2008 - Resumo de entrevista para o site oficial americano

Transcrição e tradução por Cristiane McBrain.

Com exclusividade, colocamos aqui um resumo da entrevista que Jon Schaffer deu para o site oficial americano, disponibilizada em formato de áudio em mp3.

Sobre o novo single da banda:
 

"O primeiro passo será o single, e parece que a data de lançamento será maio ou junho, e então vamos trabalhar no álbum, e o ciclo de lançamento vai ser basicamente bem similar ao que aconteceu em 2007. Depois, vamos focar nossas energias no palco, faremos vários festivais europeus, e shows como atrações principais aqui nos Estdos Unidos.

“I Walk Among You”, é o título de trabalho por enquanto, provavelmente vai mudar, mas vai ser algo bem parecido com isso. E vamos refazer "The Clouding", da Parte I, com Matt cantando. Ele tem ouvido o álbum, e estamos pensando em alguma outra para refazer.

Para os singles, as gravadoras sempre querem faixas exclusivas, e pra mim, isso é jogar músicas fora, eu odeio isso. Há bandas que compõem 40 músicas e escolhem as 10 melhores, isso é um jeito de fazer, mas eu nunca fiz isso, e é por isso que não há nenhum b-side do Iced Earth. Eu simplesmente não entendo o sentido em trabalhar numa música na qual eu não acredito tanto. E é por isso que eu não tenho nenhuma faixa extra ou algo parecido que possamos colocar no single, então pensamos que essa seria a melhor coisa a fazer, e a razão pela qual "The Clouding" foi minha primeira escolha para o Matt é por causa da profundidade, da paixão e tal. Sem querer dizer que Tim não a cantou de forma fantástica, foi ótimo. Eu fiquei muito feliz com a performance de Tim, isso não é uma indireta pra ele, só estou dizendo que Matt tem uma outra paixão, e isso é uma das coisas que todo mundo ama nele, essa coisa da emoção, e vai ser muito especial.

Só semana passada que eu mandei para o Matt uma cópia do CD, então ele pode começar a absorver, olhar a história, entendê-la, nós conversamos pelo telefone outro dia por algumas horas, e a coisa boa do Matt é que ele faz perguntas, se envolve, quer saber que tipo de emoção estamos procurando e esse tipo de coisa.”


Sobre o Festival ProgPower e novas turnês:

 
“Nunca deu certo, pois sempre foi conflitante com o que a banda estava fazendo, é algo que eu sempre quis fazer, e realmente vai ser muito legal, porque será bem na época de lançamento do Part II, e eu tenho um sentimento de que o álbum provavelmente vai sair mais ou menos na mesma data que saiu a Part I ano passado, por causa do jeito que a distribuição funciona e da agenda de lançamentos. De qualquer maneira, é por isso, e muita gente acha que teve um grande esquema para fazer o Framming Armageddon sair em 11 setembro. Eu não tive nada a ver com isso.
 
E eu acho que a agenda será mais ou menos a mesma esse ano, a turnê será diferente, e na verdade vai ser bem legal, pois iremos focar em regiões. Será, por exemplo, uma seqüência de talvez 10 shows em uma região, e então algumas semanas parados, e depois mais 10, e é aí que vai dar certo de tocar no ProgPower Festival. Tudo isso vai ser planejado com bastante antecedência por causa da agenda do Matt, que quer continuar com sua carreira. Ele tem muitas responsabilidades que ele realmente gosta, é uma carreira que ele ama e eu entendo isso completamente. Ele também ama o Iced Earth, não quero que as pessoas pensem que ele não é dedicado, pois ele é, e muito.
 
Há meio que uma idéia geral de que tudo que faremos serão festivais. Nós faremos turnê, não vai ser aquela coisa de sair e ficar 6 ou 8 semanas fazendo shows, mas nós faremos seqüências de datas. O que é ótimo nisso tudo é que, se as pessoas quiserem ver a banda, elas talvez tenham que viajar, mas os shows vão ser muito bons; nós temos alguns planos de palco especiais, vai ser muito legal. Não tenho dúvida disso, porque a idéia é que pode ser que sejam menos shows, mas eles serão maiores em escala, o que significa que vão estar lotados, e vai haver uma atmosfera muito vibrante. E o nosso objetivo é esse: trazer a sinceridade, a intensidade, a paixão, a agressividade, a força e tudo mais. Matt está, e eu sempre disse isso, na classe dos melhores frontmen que o metal já viu, sinto que ele está no nível de Bruce Dickinson, Halford, Dio."
 
Matt como compositor de letras:
 

"Ele fez uma quantidade razoável, e vai fazer algumas no Part II também, pois eu acredito na habilidade lírica de Matt. Obviamente, com a história sendo o conceito de Something Wicked, eu vou direcioná-lo, porque a música já foi toda composta e gravada, os temas das músicas foram decididos há um ano, quando eu estava no processo de composição disso tudo. Então vou dar a ele uma direção específica, mas eu acredito absolutamente na capacidade lírica dele. Matt escreveu coisas muito legais durante os anos, e ele sempre foi um grande fã da história do Something Wicked, desde 97, quando eu originalmente a escrevi. Na verdade ele sempre vinha perguntar “isso é sobre o que?”, e ele achou o conceito da história muito legal, e ele o entende. O que influenciou isso é que Matt e eu na verdade sempre fomos fãs do mesmo tipo de coisa: Star Wars, O Senhor dos Anéis, histórias em quadrinhos, ele é um fã de Spawn, eu também sou.
A realidade é que a relação que nós tínhamos antes, e o que aprendemos com as coisas que ambos fizemos de errado, agora só vai fortalecer essa relação, porque não é como se tivéssemos tido uma grande desavença, nós não tivemos. Mas Matt e eu éramos tão próximos que na verdade houve muita dor, da minha parte, porque eu realmente senti muita falta dele, por muito tempo. Nós somos uma família, quer dizer, literalmente, porque ele é meu cunhado, mas mesmo antes disso, nós já éramos como família. Matt e eu sempre imaginamos isso, “vamos crescer juntos” e tal. Mas coisas acontecem, e quando você para de se comunicar, isso arruína com tudo, uma coisa leva a outra. Porque pelo que aprendemos, não tenho dúvidas de que nossa relação vai ser mais forte do que nunca porque, sabe, as pessoas tem que ser honestas consigo mesmas. Muitas pessoas criam uma realidade que é mais fácil pra elas conviverem, mas que não tem nada a ver com o que realmente está acontecendo, elas se olham no espelho, e mentem pra si mesmas todo dia, esse não é o jeito certo de viver. Mesmo que ser sincero seja muito mais difícil, porque é bem mais fácil mentir, mas no final do dia, realmente não é a maneira correta. Você aprende, nós estamos aqui para aprender conforme ficamos mais velhos, se você não aprende com o passar dos anos, então há algo de errado. Mas nós temos algumas coisas ótimas que estamos planejando, e eu acho que as pessoas não deveriam ser céticas com o que está por vir, pois vai ser forte; o espírito está de volta, eu posso sentir; quando estamos falando pelo telefone, está lá.

Nem todo mundo é um compositor, e não há nada de errado com isso, mas a realidade é que você tem que saber o seu papel. Nem todo mundo é um Dimebag Darell na guitarra, foda-se, certamente eu não sou. Cada um tem o seu dom, aquilo que está aqui para fazer, e eu acho que o melhor conselho para qualquer um é fazer isso, é se concentrar nas suas forças, e não ser um poser, não tentar ser algo que você não é. Você sempre pode trabalhar na direção de algo, se você tem esse desejo, mas realmente, eu sempre acreditei que se você tem esse desejo ardente, isso te dá a energia e a impulsão para se tornar um guitarrista virtuoso, ou um compositor, ou um grande cantor, o que quer que seja, trabalhe nisso, não tente ser algo que você não é. Há muito egocentrismo nesse negócio, acredite, e muita gente tem dificuldade em distinguir a realidade das coisas. Não é muito diferente de quando alguém ouve algo na mídia, e sai correndo como se fosse a palavra de Deus, em vez de realmente sentar e analisar a situação, talvez reunir mais fatos ou usar sua própria cabeça para pensar, em vez de repetir o que outra pessoa disse.”
 
Sobre o novo álbum:
 

"Toda a música está composta e gravada, e agora vem a parte da melodia vocal, a qual já tenho uma porção razoável feita. Ainda há uma boa parte para ser feita, e estou ansioso por ter Matt contribuindo, pois vai adicionar um “frescor” a tudo.
 
As pessoas tem essa concepção falsa de que eu digo “você não pode contribuir”, isso é ridículo, esse nunca foi o caso. Mas já aconteceu muitas vezes antes, que há muitas pessoas por aí que pensam que são compositores, e francamente, não são, ser um compositor não significa que você simplesmente invente o riff de guitarra, ou escreve um poema. A realidade é que, o Iced Earth está estabelecido, há uma razão pela qual os álbuns vendem, há uma razão pela qual as gravadoras querem assinar conosco, porque temos uma coisa que funciona. Você não vai, e só porque quer ser simpático com alguém, começar a mudar seu estilo, só porque quer deixá-las contribuírem na composição das músicas, quer dizer, elas precisam ser boas. Tem que ser algo que realmente funcione, e sabe, sempre há várias opiniões sobre o que é bom, e isso é ótimo, mas essa é a minha banda. Não é uma entidade pública, é um pequeno negócio privado, e eu sou o dono. Tendo dito isto, não significa que a pessoas nunca contribuíram, elas contribuíram. Provavelmente, quem mais contribuiu na história dessa banda, além do Matt, foi Randy Shawver, nos primeiros álbuns. Então quer dizer, nunca foi assim, mas eu tenho uma visão específica, e foi essa visão que definiu o Iced Earth através dos anos, e quando uma gravadora vai lá e te dá um contrato, é isso que eles estão assinando, é essa visão, e se você vai e muda essa visão, você arranja um problema."

Acho que teremos em torno de 13 músicas no novo álbum, faixas completas acho que serão 13. Há também algumas partes segmentadas, mas não tantas quanto tivemos no "Framming Armageddon". Esse vai ser um grande épico, mais sombrio, mais pesado, com músicas mais pesadas e brutais.

Uma das coisas que faremos pela primeira vez é contratar um coral de Howard Helm, que foi o cara que tocou o Hammond B3 na "The Domino Decree" do "Framing Armageddon", ele fez várias coisas no teclado no passado do Iced Earth. É um cara fantástico, um dos melhores músicos que já vi, e ele é que vai dirigir o coral, e nós vamos tentar fazer um coral de 30 a 40 pessoas para fazer a introdução, "The Sacred Flames", que é realmente uma peça musical especial. É provavelmente uma das músicas mais poderosas que eu já compus, não é muito longa mas é uma ótima introdução.”

Ainda não está decidido qual vai ser o título do álbum. Estou bem perto, mas não quero anunciar enquanto não souber com certeza. Está bem perto. Vou avisá-los quando souber”.

Sobre leilão de guitarras:

"São as guitarras que usamos na turnê do "The Glorious Burden", para a música "Gettysburg". Há duas Les Paul, uma com a bandeira dos Confederados e a outra a bandeira da União. E o que eu decidi é doar 100% do dinheiro para o Projeto Wounded Warrior, que é uma instituição de caridade muito legal, que ajuda caras que foram feridos em batalha e voltam pra casa, não só fisicamente, mas também psicologicamente, e então são “reajustados” de volta ao mundo e à sociedade. Vamos tentar fazer o máximo de propaganda possível, para tentar levantar algum dinheiro para esses rapazes. As guitarras são muito legais, são parte a história da banda, e a coisa mais importante é que, seja lá quanto dinheiro que elas tragam, irá para uma boa causa.”

Sobre a filha do Jon, que foi assistír a banda no Wembley:

"Eu disse a ela “olha, vai ser bem barulhento”, nós teríamos que testá-la, primeiro. Eu estava nervoso com a situação, ela é uma criancinha, e não se sabe como crianças vão reagir, e nós meio que a preparamos, colocamos protetores auriculares e tudo mais, e quando entramos lá, Tony Iommi estava no palco fazendo a passagem de som, e estava realmente muito alto, e foi tão legal, porque primeiro ela fez aquele olhar meio que “ah meu Deus”, e então ela começou a gostar, eu posso dizer, ela estava meio que “nossa!”. Bem, ficamos uns 5 minutos lá e fomos ao backstage, e depois de alguns minutos ela falou “papai, posso ir lá de novo assistir aquele homem tocando guitarra?”, foi tão adorável!. Então ela foi e voltamos lá, e durante o show, ela estava realmente gostando, sorrindo, gritando “papai”, fazendo “chifrinhos” no ar e tudo mais”.