ÁLBUM:
THE DARK SAGA
Review por Marlon Prado
"The Dark Saga"
O álbum começa com um resumo de toda a história. Spawn se mostra com toda sua
escuridão, tristeza e melancolia. E assim começa a música. Após uma pequena
introdução, bases bem pesadas e cadenciadas levam a música até o fim, sem
nenhuma mudança drástica. Ela tem um pequeno solo no meio. É muito direta no que
diz respeito a venda de sua alma por amor.
Hoje não consigo escutá-la sem ter o Spawn em minha mente e não consigo ver
Spawn sem ter em meus ouvidos aquela voz de lamentação do Matt com bases bem
pesadas; anunciando e introduzindo a “Saga Sombria”.
"I Died For You"
Mais melancólica que a primeira, “Eu Morri Por Você” fala exclusivamente do amor
de Al Simmons pela sua mulher, Wanda, por quem ele vendeu sua alma ao Diabo,
apenas para vê-la novamente. Porém, quando volta – cinco anos mais tarde, sua
amada Wanda está casada e ama outra pessoa, e para maior ódio e frustração ainda
de Al Simmons, esta pessoa é seu melhor amigo, Terry Fitzgerald. O casal
inclusive tem uma filhinha, chamada Cyan, que encanta Spawn desde o primeiro
momento.
A música é uma lamentação. Começa com o baixo aparecendo muito junto a um
dedilhado e a voz de Matt. Aí entra o refrão: forte, direto e muito sentimental.
A música fica neste alto e baixo até cair em seu solo, coeso do início ao fim,
muito bem feito, com a bateria e o baixo fazendo uma “cozinha” perfeita onde
caímos novamente no refrão. Aí, Matt dá um show de interpretação e potência até
o fim da música, com várias frases gritadas ( junto ao refrão ao fundo ). Nesta
música não há como não cantá-la do início ao fim. Ao vivo, a frase com mais
feeling desta música é: “...for love I sold my soul...” quando entra forte
novamente no refrão. Perfeita !
"Violate"
“Não sou o vindicador, nem a vítima; não sou o vaporizador, nem o vibrador, sou
o Violador!”
Esta é a apresentação do próprio Palhaço para o Violador. O Palhaço, como a
própria música diz, é um homenzinho infame, desprezível, repugnante e sujo. Ele
é o braço de Satã na Terra e está preparando Spawn para ser o líder do exército
do Demônio na luta contra o Paraíso.
Pra mim, a música descreve exatamente como ele é, tanto quando é Palhaço, quando
se transforma em Violador, um monstro com tamanha força e maldade.
Musicalmente é um petardo ! Começa já chutando tudo, direto e bem rápida. Bases
acompanhadas de uma bateria nervosa e o Matt arregaçando tudo. No meio dela uma
parada estratégica, um silencia ( talvez significando quando o Violador some e
depois aparece, do nada, socando e batendo ), depois uma base seguida de um
solo, onde não conseguimos ficar com a cabeça parada. Simplesmente porrada !
Termina com um solo sobrepondo o outro já executado.
Ao vivo, ela é tocada até hoje. Na parada do meio, o Matt costumava dar uma
“rosnada”, o que a fazia mais criminosa ainda. Mesmo com o Tim nos vocais, a
música fica matadora. A voz do Tim deu mais potência e fúria ainda a ela, e
arriscando-me a dizer, ter ficado ainda mais matadora com o Tim. Então...
“Violete” !.
"The Hunter"
“O Caçador” tem o Armageddon como destaque e as forças do Bem e do Mal como
personagens. Spawn, mesmo sendo vindo do inferno, luta contra o Diabo. McFarlane
disse que, se Spawn conseguisse vencer o Diabo, ele seria o maior super herói do
mundo de todos os tempo, porque conseguiria fazer algo que nem mesmo Deus
conseguiu completamente. Assim, Spawn luta para enfraquecer o Diabo para a luta
final, Armageddon: “To make him weak, the final fight”.
O início anuncia de forma bem intrigante a batalha entre o Bem e o Mal. Depois,
a bateria entra com um belo riff e ela segue cadenciada até seu refrão, onde a
banda mostra um grande entrosamento. Ótimo trabalho de todos individualmente,
mas principalmente, do baterista Mark Prator. Belos riffs, as palhetadas
cavalgantes de Schaffer, e um solo rasgado, diferente de todos os anteriores até
então. Barlow cantando bem direto e coeso.
Excelente trabalho em conjunto.
"The Last Laugh"
“A última risada” no filme foi do Palhaço, depois do Violador ter sua cabeça
decepada pelo Spawn no final, inclusive com uma piadinha de baixo calão, pra
variar... “Wanda, que tal essa cabecinha?”. Mas aqui nesta letra, a primeira que
não foi composta por John neste álbum, Barlow nitidamente fala do Diabo: “I am
your father destroyer of the light”...”Sou seu pai destruidor da luz”. Barlow
mostra que Spawn está nas mãos do Diabo e mesmo que tente, ele não escapará,
como o próprio Diabo diz a Spawn no fim da batalha no inferno: “Your life, your
life is mine.”
Outra que começa chutando tudo. Ao longe a bateria já quebrando tudo vai
aumentando aos poucos e chega com uma guitarra cortando e Matt soltando a voz.
Prator, novamente brilha na bateria. John comanda os riffs, bases muito
cavalgadas e pesadas. No meio, como em outras, há uma parada onde Barlow esbanja
interpretação e Shawver esbanja talento no solo. O refrão tem um dueto entre
John e Matt, que ocorre em outras músicas também, onde um parece que está
respondendo ao outro. Ótimo trabalho, no fim, ficou muito forte e interessante.
Resumindo: bases rápidas, música direta, bateria avassaladora e o Demônio como
tema. Algo mais a dizer?
"Depths of Hell"
Depths of Hell, “Profundezas do Inferno”, deixa bem claro que Spawn é uma
criatura demoníaca e que mesmo escolhendo lutar contra as forças do Mal, após
vender sua alma ao Diabo, Spawn continua com a escuridão morando dentro dele.
Sem vida, sem alma, sem seu amor, sem nada. Apenas o ódio do fundo do inferno o
atormentando.
Após músicas rápidas, Schaffer e Shawver compõem uma música cadenciada onde
alterna momentos de melancolia e força por parte do Matt. No início a guitarra
corta com uma certa distorção e depois o trabalho da banda mostra novamente
entrosamento. Pequeno solo, onde Shawver mescla algo mais limpo com um solo mais
rasgado. Muito bom. O baixo nesta música também é um ponto forte.
"Vengeance is Mine"
Novamente Barlow faz uma letra bem sombria e da a “Vingança é minha” um desabafo
de Spawn, uma criatura com sede de vingança. Vingança essa que tem seu alvo:
Jason Wynn, o cara que o matou. Um fantoche do Diabo que quer dominar o mundo.
Wynn, um genocida psicopata, agora tem medo de morrer pelas mãos da criatura que
ele mesmo ajudou a criar. Spawn na sua busca por vingança, por tudo ( seu amor
perdido, sua vida, sua alma, seu vazio ), sem Deus e sem o Diabo, dessa vez ele
ganha...sinal de que a luta ainda continua. “Without god without the devil, this
time I have won”. Escuto essa música e vejo Al Simmons, Spaw, dizendo no início
dela: “A vingança é minha !”; e é desta forma que Matt, e agora Tim, a começam.
Direto nos ouvidos de todos, ela começa com um belo riff e uma pegada muito boa.
Vocal firme e novamente uma espécie de dueto entre John e Matt no refrão;
novamente funciona muito bem. O solo é um dos melhores de todo o álbum. Antes de
cada estrofe te uma espécie de parada com a bateria e uma base de guitarra muito
rápida e repicada. Após uma semi parada no meio da música, o solo maior é feito
em dueto entre Schaffer e Shawver. Ambos praticamente impecáveis.
Resumindo: Perfeita ! Aula de vocal do Barlow e uma velocidade matadora em toda
a música. Na minha opinião, uma das melhores música de toda a carreira do Iced
Earth.
"The Suffering - Scarred"
“Marcado” é o início da trilogia do álbum e é uma música que mostra novamente em
que Al Simmons se transformou. Alguém sem alma, sem vida, culpado de tudo que
aconteceu consigo mesmo e que tem o Diabo como pai e o inferno como lar. Mesmo
assim, ele renega tudo isso e decide lutar para o Bem.
Musicalmente, ela se parece muito com “Depths of Hell”, mas é melhor. Começa
melancólica e cadenciada e depois fica mais rápida, com dueto de John e Matt no
refrão ( o melhor de todo o álbum ). Um solo maravilhoso, onde além de guitarras
solando simultaneamente, temos o baixo marcando presença mais uma vez e deixando
a sua marca. Antes de voltar ao refrão, mais um show de bateria. Excelente
música.
"The Suffering - Slave to the Dark"
“Escravo da Escuridão” é a música mais sombria de John no álbum. Ela conta muito
bem o sentimento do Spawn quanto ao seu erro e sua conduta a partir de então.
Vendeu sua alma e agora é um escravo. Foi condenado e este é o seu destino.
Mostra que teve o que quis (Wanda) mas foi traído pelo Diabo. Mesmo depois de
ter enfreNtado Satã, ele tem medo da fúria de Deus e não sabe se terá o perdão
em sua alma.
Após uma música cadenciada, já com uma introdução bem junta ao final de sua
antecessora, e de forma bem lenta, “Slave do the Dark” mostra seu poder com um
grito de Barlow, que canta sua melhor música do álbum. Daí pra frente, o “pau
quebra” até o final. Ótimos riffs, principalmente entre as estrofes, que é o
mesmo usado no refrão.
Outro tapa na cara que Mr. Schaffer nos oferece. Shawver tem um solo perfeito,
um dueto entre as duas guitarras e depois novamente um solo, desta vez mais
rasgado. Volta ao refrão novamente com Barlow cantando tudo ( ao vivo ela fica
melhor ainda porque Matt grita muito ) e termina com o mesmo solo do meio da
música.
Perfeita. Maravilhosa. Rápida. Violenta...acho que vocês entenderam...
"The Suffering - A Question of Heaven"
“Pergunta para os Céus” antes de tudo é uma obra prima. Musicalmente falando,
John estava muito inspirado e deixou o melhor para o final. Uma letra belíssima,
onde Spawn pede perdão a Deus e deseja morrer, novamente, para terminar com seu
sofrimento. O interessante, e que chama a atenção, é o amor de Al Simmon, Spawn,
por Wanda. Mesmo se tornando essa criatura cheia de dor, escuridão, desespero e
vontade de morrer de novo, Spawn não se arrepende de ter feito tudo por amor.
Essa é a questão ! Belíssima letra, mais trabalhada e a que mais reflete o
sentimento de Spawn após sua luta contra as forças do Mal, as quais ele não quis
fazer parte.
Uma introdução lenta, quase que uma oração de Spawn, terminando com “I walk
alone”. Daí pra frente, uma série de mudanças, vozes angelicais significando o
céu...
Não chega a ser uma música rápida, mas tem estrofes bem cadenciadas e com um
belo riff. Palhetadas também não faltam nesta obra prima. Da metade para a
frente, Mr. Barlow dá o show, após alguns toques de sinos onde Spawn fala de seu
amor por Wanda.
Barlow mostra todo o seu poder de interpretação e coloca muito sentimento nesta
parte, quase que acústica. Após um solo forte, Matt novamente volta, esbanjando
feeling e agora com mais força e no final muita potência, mas, muita potência
mesmo, com altos gritos.
Simplesmente perfeita ! Fecha com chave de ouro a “The Suffering Trilogy” e o
álbum “Dark Saga”. Matt ao vivo arregaça nesta música e por causa de músicas
como esta, é que eu sinto saudades do bom e velho Mattew Barlow.
"The Ripper"
Não gostei muito deste cover do Judas Priest. Acho que eles tem outros
infinitamente melhores. Mas, é um bônus a mais do The Dark Saga.
Resumo:
Na minha opinião é um excelente álbum. Muito coeso; onde você não encontra
nenhuma música abaixo da crítica. Ele simplesmente é nivelado lá em cima.