ÁLBUM: Burnt Offerings
Review por Alexandre Bongestab

"Ao final da turnê do “Night of the Stormrider”, Jon Schaffer despede o vocalista John Greely e o baterista Richey Secchiari deixa a banda. O próximo disco só viria a ser gravado três anos depois. Schaffer, se sentindo lesado pela gravadora Century Media deixa a banda em hiato até conseguir um contrato melhor.
 
O baterista Rodney Beasley se junta a Schaffer e apresenta o vocalista Matthew Barlow, que iria mudar para sempre a história da banda. “Burnt Offerings” é considerado pelos fãs o disco mais nervoso e obscuro da banda e nele se encontra o maior épico do Iced Earth escrito hoje, “Dante’s Inferno”, onde Jon nos conduz aos recintos do inferno.
 
O disco abre com “Burnt Offerings”, nos levando a um dueto matador entre Matt e Jon. Prestando atenção na letra dessa música, podemos perceber o sofrimento que o Jon passou nos três anos de hiato com a banda. Antes de a primeira linha ser cantada, podemos perceber uma referência ao filme “Dracula” de Coppola. Alguém, com uma voz muito sinistra, repete as palavras do Conde na versão fo filme de Coppola em “Look What Your God Has Done To Me” (olhe o que o seu Deus fez comigo). No meio da música temos um instrumental lento e bonito, mas a última frase, que foi apagada dos encartes demonstra toda a raiva que Jon sentia (“fuck with us and die” – brinque conosco e morra).
 
Depois temos “Last December”, que Matt costumava apresentar como a história de um casal que não podendo ficar juntos durante a vida, resolveram ficar juntos na morte. Eu não sei afirmar se isso aconteceu com alguém relacionado à banda, ou se foi uma história chocante, mas lendo a letra dá calafrios. Os vocais de Matt, ainda não 100% desenvolvidos, ajudaram a música a ficar mais com o sentimento da letra. Houve uma discussão se essa música teria sido composta pela primeira banda do Matt (Caldron) ou se o Jon teria mudado os arranjos originais, mais o baterista Rodney, no antigo forum do site Iced Realm deixou claro que essa música foi composta durante as sessões de “Burnt Offerings”.
 
Logo depois temos “Diary”, que no início apresenta um acorde com distorção e logo entra em um riff lento, porém muito pesado. A bateria é muito marcante. Se “Burnt Offerings” continha referência a “Dracula”, essa conta sua história sob um ponto de vista sombrio. Intricada, sombria, pesada. “No crepúsculo da manhã eu descanso meus olhos cansados”. ”Pele macia e branca, olhos de fogo e gelo”. Impressionante como o Schaffer consegue escrever do ponto de vista do Conde, escrevendo sentimentos tão sombrios e confusos. Randy faz um solo muito interessante e antes de entrarmos na parte lenta, Dave faz um riff no baixo muito interessante e assim Barlow consegue desfilar todo o desespero, aos olhos do Conde, de não conseguir realizar o amor por aquela pessoa. Muito impressionante como a linha de guitarra do Randy apoiando a base do Jon e os vocais sombrios do Matt dão à sensação de que o próprio Dracula está cantando a música, terminando de forma pesada e abrupta.
 
“Brainwashed” começa com uma introdução lenta na guitarra e no baixo e logo entra em um riff intricado e pesado, seguido da bateria marcante de Rodney. Aqui Barlow demonstra mais agressividade e ao cantar a última linha do primeiro verso (“Say a little prayer and all is right”) e a última linha do segundo verso (“Cowards of reality And their dying love”) enfatiza e muito o sentimento de raiva na música. Depois do solo, mais ou menos em 03:02 Schaffer desfila um riff muito pesado e rápido e continua assim seguida da banda até o refrão, que logo é seguido por mais uma parte lenta e acústica, com uma bateria bem marcante de Rodney e Matthew, que demonstra toda a sua versatilidade indo de tons mais suaves aos mais agressivos. A música logo volta para a parte do refrão, mais rápida, com mais raiva e termina com um berro bem raivoso. Essa música diz respeito aos fanáticos religiosos, demonstrando todo o ódio do Jon com organizações religiosas.
 
De certa maneira, penso que as temáticas de “Burning Oasis” e “Creator Failure” estão interligadas. Essas duas músicas são muito obscuras e Matthew dá uma sonoridade mais sombria também. Não consegui entender direito o que essas duas músicas querem dizer, mas acho que tem algo a ver com ganância, pecados, traição...
 
Isso nos leva ao verdadeiro clássico desse disco, que é “Dante’s Inferno”. Não há o que realmente dizer sobre essa música. Nenhum fã da banda deve deixar de lado. Jon Schaffer, narra, curtamente e perfeitamente a história da “Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Ela não pode ser considerada, sob ângulo algum uma música convencional. Aqui há todos os elementos do Iced Earth, executados a perfeição e somado aos elementos trazidos com Matt. Não há refrão na música, ela é extremamente complexa. Riffs ora extremamente rápidos, ora cadenciados e ora muito rápidos. A guitarra base matadora de Jon dando suporte para as linhas de guitarra de Randy junto de um solo curto, mas eficiente. Ela é composta de vários ritmos, de várias sonoridades, finalizando assim, com chave de ouro um período do Iced Earth que até hoje instiga muita nostalgia e discussões acaloradas."