ÁLBUM:
DYSTOPIA
Texto:
Daniel Lopes
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A primeira
coisa que deve ser dita sobre "Dystopia" é: não se preocupem com a saída de
Matthew Barlow, nem precisam sentir saudades de Tim Ripper Owens, John Greely e
Gene Adam. Habemus Vocalista!!! Stu Block consegue em todas as faixas do álbum
demonstrar uma personalidade e uma associação tão grande com o Iced Earth, que
em certos momentos realmente esquecemos dos vocalistas anteriores. Talvez isso
ocorra pois o novato consegue lembrar os dois últimos frontmen da banda, nos
graves de Barlow e nos agudos de Tim.
Falando agora sobre o álbum em si, posso dizer que esse álbum é bem mais power
do que thrash, comparando com os primeiros álbuns da banda. E é direto,
diferentemente dos mais recentes. Outra característica é a variedade de
sonoridades, em alguns momentos lembrando o Iron Maiden da década de 80, em
outros lembrando fortemente algo do "Horror Show", "The Glorious Burden" e "The
Crucible Of Man". Já que não faço referências ao catálogo mais antigo da banda,
isso seria algo ruim, certo? Não nesse caso, as características que apresentei
mostram uma banda renovada, motivada e agora sim com um belo futuro pela frente.
DYSTOPIA
A faixa de abertura "Dystopia" já apresenta o novo vocalista, com todas as
características possíveis de sua voz, que serão largamente demonstradas no
restante do disco, de formas diferentes. Aliás essa faixa tem tudo para cair
como um luva sendo abertura dos shows, o que já foi dito por Jon Schaffer.
Cheira a clássico facilmente e o refrão é um dos melhores que o Iced já
produziu. Nota 10
ANTHEM
Uma boa música, para apresentar o vocal melódico e a emoção na voz de Stu, uma
característica de Barlow que o novo vocalista demonstra possuir também, o que é
um ótimo sinal. Nota 9
BOILING POINT
Embora na faixa título já tenhamos ouvido os agudos de Stu, nesta aqui eles
aparecem com mais clareza e agressividade, remetendo imediatamente a Ripper. Uma
música com bastante peso e bem direta, sem frescuras. Metal puro! Nota 10
ANGUISH OF YOUTH
No mesmo clima emocional e melódico da "Anthem", mas na minha opinião um pouco
abaixo da mesma, não por ser fraca, afinal novamente Stu Block carrega bem na
emoção. Mas simplesmente na comparação entre as duas, gostei mais da outra.
Nota 8.5
V
Com a temática do filme "V de Vingança", esta é a primeira música do álbum que
me faz lembrar de Iron Maiden. Ótima letra e novamente a atmosfera Power Metal
aparece no refrão "Prepare for victory...". Doses bem equilibradas de
agressividade e melodia agradam em cheio nessa faixa que é encerrada por mais um
agudo fulminante. Nota 10
DARK CITY
O início extremamente sombrio casa perfeitamente com a temática do filme "Dark
City". Logo ouvem-se agudos rasgados de arrepiar explodindo numa levada que me
lembra a "Wolf" do Horror Show. Ao mesmo tempo essa música também me parece ter
semelhanças com Iron Maiden. Por todos esse elementos e novamente pela
interpretação sensacional do novo vocalista, mais um ponto altíssimo do álbum.
Nota 10
EQUILIBRIUM
Baseada no filme homônimo, esta música apresenta as galopadas típicas do Iced
Earth (e novamente porque não lembrar do Iron Maiden?) e peso suficiente para
ser considerada uma ótima faixa, além de agudos desesperados de Stu na segunda
metade. Porém acho que o refrão poderia ser melhor. Nota 9.5
DAYS OF RAGE
A música mais pesada do álbum, com a bateria sendo esmurrada num estilo que
lembra "Disciples Of The Lie" e "Violate" e com Stu Block explodindo de ódio no
vocal. Nada mais a declarar. Nota 10
END OF INNOCENCE
Normalmente não costumo ser o maior fã de baladas, mas neste caso tiro o chapéu
sem pestanejar. Considerando que a letra é baseada na doença terminal da própria
mãe de Stu Block (aliás essa faixa foi composta por ele), poucas coisas podem
ter uma carga emocional maior do que isso. E na letra simples mas direta, ele
consegue transmitir a emoção na medida certa, tendo o ápice no maravilhoso
refrão. Nota 10
SOYLENT GREEN (Bonus track)
Essa é a música que mais se assemelha ao que foi feito em "The Crucible of Man",
podendo muito bem ser bônus deste. Uma música apenas boa, sem empolgar e sem um
refrão memorável. Nota 8.5
IRON WILL (Bonus track)
Ótima música com um clima bastante emocional e nostálgico, com característica
oitentista, diferente do que o Iced Earth costuma fazer. Vale pela originalidade
e mais uma vez pela versatilidade de Stu Block. Nota 9.5
THE TROOPER (Japanese Bonus track)
Ótimo versão de uma das mais conhecidas músicas do Iron Maiden. Embora eu
preferisse e imaginei que eles fizessem um cover de "To Tame A Land", que se
encaixaria perfeitamente pela temática, não há nada do que reclamar do que foi
feito aqui. Stu Block encaixa alguns agudos insanos que agregam valor a essa
versão, além do instrumental ser mais pesado que o original. Nota 10
THE MOB RULES (iTunes Bonus track)
Ao contrário de "The Trooper", este cover não acrescentou nada à atuação de Stu
Block neste álbum. No início ele poderia executar um agudo, como às vezes o
próprio Dio fazia (e isso nem era característica dele). Mais uma vez o destaque
ficou para o instrumental, como sempre ficando mais agressivo que o original.
Nota 8.5
TRAGEDY AND TRIUMPH
Uma música 100% Power Metal com clima épico e vitorioso, o que combina com a
letra da música. A sonoridade da canção me faz lembrar imediatamente de
"Invaders", música de abertura do "The Number of the Beast" do Iron Maiden, só
que com um refrão poderoso e pegajoso. Fecha muito bem o álbum. Nota 10
Agora é esperar para ver como Stu Block se sairá ao vivo, cantando músicas
antigas da banda. Em "Dante's Inferno" ele se saiu de forma magnífica, o que já
foi um bom sinal.
Nota Final (sem as bonus tracks): 9,70
Nota Final (com as bonus tracks): 9,57