SHOW:
06/02/2010 - Via Funchal, São Paulo, SP, Brasil
Texto: Johnny Z.
QUEBRANDO O GELO!
O que vimos no último dia 6 de fevereiro no Via Funchal (SP), marcará a memória
dos fãs. Pela primeira vez na América do Sul, o Iced Earth, ainda promovendo seu
último álbum "The Crucible Of Man - Something Wicked Part II" (2008), chegou sem
saber como seriam recebidos depois de tantos altos e baixos na carreira. Essa
dúvida desapareceu totalmente quando, Jon Schaffer e Troy Seele (guitarras),
Matthew Barlow (vocal), Brent Smedley (bateria) e Freddie Vidales (baixo)
entraram no palco ás 22 horas.
Sem banda de abertura, e produção de palco - até sem pano de fundo - o que
pudemos conferir foi uma aula de metal, com muita energia, vibração, sentimento
e tudo que qualquer fã espera de seus ídolos. Poder ver Jon Schaffer e Matthew
Barlow juntos mostrarem toda a química que conquistaram no passado, e
duplicando-a na frente de nossos olhos, é um sonho realizado. Sem exagero,
muitos sonhavam com esse dia, e enfim chegou.
Falar bem do Via Funchal chega a ser redundância. É a melhor casa de show de São
Paulo, tanto em localidade, como acústica, iluminação e conforto.
Nessa noite, chuvosa e abafada, os fãs se aglomeravam na porta da casa desde
cedo. Com cerca de aproximadamente 3.500 fãs, os primeiros acordes da introdução
em playback de "In Sacred Flames", já se via que o público daria um retorno
imediato aos músicos. Jon Schaffer, ao pisar no palco, foi motivo de gritarias
tão altas que sequer conseguíamos ouvir a introdução. Aos poucos os músicos
entravam no palco e olhavam fundo na platéia sem acreditar no que estavam vendo.
No final da introdução, emendaram com "Behold The Wicked Child". Quando Matthew
Barlow entrou no palco, o chão tremeu, com tanta gente pulando e gritando seu
nome. Alguns pequenos problemas no microfone de Barlow aconteceram, mas foram
resolvidos rapidamente. Daí em diante foi só pedrada. O som estava muito bem
equalizado, com todos instrumentos nítidos, e a guitarra base de Jon
pesadíssima, despejando aqueles riffs e cavalgadas características do som da
banda.
Sem pausa, atacam com uma das melhores músicas da carreira, a pesadíssima
"Burning Times", do aclamado álbum Something Wicked This Way Comes (1998).
Barlow pulava muito, seguido por todo o público. Jon, que resolveu adotar o
visual grisalhão motoqueiro, agitou muito durante todo o show, seguido pelo
novato Freddie Vidales, que mostrou ser a pessoa certa para ocupar o posto de
baixista na banda, devido não só sua excelente presença de palco, como também
sua técnica.
Voltando ao show, Brent Smedley é um caso a parte. Toca muitíssimo bem e faz
umas caretas que muitas vezes causam risos. Troy Seele é mais discreto, mas não
compromete nos solos. Diferente do que muitos diziam durante o show, fez o seu
trabalho com consistência.
Na seqüência veio "Declaration Day", do álbum The Glorious Burden (2004),
originalmente gravada por Barlow, mas descartada na época de sua gravação por
motivos, até hoje, não muito bem explicados, sendo o álbum totalmente regravado
com Tim Ripper Owens nos vocais. Cantada de forma sublime, todos ficavam se
perguntando o que passava na cabeça de Jon na época. Os estilos e timbres dos
dois vocalistas são diferentes, mas Barlow conseguiu impor seu estilo e mandou
muitíssimo bem.
A trinca seguinte fez com que muito marmanjo chorasse. A porradaria de
"Violate", seguida da magistral rifferama de "Pure Evil" e a cheia de feeling
"Dracula", única do excelente Horror Show (2001), foi um dos pontos altos do
show, com uma interpretação de Barlow correta, emotiva e contagiante. Jon e
Barlow se comunicavam bastante com o público, elogiando muito a participação de
todos, inclusive chamando os brasileiros de fenomenais. "Melancholy (Holy
Martyr)", foi um bom exemplo dessa participação, com todos cantando cada
palavra.
A próxima música, "Ten Thousand Strong" - outra da fase Ripper Owens - não “era”
uma das mais apropriadas para os vocais de Barlow, devido ao tom exageradamente
agudo da original. A partir dessa noite, o passado do verbo mudou. Barlow provou
que tem colhões o suficiente para colocar seu próprio estilo e deixá-la ainda
melhor. Com seu término, Barlow saiu do palco para descansar e deu lugar a Jon,
que agradeceu a todos os fãs e se desculpou por fazerem esperar quase 20 anos
para vê-los, prometendo voltar.
Depois do pequeno discurso, anunciou uma das músicas mais aclamadas pelos fãs:
"Stormrider". Originalmente cantada por Jon, no clássico "Night Of The
Stormrider" (1992), vimos rodas de fãs que, literalmente, se matavam com as
palhetadas certeiras e riffs cavalgados, unidas com seu vocal sinistro. Com a
volta de Barlow, veio "The Hunter", outra cantada em uníssono, conseguindo tirar
sorrisos do cantor. E como todos puderam notar na tarde de autógrafos no dia
anterior, isso é uma tarefa difícil, pois ele é bem tímido e fechado.
Fechando a primeira parte do set, veio à estupenda trilogia "Something Wicked",
com "Prophecy", "Birth Of The Wicked" e a magistral "The Coming Curse", que
arrancou lágrimas desse quem vos escreve, tamanha exatidão em sua execução, com
destaque novamente para o som da casa que dava o peso das guitarras algo
descomunal.
Para o bis, voltaram com a platéia nas mãos, que cantava o refrão de "Watching
Over Me", não programada no set list, mas que fez todos no palco balançarem e
quase a tocaram, se não fosse o baterista Brent Smedley. Mais tarde, no
backstage, esse me confessou que ficou com medo de errar e decepcionar os fãs
por não terem a ensaiado, e o “mínimo” que os brasileiros mereciam era o
“máximo”.
O show caminhava para seu término, então soltaram as excelentes "Dark Saga"
(pesadíssima) e "A Question Of Heaven". Essa última cantada, novamente, em
uníssono por todos. Com o fim próximo, nada mais justo do que encerrar com chave
de ouro. A pedrada "My Own Savior", com seu refrão marcante, e a clássica faixa
que dá nome ao grupo, "Iced Earth". Antes dessa última, Barlow disse “Se você
veio aqui por acidente, achando que era o show da Beyoncé (N.R: que se
apresentava na capital no mesmo horário), dê o fora! Gritem o mais alto que
puderem, e vamos mostrar para os merdas que estão no show dela, como é que se
faz”. Não precisa dizer que a casa veio abaixo!
O set list foi muito bem escolhido, mas talvez uma maior abordagem de material
de "Horror Show", e também, algo do magistral álbum "Burnt Offerings" (1995),
infelizmente esquecido por Jon, agradasse ainda mais os fãs presentes. Mesmo
assim, os músicos mostravam em seus rostos o quão felizes estavam, e a platéia
idem. Agora eu pergunto: Jon, onde fica Atenas? Resposta: São Paulo!
Set list:
In Sacred Flames / Behold The Wicked Child / Burning Times / Declaration Day /
Violate / Pure Evil / Dracula / Melancholy (Holy Martyr) / Ten Thousand Strong /
Stormrider / The Hunter / Prophecy / Birth of the Wicked / The Coming Curse /
Dark Saga / A Question of Heaven / My Own Savior / Iced Earth
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