ÁLBUM: HORROR SHOW
Review por Daniel Teixeira (Dracon)

Esse é um disco que gera muita controvérsia entre os fãs do Iced Earth. Alguns o consideram excelente, um dos melhores da carreira da banda. Outros o consideram óbvio e de produção menos apurada.

Na realidade, esse é um disco extremamente bem produzido, que aborda um assunto recheado de temas que são um prato cheio caso um bom compositor resolva escrever músicas sobre filmes de terror. E foi o que aconteceu nesse disco. John Schaffer e Matthew Barlow conseguiram passar para o ouvinte a emoção, a raiva, e o terror presentes em todos os filmes nos quais as músicas se baseiam.

Outro fator que define a qualidade deste disco é seu line-up, que conta com Jon Schaffer (Guitarra rítmica), Matthew Barlow (Vocais), Larry Tarnowski (Guitarra rítmica e Guitarra solo) e os excepcionais Steve Di'Giorgio (Baixo) e Richard Christy (Bateria).

A parte gráfica também é um fator para a excelência deste disco. Desde a capa até os detalhes do encarte, tudo gira em torno do tema central do disco, mantendo aquela atmosfera sombria e, ao mesmo tempo, nebulosa.

Bem, agora, falando do que realmente interessa: a música.

O disco começa com um dos petardos mais rápidos e agressivos da banda: Wolf. Esta música conta a história de um homem que foi mordido por um lobisomem e toda a maldição que caiu sobre o mesmo após o terrível acidente. A música começa com uma levada cadenciada, com a bateria fazendo um ótimo trabalho acompanhando o riff, que é bem quebrado. Barlow dando gritos e uivos, já preparando o clima da música. O riff principal da música é bem rápido e matador... Os vocais do Barlow dão uma amostra grandiosa de potência e melodia. Um ponto marcante desta música, é, também a velocidade dos pedais duplos de Richard Christy, principalmente na hora do refrão e no final da música. Por falar no refrão, quem já viu o filme "The Wolf Man", vai notar que o versão desta parte da música é repetido várias vezes no filme, como se fosse um ditado popular. Um clássico sem sombra de dúvidas.

A segunda música começa com uma levada de baixo sombria e empolgante ao mesmo tempo. Um coral macabro começa a acompanhar a introdução. Damien é baseada na história do filme "A Profecia", que basicamente conta a história do retorno do anti-Cristo, sua ascenção e sua queda. Esta música é bem mais arrastada que a anterior, e também mais pesada e mais densa. Os vocais de Barlow são extremamente agressivos e o refrão conta, novamente, com uma frase retirada do filme.

Logo depois temos Jack, menção mais do que óbvia ao clássico "Jack - O Estripador". A música já começa muito rápida, riffs de palhetada nervosa. Mais uma vez o baixo e a bateria dão show. Barlow com um vocal bem rasgado, pressão total. O refrão é muito legal. Música direta, com algumas mudanças de clima, muito boas por sinal. Conta a história do assassino que vitimou várias prostitutas em Londres, com crimes bárbaros que assombraram a todos na época e que continuam sem solução.

Ghost Of Freedom quebra um pouco o clima "nervoso" do disco. É uma balada muito bem interpretada por Barlow, com seu vocal grave melancólico. Essa talvez seja a música mais "normal" desse disco, não apresenta muita novidade, porém não deixa de ser uma ótima música por causa disso.

Depois entramos no clima mais egípcio com Im-Ho-Tep (Pharaoh's Curse). Essa história é a mesma história contada no filme "A Múmia", onde Im-Ho-Tep, Sacerdote de um Faraó, se apaixona por sua esposa e é condenado ao Homdai, penalidade nunca antes executada, onde corta-se a língua do penalizado e depois o mesmo é mumificado vivo. Essa música é mais arrastada também, com vocais agudos de Barlow intercalados com excelentes back-vocals. Riffs mais simples, bem pesados, marcando bem o clima do tema abordado. Outra grande música de destaque no disco.

A seguir temos Jeckyl & Hyde, que conta a famosa história "O Médico e o Monstro", onde um Médico (Dr. Jeckyl) tem seu alter-ego maligno (Mr. Hyde) liberado após consumir uma fórmula química criada pelo próprio doutor. A música começa com um dedilhado tranquilo e subitamente muda para um novo petardo, riffs com palhetadas precisas, típicos do Schaffer, vocal agressivo de Barlow, bateria nervosa... Destaque da banda como um todo nessa música. Outro clássico de muito peso e qualidade.

A partir daqui, na minha humilde opinião,o disco é completamente perfeito, com uma música maravilhosa atrás da outra. Começamos com Dragon´s Child. Baseada no clássico "O Monstro da Lagoa Negra", a música fala de um ser pré-histórico que vive na Logoa Negra, num ponto remoto da Bacia Amazônica. Essa música também tem um riff quebrado, não é tão direta como as músicas anteriores. Vocais perfeitos de Barlow, variando com maestria os diversos tons que sua maravilhosa voz pode alcançar. O instrumental coeso e preciso, aliado com letras sensacionais tornam essa música outro clássico da banda.

Emendamos com um cover... Mas não é um cover qualquer... É um cover de uma das músicas instrumentais mais conhecidas da história do Heavy Metal, criada por umas das bandas mais influentes do ritmo maldito: Iron Maiden. Transylvania tem uma roupagem diferente, um pouco mais pesada e com os riffs ligeiramente modificados. Os solos dessa música estão matadores e o pedal duplo, as viradas e o jogo de pratos de Mr. Richard Christy dão um ar de novidade para este clássico.

Frankenstein, um dos ícones das histórias de Terror, dispensa comentários sobre o seu tema... A partir dessa música temos o que eu chamo de "A tríplice coroa do Terror", juntando os temas das duas músicas a seguir. Na primeira audição, por algum motivo, eu já identifiquei a música com o tema. Não sei se foi por causa do Riff muito bem trabalhado, pelo tom sombrio que a música ganha quando o baixo entra... Só sei que fui tomado completamente pelo clima clássico dessa história onde o criador perde o controle da criatura, e quase perde sua vida com isso. Essa música não é rápida, porém é bem pesada e com uma levada propícia para deslocarmos
o pescoço e descabelarmos a cabeleira. Os vocais do Barlow, pra variar, impecáveis... Agudos... Perfeitos... A bateria, com viradas excepcionais e mais um refrão lindo, que explica toda a temática da história em poucas frases.

Em seguida temos uma música que, na primeira audição, me emocionou profundamente. Um tema que é tido como terror à primeira vista, mas que, analisado em todo o seu conteúdo, é uma verdadeira história de amor. Sombria, mas uma grande história de amor incondicional, imortal, insuperável. Dracula começa lenta, calma, com um dedilhado triste, um baixo fazendo um clima perfeito de tristeza, melancolia, dor... E Barlow, o que dizer, o cara parece que chora com a mão no peito, emocionado, realmente encarnado no papel do Conde. Subitamente, temos uma quebra neste clima, com um grito de ódio, sentimento esse que domina o resto da música a partir desse momento. Barlow faz, talvez, a sua interpretação mais carregada de sentimento de toda a sua carreira. Os riffs são rápidos, melódicos... Bateria muito bem encaixada... Baixo perfeito... Vocal supremo. Uma banda em pleno auge em termos de performances, formação e composição. Uma música que realmente faz o sangue ferver... A melhor do disco e uma das melhores de toda a carreira do Iced, com certeza! Só tem um jeito de conseguir entender o que eu senti ouvindo essa música... Leia o que está escrito aqui OUVINDO a música.

Para fechar com chave de ouro, temos The Phantom Opera Ghost. Esta é uma música diferente, é a que tem o clima mais sombrio de todo o disco. Nela temos os vocais de Yunhui Percifield fazendo o papel de "Christine", cantora da Ópera de Paris e objeto do desejo do fantasma. Essa música tem uma variação de climas e de agressividade, que às vezes parece que estamos ouvindo músicas diferentes... É como se realmente estivéssemos presenciando uma Ópera com seus vários Atos. Interpretação magistral de Barlow e a banda, mais uma vez, mostrando todo o seu potencial, no clássico que fecha este impecável disco.

Em resumo (depois desse testamento!!!), temos um disco extremamente bem trabalhado, coeso e fiel ao seu propósito. É um disco de fácil digestão, já que os temas de terror são quase que uma unanimidade em termos de predileção do público de Heavy Metal em geral. Na minha humilde opinião, esse disco divide a primeira colocação com seu antecessor de estúdio, "Something Wicked This Way Comes".

Nota: 11!!!