
enquanto Jon estava detonando no palco, ele sentiu uma pontada em seu pescoço.
Ele continuou a turnê e continuou a se portar como um louco no palco, mas era
óbvio que algo estava errado. Quando ele retornou aos EUA, ele descobriu que
havia danificado três de suas vértebras do pescoço. Isso queria dizer que Jon
deveria enfrentar uma tremenda dor em suas performances até ele achar tempo
para fazer uma cirurgia corretiva.
Capítulo IX - Pequeno
deja-vu
No entanto, não havia tempo para desperdiçar. Ele queria sustentar o sucesso
momentâneo do "The Dark Saga" e construir sua crescente massa de
fãs. O Iced Earth decidiu voltar no tempo e dar aos seus fãs uma nova chance
para que eles conhecessem o material mais antigo da banda. Eles decidiram pegar
algumas faixas de seus três primeiros álbuns, assim como as músicas da demo
"Enter The Realm", e regravá-las com sua melhorada formação tendo
Brent Smedley na bateria, Jimmy MacDonough no baixo e Matthew Barlow nos vocais.
Esse foi um projeto ambicioso que resultou no lançamento de "Days of
Purgatory". As músicas velhas regravadas ficaram incríveis, acompanhadas
de um espetacular trabalho de arte do álbum. Um notável acontecimento durante
este período foi a primeira oportunidade da banda sair em turnë nos EUA. Eles
receberam reconhecimento através do seu trabalho com o "The Dark
Saga" e foram capazes de transformar isto em uma mini turnê no
Centro-Oeste dos EUA, em Agosto de 1997. Esta também foi a minha primeira
oportunidade de ver a banda ao vivo, como fiz em Detroit e Chicago, durante esta
turnê. Eu voltei completamente extasiado. Embora o público tenha sido pequeno,
a banda era incrível ao-vivo. Eles eram coesos, extremamente profissionais e
mostravam grande energia e emoção em suas performances. Eles convertiam fãs e
os aderiam à legião do Iced Earth, em cada show subsequente. Embora a turnê
tenha sido pequena, ela provou ser uma profecia para uma mudança dramática:
Quando o Iced Earth decidiu mudar sua base de operações da Flórida para
Indiana. Esta foi uma jogada esperta para a banda, já que agora eles estariam
mais próximos da parte Centro Oeste dos Estados Unidos, o que os permitia fazer
turnês mais fácil e freqüentemente, neste berço do metal.
Outra mudança na formação podia ser vista no horizonte. Randy Shawver,
guitarrista solo, estava começando a perder seu entusiasmo para com a banda e
queria se focar em outros aspectos da vida. Esta foi uma mútua e necessária
decisão e o guitarrista deixou o Iced Earth, fazendo com que a banda voltasse
à procura por um novo guitarrista. Para algumas bandas isto poderia significar
uma importante mudança no som, mas como Jon é o principal compositor e gravou
todas as guitarras bases dos álbuns (a sua rápida palhetada possiu um status
quase lendário) e 90% de todas as melodias de guitarra, a mudança foi quase
imperceptível. Randy tocou apenas os solos de guitarra nas gravações.
Através de um processo de audição, a banda aderiu Larry Tarnowski de Chicago
ao seu time, como substituto de Randy.
Capítulo X - Algo profano
veio até nós
Lançado em Junho de 1998, "Something Wicked This Way Comes" foi um
grande sucesso desde o começo. O ponto alto foi a estréia do álbum na lista
dos 20 mais vendidos na Alemanha. Esta foi uma grande conquista para a banda e
eles caíram direto na estrada para promover o disco. A turnê começou com
alguns shows de aquecimento, antes da aparição no prestigiado Dynamo Festival.
A banda iria continuar a tocar em alguns festivais na Europa, incluindo o Bang
your Head (o festival organizado pela revista alemã de power metal Heavy Oder
Was?!", e uma apresentação, como headliners no reverenciado Wacken Open
Air Festival. A banda também fez diversas turnês pelos EUA, incluíndo a Costa
Leste e Oeste, assim como o Centro Oeste do país. O conjunto também tocou no
Milwaukee Metalfest e, pela primeira vez, fez shows no Canadá. No geral, "Something
Wicked This Way Comes" foi um grande passo à frente para a banda e os
deixou em uma ótima posição, continuando a sua ascenção na escada do Metal.
A legião de fãs estava crescendo, eles eram bem recebidos pela imprensa e
pareciam haver achado o começo de ótimas coisas que estariam por vir no
mercado americano.
Capítulo XI - Ao-vivo em
Atenas e um outro projeto
Jon achou que era a hora certa para um disco ao vivo. A Grécia foi escolhida
como o local certo para a gravação do álbum, devido ao genuíno afeto e
paixão que os fãs gregos tinham pela banda. Jon havia ficado surpreso com a
tamanha recepção que a banda recebeu por lá, em turnês anteriores. Ele
também queria recompensar os fãs da Grécia com a honra de gravar o álbum por
lá e que tivesse um título condizente com tal fato. Na moda típica do Iced
Earth, nada foi reprimido. A banda tocou duas noites consecutivas em Atenas e
gravou os dois shows completos, como fonte para o material do álbum. Eles
tocaram dois sets diversificados em ambas as noites, e assim tinham um material
com mais de 30 músicas à sua disposição. O resultado final deste
empreendimento foi "Alive In Athens", lançado em Junho de 1999.
Levado em consideração pela imprensa como um dos melhores discos ao-vivo de
todos os tempos, o álbum estava disponível em vários formatos, como um cd
duplo nos EUA, um cd triplo na Europa e no Japão, uma versão quíntupla de LPs,
e continha um vasto conteúdo de músicas do catálogo da banda, incluíndo
"Dante’s Inferno", "Travel in Stygian" e a trilogia do
álbum "Something Wicked This Way Comes" na íntegra.
Neste momento, Jon decidiu dar um tempo do Iced Earth e passou uns dois meses
trabalhando em um projeto paralelo com Hansi Kursch, líder do Blind Guardian,
chamado "Demons & Wizards". Este foi uma conseqüência de algumas
composições que Jon e Hansi já haviam escrito alguns anos antes. Sua renomada
parceria resultou em um cd homônimo e numa turnê européia, que ambos foram
altamente louvados. Um dos pontos altos desta turnê foi uma ponta como banda de
abertura para o Iron Maiden em 2000, no Gods of Metal Festival, em Monza,
Itália (perto de Milão). A banda foi nomeada para o Echo Award (equivalente ao
Grammy) na Alemanha. Com o sucesso do "Demons & Wizards" já
contemplado, a hora era certa para se focar no Iced Earth de novo.
Capítulo XII - O
reconhecimento dos monstros antológicos
Jon voltou para os Estados Unidos, fez a cirurgia necessária para o seu
pescoço e voltou a compor. Mais uma vez, ele estava cheio de idéias. Com o
progresso das composições, ele começou a pensar em um álbum com o tema de
filmes de horror. O clima de horror foi um componente chave na imagem do
Purgatory, em seu passado, e os personagens de terror sempre foram uma área de
interesse pessoal de Jon. O resultado deste esforço foi intitulado "Horror
Show", lançado em Junho de 2001. Este álbum continuou com o momento de
ascenção da banda e obteve ainda mais sucesso do que o seu antecessor. Ele
debutou em 1º lugar na Grécia e mais uma vez estava entre os 40 álbuns mais
vendidos na Alemanha, Holanda e em alguns outros países europeus. A banda
também se deu muito bem nos EUA, fazendo parte de listas dos álbuns mais
vendidos de rock e de música independente. Foi aí que a banda conseguiu sua
primeira marca na Billboard. A banda obteve reconhecimento por isso, a partir
das ofertas de ser a banda abertura das prestigiadas turnês do Judas Priest e
Megadeth. Este foi um grande reconhecimento pelos anos de trabalho pesado que o
Jon e a banda tiveram.
A proposta do Judas Priest veio antes, por isso eles estavam compromissados a
cumpri-la. Os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 levaram ao
cancelamento desta ,mas o Iced Earth veio depois a se juntar ao Megadeth, na
segunda parte de sua turnê americana.
Agradecimento às influências e uma pequena volta às raízes
Enquanto a banda se preparava para a turnê com o Megadeth, ao mesmo tempo eles
concluíam o lançamento de um cd tributo e uma box set, que permitiram uma
homenagem à suas influências com o cd tributo, assim como deixou a
disposição pela primeira vez a demo original "Enter The Realm", em
cd. Além disso teremos os três primeiros álbuns totalmente remixados e com um
novo trabalho gráfico, tudo isso graças ao lançamento da box set "Dark
Genesis", que significa uma volta às raízes para a banda, pois é uma
forma de pagar um tributo à suas influências, enquanto, simultâneamente,
mostra o material mais antigo do Iced Earth. Estas foram as bandas que
inspiraram Jon a se tornar um músico que se focava em compor. Ainda que estas
bandas tenham grandes músicos, elas, no passado, eram todas bandas que também
se focavam em criar grandes músicas. Você pode ouvir alguns elementos destas
bandas dentro da música do Iced Earth, assim como, ao mesmo tempo, você pode
ouvir como o Iced Earth pegou estas influências e foi além, fazendo com que o
som do conjunto possua uma identidade tão única.
Capítulo XIII - Mudança
significativa
Também era um momento chave no campo dos negócios. A box set e o cd de covers
simbolizaram o fim do contrato com a Century Media, fazendo com que a banda
entrasse no mercado em busca de um novo contrato, que logo fora acertado com a
SPV. O acerto significou mais um grande passo para a banda. Foi uma recompensa
pelos anos de trabalho pesado e um reconhecimento da posição do Iced Earth
como uma das bandas mais promissoras do mundo do heavy metal. O novo negócio
ainda deu a banda uma oportunidade de uma maior exposição e uma chance justa
de Jon realizar sua visão A de tornar o Iced Earth a maior banda de heavy metal
do mundo.
Futuro promissor
O Iced Earth é certamente uma banda única, pois já lidaram com todo o tipo de
adversidades imagináveis em sua carreira, passando por mudanças de formação,
negócios mal fechados, mudanças de gostos e da moda na indústria musical, e
mesmo assim ainda conseguiram se manter verdadeiros em sua visão musical. Eles
nunca depecionaram e sempre deram um forte valor aos seus fãs, tanto nos
álbuns como em cima do palco. O futuro promete ser muito promissor para o Iced
Earth e será um prazer vê-lo se formar.
Capítulo XIV - Uma
revolução no Iced Earth
Após o lançamento da box "Dark Genesis" em 2002, a hora de Jon
começar a pensar em um novo álbum do Iced Earth tinha chegado. Era iminente
que após os atentados de 11 de Setembro todos os membros da banda estavam
abalados com a situação. O medo de novos ataques terroristas crescia cada vez
mais em solo norte-americano, e, por quê não dizer, no mundo todo.
Alguns meses se passaram e as primeiras notícias a respeito do novo álbum da
banda surgiram, levando Jon a declarar no site oficial da banda que o título do
álbum seria "The Glorious Burden". Jon disse também que que o disco
contaria histórias de guerras civis americanas e outras datas importantes do
país norte-americano. Conforme as composições iam ganhando corpo, uma
notícia ruim abateu a banda: A saída, sem muitas explicações na época, do
guitarrista Larry Tarnowski. Na época foi dito apenas que Larry era um
excelente guitarrista, que era muito jovem e tinha um futuro muito promissor
pela frente, mas que o guitarrista iria se dedicar um pouco mais aos estudos. Na
verdade, o verdadeiro motivo era que Larry gostaria de participar mais dos
álbuns da banda, ajudando também com composições próprias, o que não vinha
a se encaixar ao perfil de Jon Schaffer para o novo disco.
Passado esse pequeno problema, a banda resolveu entrar em estúdio para começar
as gravações do novo álbum. Jon chamou Ralph Santolla, guitarrista que havia
já tocado com a banda Death, para dar uma força em alguns solos de algumas
músicas. E tudo seguia caminhando conforme os planos de Jon...
Porém, Matthew Barlow, diferente de todo o restante da banda, não estava dando
100% de si nas gravações do álbum. Após ter gravado praticamente todas as
linhas vocais para o "The Glorious Burden", Jon percebeu que Matthew
não transmitia seu tradicional sentimentalismo (conhecido no meio como
"feeling") nas gravações dos vocais do novo disco, e após gravarem
a faixa épica chamada "Gettysburg 1863", dividida separadamenteem em
3 músicas, Jon sentiu que não poderia lançar o álbum com os vocais que
Matthew havia gravado. Afinal, o estilo que o vocalista havia demonstrado em
todos os outros álbuns que gravou não estava presente. Preocupado, Jon
resolveu abrir o jogo e ter uma conversa séria e franca com o vocalista. Uma
conversa que rendeu uma das piores notícias que o Iced Earth poderia dar aos
fãs e ao mundo da música: Matthew Barlow estava fora da banda.
Matthew simplesmente não queria mais continuar com a vida que estava tendo, e
não queria mais se dedicar a música. Após os atentados de 11 de Setembro de
2001, Matthew começou a pensar na vida e no que poderia fazer de útil tanto a
si próprio como para o seu país. E Matthew percebeu que o heavy metal, turnês
e discos, não era o caminho que ele gostaria de percorrer. Matthew queria
voltar a estudar e se graduar em Direito Civil. E, mais tarde, quem sabe poder
fazer algo mais após tanta desgraça que acabou presenciando após os ataques.
Jon, que já havia divulgado uma data de lançamento do novo álbum e fechado um
grande show no Wacken Open Air 2003, acabou mudando os planos e cancelado todos
os compromissos com a banda para aquele ano, fazendo com que milhares de fãs
ficassem ainda mais tristes. Era hora de refletir sobre como seria o futuro da
banda de agora em diante, já que eles não tinham mais o carismático
vocalista, referência de 10 entre 10 fãs da banda.
Capítulo XV - A nova voz
e o novo disco
E surgiu mais uma vez na mídia especializada a notícia, só que dessa vez de
forma oficial, dando conta que Rob Halford estava para voltar ao Judas Priest, e
que conseqüentemente Tim "Ripper" Owens seria demitido da banda. Foi
o que aconteceu, mas de forma profissional, educada e amigável, tanto pelo lado
do vocalista quanto pelo lado do Judas Priest. Após ser tudo oficializado, Tim
Owens deu algumas declarações na imprensa falando sobre sua partida do Judas
Priest: Disse que estava agradecido pelos anos que passou no Judas,
provavelmente os melhores de sua vida. E o melhor de tudo era que a amizade
entre os membros do Judas Priest não seria afetada. Sabia-se que Tim Owens
tentaria uma carreira solo, inclusive com algumas composições próprias já
concluídas.
Jon, assistindo a tudo de camarote, ligou para Tim e ofereceu à ele a vaga de
vocalista do Iced Earth, o que deixou Tim feliz e satisfeito, mas ao mesmo tempo
pensativo devido a todo o alvoroço criado após a sua saída do Judas Priest e
devido também ao nascimento de seu filho. Mas não demorou mais que uma semana
para Tim retornar a ligação que tanto Jon esperava, aceitando o convite para
ser oficialmente o novo vocalista do Iced Earth.
Já com o vocalista anunciado, a gravadora resolveu lançar um single para a
faixa "The Reckoning" em Novembro de 2003, com 4 faixas, para ir
matando a curiosidade dos fãs que tanto esperavam ansiosamente pelo retorno da
banda com seu novo álbum, "The Glorious Burden".
Para muitos era como um sonho poder ver Tim cantando no Iced Earth, devido a sua
incrível voz, mas para outros o "fantasma" de Matthew Barlow sempre
ficaria vagando a cada audição do novo álbum da banda.
E após todos esses acontecimentos, chegamos ao ano de 2004, onde em 12 de
Janeiro tivemos o lançamento oficial do álbum "The Glorious Burden".
Muitos shows foram agendados, as vendagens crescem a cada semana e criou-se
muita expectativa sobre como seria Tim Owens ao-vivo, cantando músicas antigas
(consagradas na voz de, principalmente, Matthew Barlow) e novas.
Tudo indica que 2004 será um grande ano para uma das maiores bandas que já
passou por esse planeta. ICED EARTH!