SHOW: 06/02/2010 - Via Funchal, Sao Paulo, SP, Brazil
Review por Rock Brigade
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Demorou muitos anos, mas até que enfim aconteceu o tão aguardado show da banda americana Iced Earth, fundada em 88 pelo guitarrista Jon Schaffer (único remanescente) acompanhado de Matthew Barlow (vocal), Brent Smedley (batera) Troy Seele (guitarra solo) e Freddie Vidales (baixo). Eu achei que o show do Metallica espantaria o público um pouco, mas que nada!, casa lotada para uma noite que prometia. A expectativa era enorme em torno da volta de Matt Barlow ao Iced Earth em 2007, após a saída de Tim “Ripper” Owens, substituto de Barlow em 2003.

Com um atraso básico de 15 minutos, começa a intro In Sacred Flames, o público aos berros começa a recepcionar os caras com o tradicional Ole, Ole, Ole e pouco a pouco a banda foi se posicionando no palco. Jon ficou meio que anestesiado e parado de maneira estática, de braços esticados e cabeça baixa em frente ao seu microfone, parecia que estava possuído ou meio que invocando uma força sobrenatural até que o cara manda os primeiros riffs de "Behold The Wicked Child", música que depois da mesma introdução abre o último cd Crucible of Man - (2009) e com gás total, emendam a poderosa "Burning Times", música que abre SWITWC - (1998) e aí sim, a insanidade tomou conta da Via Funchal, foi de arrepiar. O som ainda estava sendo ajustado e não estava 100%, mas a banda parecia não ligar muito pra isso, já que a energia era devastadora e sem parar, emendaram “Declaration Day” faixa 2 de  The Glorious Burden – (2004) música que contava com a voz de Tim "Ripper" Owens só que com Barlow, ficou uma versão muito mais com cara do Iced Earth, que presente conferir Barlow ao vivo. Presente também seria a próxima música, emendam as cavalgadas de "Violate", faixa 3 do The Dark Saga – (1996) e terminam a execução da mesma homenageando a banda que mais influenciou Jon, tocando no final um riffisinho da The Trooper do Maiden empolgando à todos. Retomando o fôlego, Barlow solta às primeiras palavras ao público paulistano: E aí brothers and sisters do metal? Vocês estão se divertindo? Então, Barlow anunciava que a próxima música se tratava de algo do cd Night of the Stormrider e mandaram a clássica “Pure Evil”, faixa 7 de Night of the Stormrider e Jon Schaffer deu um show a parte tocando feito um demônio seus riffs desgraçados e cavalgados, algo que expressa o que há de melhor naquela fase mais thrash da banda. Era evidente na execução dessa pedrada a cara de raiva e ao mesmo tempo os sorrisos que Jon expressava, dava pra ver como os caras estavam felizes. Terminando Pure Evil, o público mais uma vez mandou Ole, Ole, Ole, Iced, Iced, e Matt com um sorriso de ponta a ponta agradeceu e chamou a próxima que seria uma historia de amor tocada aos moldes do Iced Earth, chegou a hora do hino de Horror Show – (2001), a belíssima “Dracula”. Freddie Vidales puxou absurdamente as linhas sinistras de baixo e a galera também deu um show com alguns celulares e isqueiros na introdução e quando a música fica paulera, Matt assustava com seu alcance vocal dando agudos absurdos.

Depois de "Dracula", Matt recuperou um pouco o fôlego e anunciou a falsa balada que conta a história da paixão de Cristo "Melancholy (Holy Martyr)" do cd SWITWC – (1998) e no final tirou vários hey, hey da galera. Na seqüência, mais uma música registrada pelos vocais de Tim foi tocada, “Ten Thousand Strong” do disco Framing Armageddon – (2007) e que mais uma vez Barlow interpretou de forma brilhante e detonou nos agudos, outro detalhe legal foram os duetos de guita no meio da música entre Jon Schaffer e o carismático Troy Seele soando bem Maiden, aliás, Troy mesmo dando umas engasgadinhas aqui ou ali, mandou bem nos improvisos dos solos. Depois, Jon cumprimentou a galera pela primeira vez e pediu desculpas pela demora de pouco mais de 20 anos. Matt aproveitou para ir descansar um pouco e Jon chamou a responsabilidade pra cantar e tocar a faixa título "Stormrider" do cd Night of the Stormrider e Jon cantou e tocou com toda fúria e pôs o Via Funchal abaixo com o peso de sua voz e riffs cavalgados, sua marca registrada. Ao final da música, Matthew Barlow retornou ao palco mais descansado e anunciou que a próxima seria a história de um belo anjo que veio dos céus pra chutar alguns traseiros, então iniciaram os riffs de "The Hunter", mais uma do The Dark Saga – (1996), preciso dizer mais uma vez que todos cantaram em coro?

Que tal agora o momento ápice do show? Era chegada a hora da trilogia que fecha SWITWC – (1998) e que conta a historia de “Set Abominate”, também conhecido como “The Watcher” que se trata daquele personagem criado por Jon Schaffer que esta estampado na capa do SWITWC e que conta sua saga através da trilogia Something Wicked e executaram as 3 faixas que compõem a história: "Prophecy", "Birth Of The Wicked" e "The Coming Curse" e todas foram tocadas com perfeição, um momento de arrepiar. Após a execução, a banda inteira sai do palco para a primeira pausa e para o momento mais triste, já que voltariam para o BIS e tocariam as últimas músicas da noite e naqueles minutos que pareciam intermináveis, o público começou a cantar o refrão da música "Watching Over Me", mas pena que Jon nem acompanhou a galera na guitarra, com certeza merecíamos essa, mas que fique pra próxima. O batera Brent Smedley tratou de avisar de uma forma educada que não tocariam ela, já que Brent puxou nos bumbos o começo da música Dark Saga, faixa título que abre o cd The Dark Saga – (1996) e todos acompanharam em uníssono a voz raivosa de Barlow. Na seqüência, foi a vez da emocionante “A Question of Heaven", que conta a história da ascensão de Spawn, personagem preferido do guitarrista Jon Schaffer dos quadrinhos. Sem parar, emendam a faixa 7 de SWITWC “My Own Savior”. No final, Barlow agradeceu a todos que compareceram para prestigiá-los e encheu nossa bola dizendo que éramos simplesmente fenomenais e que aquela noite estava melhor do que eles esperavam e ainda brincou com o público citando o show da gostosa Beyoncé que acontecia no mesmo dia. Depois da brincadeira, infelizmente anunciava a última “Iced mother fucker Earrrrrth”, faixa título do primeiro cd auto-intitulado dos caras que leva o nome da banda, nome que foi dado por aquele amigo de Jon que morreu num acidente de motocicleta e Jon homenageou esse mesmo amigo gravando a faixa “Watching over Me”, aquela mesma que o público pediu e o Iced não tocou, uma pena. Voltando pra última música, a parada que todos dão no meio da música até entrar a cavalgada desconcertante de Jon Schaffer foi surreal.


Com certeza Jon Schaffer, Matt e Cia ficaram impressionados com o nosso público. Depois de se despedirem, a banda se reuniu para um meet and greet e a primeira coisa que conversei com Jon foi sobre o que ele achou do show e o cara estava animadaço com a receptividade. Os caras ainda foram super atenciosos recebendo alguns vencedores de promoções e membros do site oficial brasileiro - Brazil Under Ice. Agora sobre voltarem, Jon mesmo me disse que quer voltar o mais breve possível e tomara que agora não seja para um simples show, seja pra filmar o tão aguardado primeiro DVD oficial, que Alive in Athens que nada, São Paulo é que é bicho!

Set list:

In Sacred Flames / Behold The Wicked Child / Burning Times / Declaration Day / Violate / Pure Evil / Dracula / Melancholy (Holy Martyr) / Ten Thousand Strong / Stormrider / The Hunter / Prophecy / Birth of the Wicked / The Coming Curse / Dark Saga / A Question of Heaven / My Own Savior / Iced Earth